A Planeta Manuscrito apresenta a primeira obra publicada de Carlos Ruiz Zafón, vencedora do Prémio Edebé, de 1993. O autor da Catalunha é considerado um dos autores mais prestigiados dos últimos tempos.
O Príncipe da Neblina é uma pequena história de terror dedicada a um público jovem. Quando o chefe da família Carver se apercebe dos perigos da Segunda Guerra Mundial, decide abandonar a cidade e rumar a uma remota aldeia costeira. Para Max, o protagonista da trama, esta é uma mudança pouco apreciada, mas que o vai mudar para sempre.
Na nova casa, Max sente que está cercado por um grande mistério. Para além da história invulgar dos últimos habitantes que viram o filho morrer afogado, Max sente-se intrigado pelo estranho jardim de estátuas que avista da janela do seu quarto. Em conversa com Alicia, a sua irmã mais velha, percebe que também ela sente que algo de estranho se passa.
Max e Alicia travam amizade com um rapaz local, Roland, que lhes dá a conhecer a aldeia e a história local, nomeadamente o caso do navio afundado naquela costa. Rapidamente, os irmãos percebem que algo de sinistro está prestes a acontecer e começam a deparar-se com acontecimentos perturbadores, ligados a uma personagem que julgavam desaparecida conhecida como o Príncipe da Neblina.
Este é um livro que se lê sem dificuldade e que, apesar da essência assustadora, consegue cativar, graças ao ritmo das revelações. As personagens são, essencialmente, jovens, e com desenvolvimentos previsíveis ou demasiado convenientes, o que não tornam esta leitura particularmente marcante.
Os momentos mais assustadores vão ao encontro a alguns receios existentes no senso comum, que podem tocar alguns pontos sensíveis de leitores mais jovens. As descrições estão bem conseguidas, principalmente nos momentos mais negros e tensos, que se tornam envolventes e encantadores.
Contudo, é de enaltecer a preocupação do autor na chamada de atenção para alguns fatores, tais como a amizade, coragem, o valor de uma promessa e as consequências das ações.
É ainda importante mencionar o prólogo escrito Carlos Ruiz Záfon, em 2007, que dá um toque especial a esta edição. Um discurso acerca da efemeridade da vida humana, mas da imortalidade da obra, que estabelecesse uma maior ligação entre leitor e autor.
Um livro que proporciona uns momentos de leitura agradáveis, especialmente a jovens que apreciem tramas negras e que transportem mensagens, ou mesmo aos mais adultos que apreciem um “mimo” mais obscuro. – Cláudia Sérgio
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