Enquanto algumas editoras tentam encontrar (sem grande sucesso) o sucessor dos vampiros – zombies fadas, anjos… utopias? –, aqui no BLID, continuamos a preferir os vampiros. Mas não os da moda…
E porque a Feira do Livro de Lisboa está quase a começar, e logo depois a do Porto, seleccionámos 10 grandes obras da literatura de vampiros. 10 obras com a particularidade de terem sido já publicadas entre nós.
Deixem-se morder! – Rui Baptista
Contos de Vampiros
Vários autores
Porto Editora (2009)
Curiosa aposta da Porto Editora, que convidou autores como Rui Zink, Hélia Correia, João Tordo e José Eduardo Água Lusa, a escrever histórias de vampiros. Gonçalo M. Tavares, Ana Paula Tavares, Miguel Esteves Cardoso, Jorge Reis-Sá e Susana Caldeira Cabaço, foram os restantes autores convidados.
É perceptível algum alheamento por parte dos autores, quanto ao tema em questão. Não obstante, é possível encontrar nesta colectânea contos muito interessantes, nomeadamente os de João Tordo (Vlad, O empalador…), o de Jorge Reis-Sá (Sangue azul) e o de Hélia Correia (Uma noite em Luddenden).
Deixa-me Entrar (Låt den rätte komma in, 2004)
John Ajvide Lindqvist
Contraponto (2010)
Oskar tem 12 anos e vive com a mãe num bairro social em Blackeberg, um subúrbio cinzento e pacato de Estocolmo. O pai desapareceu das suas vidas e ele é vítima de bullying na escola.
Eli é uma rapariga misteriosa e reservada, que se muda com o pai para o apartamento ao lado. Eli não vai à escola e só sai de casa à noite.
Presos na sua solidão, Oskar e Eli encontram um no outro a compreensão que o mundo lhes nega. E quando o lado mais obscuro de Eli se revela, Oskar descobre o verdadeiro preço da amizade…
Lindqvist aborda temas chocantes, e quase tabu nos nossos dias, mas devido à sua escrita não conseguem verdadeiramente chocar o leitor. Nenhum acto de raiva, nenhum acto de violência é gratuito e por vezes o leitor vê-se mesmo do lado do assassino, cometendo actos terríveis, sem pestanejar e sem qualquer vestígio de culpa.
É sobretudo uma acutilante crítica à sociedade Sueca. Uma crítica que podemos, sem qualquer esforço, generalizar e aplicar a fórmula um pouco por todo o mundo. Desde os bairros sociais decadentes e esquecidos, aos pretensiosos e deslocados Condomínios fechados, tão em voga neste século XXI. Todos eles “recheados” de pessoas frias e alienadas, que só se apercebem disso quando enfrentam a Morte ou situações que lhes fogem do controlo e não conseguem ser explicadas de forma científica e socialmente aceite. – Joana Neto Lima
Drácula, O Morto-Vivo (Dracula: The Un-Dead, 2009)
Dacre Stoker, Ian Holt
Planeta (2009)
“Uma viagem aos Infernos, da qual nenhum deles regressou realmente” – assim descreveu Jonathan Harker, a batalha que ocorreu contra Dracula. Mas 25 anos mais tarde, volta a ter lugar um novo confronto…
Se o horror criado por Bram Stoker no seu romance (Dracula, 1987) era mais intuitivo, na continuação de Dacre Stoker, Ian Holt, são as personagens e os inúmeros segredos que carregam consigo, que nos transportam até ao horror por elas protagonizado…
Dacre Stoker e Ian Holt deram uma nova e mais vasta dimensão às personagens de Bram Stoker, que por si só eram já bastante ricas, mas agora são-nos apresentadas completamente vencidas pelos seus passados.
Entrevista com o Vampiro (Interview with the Vampire, 1976)
Anne Rice
Europa-América (2010)
Louis de Pointe du Lac decide contar a história da sua existência a um jovem jornalista. Louis revela ao jovem a sua verdadeira natureza: ele é um vampiro criado no século XVIII por Lestat, uma figura misteriosa e cruel que desenvolve em Louis sentimentos contraditórios ao longo de toda a narrativa. Lestat aproveita o desespero de Louis para proceder à sua transformação em ser da noite, servindo-se da influência e riqueza que este tinha enquanto humano. Louis relata assim ao jornalista a sua história, intimamente ligada com uma reflexão profunda sobre o valor da vida e da morte.
Louis é um vampiro que se agarra aos vestígios da sua humanidade, questionando-se constantemente sobre as condições da sua natureza, uma vez que Lestat insiste em mantê-lo ignorante nos assuntos dos seres das trevas. Encerra em si conflitos morais que o afastam do seu criador, o que levará Lestat a tomar medidas dramáticas que irão alterar muitas vezes o rumo dos acontecimentos.
Anne Rice apresenta, nesta obra, algumas das suas personagens mais marcantes. Personagens completamente distintas que, num ambiente sangrento, violento e erótico, se defrontam com a condição trágica do vampiro condenado à imortalidade, um dom e, consequentemente, uma maldição. – Cláudia Sérgio
A Estirpe (The Strain, 2009)
Chuck Hogan, Guillermo Del Toro
Objectiva (2010)
A paixão de Guillermo Del Toro pelos vampiros nunca foi segredo. Inclusive, já o tinha demonstrado excelente filme Cronos, de 1993, e mesmo, nos filmes da série Blade. E neste romance, o primeiro de uma trilogia, que se propôs escrever com Chuck Hogan, é possível encontrar muitas das características exploradas nas obras anteriores.
“Um Boeing 777 proveniente de Berlim aterra no aeroporto JFK e, de repente, pára na pista. As janelas estão fechadas. As luzes estão apagadas. Ninguém responde às chamadas da torre de controlo. Nenhum passageiro atende o telemóvel. Parece que o avião deixou de existir… O que os investigadores encontram lá dentro gela-lhes o sangue.
O que ao princípio parece ser apenas um vírus altamente contagioso revela-se uma ameaça aterradora. Os vampiros estão de volta e estão sedentos de sangue. A epidemia vampírica propaga-se a uma velocidade vertiginosa e, ao cabo de poucos dias, invade toda a ilha de Manhattan. Mas isto é apenas o começo.”
Eu sou a lenda (I Am Legend, 1954)
Richard Matheson
Saída de Emergência (2008)
Robert Neville é o único homem na terra. Ele é o único sobrevivente de uma terrível pandemia que dizimou toda a população humana e mesmo parte da animal. É um homem apático, amargo, cansado de viver e cujo único conforto provém de uma garrafa de whisky.
Durante a noite, permanece refugiado em sua casa. De dia dedica-se a fazer reparações na casa, a fortalecê-la. Procura explicações científicas para o vírus – cujos sintomas em tudo se assemelham ao vampirismo. E também os mata, os vampiros, sempre que pode ou se encontra com disposição para o fazer.
O quotidiano de Neville, é-nos assim partilhado, ao mesmo tempo que vai revelando a lenda, ou, o bicho papão de quem todos têm medo e odeiam…
Sem dúvida, um dos melhores romances da literatura de horror.
O Historiador (The Historian, 2005)
Elizabeth Kostova
Gótica (2009)
São inúmeros os autores que se apoiaram no romance de Bram Stoker, para recontar a sua história. Kim Newman (Anno Dracula) e Fred Saberhagen (The Dracula Tape) são dois bons exemplos. Contudo, as suas obras nunca chegaram até nós. Já a de Elizabeth Kostova…
“Uma noite, ao explorar a biblioteca do pai, uma jovem mulher encontra um livro antigo e um maço de cartas amareladas. As cartas começam todas por «Meu caro e desventurado sucessor…» e fazem-na mergulhar num mundo com que ela nunca tinha sonhado - um labirinto onde os segredos do passado do pai e do misterioso destino da mãe se ligam a um mal inconcebível escondido nas profundezas da história.
As cartas abrem caminho para um dos poderes mais perversos que a humanidade já conheceu - e para uma busca que dura há séculos para encontrar a origem dessa perversidade e extingui-la. É uma busca da verdade sobre Vlad o Empalador, o governante medieval cujo bárbaro reinado esteve na base da lenda do Drácula. Gerações de historiadores arriscaram a reputação, a saúde mental e mesmo a vida para saber a verdade sobre Vlad o Empalador e Drácula.
Agora, a jovem decide empreender por sua vez essa busca para seguir o pai numa perseguição que quase o destruiu quando ainda era um novo e entusiasta académico e a mãe ainda estava viva.”
A Hora do Vampiro ('Salem's Lot, 1975)
Stephen King
Bertrand Editora (2010)
Stephen King é um autor que dispensa apresentações. Mas aquando da publicação deste romance, o mesmo não poderia ser dito. Afinal, era apenas o seu segundo livro a ser publicado.
“ – Acho que vai acontecer algo. Não consegues senti-lo?”
Tal como acontece às as personagens na pequena cidade de Salem, à medida que prosseguimos a leitura, sentimos uma tensão crescente. Sentimos que algo de muito mau está para acontecer. E é esta antecipação que o autor desenvolve tão bem, uma das principais razões pela qual 'Salem's Lot é tão bom…
O Império do Medo (The Empire of Fear, 1988)
Brian Stableford
Saída de Emergência (2011)
A narrativa inicia-se em Londres do século XVII, onde Edmund Cordery, um humano sábio, dedica-se à investigação relativa às diferenças entre humanos e vampiros. Ao obter conhecimentos inéditos e bastante reveladores, Edmund passa não só a ser possuidor da origem do vampirismo como também dos métodos para a sua destruição. Estes conhecimentos vão levar o sábio à morte. Mas antes que tal aconteça, prepara o seu filho, Noell Cordery, para continuar a pesquisa que iniciou, o que fará dele um dos homens mais procurados da Europa.
O jovem Noell agarra o projecto científico do pai e tenta desvendar os segredos da condição vampírica, que dividem a sociedade entre dominadores e dominados. Os humanos temem os vampiros, mas desejam alcançar o estado imortal que lhes é concebido, juntamente com a força e o domínio. Mas estes seres superiores encerram em si um grande mistério...
Brian Stableford conseguiu criar um mundo bastante plausível e que faz reflectir. É apresentada uma organização social fundada no medo, uma vez que os humanos são os únicos a sofrer a morte e pior, a dor. É a dor, acima de todos os outros factores, que controla os seres mais fracos. Seres que desejam no seu íntimo ser um daqueles que a infligem, apesar de todas as explicações religiosas criadas para os fazer aceitar a condição mortal. – Cláudia Sérgio
Sonho Febril (Fevre Dream, 1982)
George R. R. Martin
Saída de Emergência (2010)
Por cá, o autor deve muita da sua popularidade a sua saga de fantasia As Crónicas de Gelo e Fogo (A Song of Ice and Fire), editada também pela Saída de Emergência. Mas o autor nunca se limitou a escrever só no campo da fantasia. Horror e Ficção Científica, também fazem parte do seu currículo.
“Rio Mississípi, 1857. Abner Marsh, respeitável mas falido capitão de barcos a vapor, é abordado por um misterioso aristocrata de nome Joshua York que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos. York tem os seus próprios motivos para navegar o rio Mississípi, e Marsh é forçado a aceitar o secretismo do seu patrono, não importando o quão bizarros ou caprichosos pareçam os seus actos.
Mas à medida que navegam o rio, rumores circulam sobre o enigmático York: toma refeições apenas de madrugada, e na companhia de amigos raramente vistos à luz do dia. E na esteira do magnífico barco a vapor Fevre Dream é deixado um rasto de corpos... Ao aperceber-se de que embarcou numa missão cheia de perigos e trevas, Marsh é forçado a confrontar o homem que tornou o seu sonho realidade.”
Martin expõe as suas personagens numa narrativa carregada de descrições exímias e suspense, que nos prende da primeira à última página. E se num momento é o ritmo frenético que nos faz parar o coração, noutros, é a passividade com que decorre a acção na qual, antevemos que algo de muito mal está para acontecer…
E porque a Feira do Livro de Lisboa está quase a começar, e logo depois a do Porto, seleccionámos 10 grandes obras da literatura de vampiros. 10 obras com a particularidade de terem sido já publicadas entre nós.
Deixem-se morder! – Rui Baptista
Contos de VampirosVários autores
Porto Editora (2009)
Curiosa aposta da Porto Editora, que convidou autores como Rui Zink, Hélia Correia, João Tordo e José Eduardo Água Lusa, a escrever histórias de vampiros. Gonçalo M. Tavares, Ana Paula Tavares, Miguel Esteves Cardoso, Jorge Reis-Sá e Susana Caldeira Cabaço, foram os restantes autores convidados.
É perceptível algum alheamento por parte dos autores, quanto ao tema em questão. Não obstante, é possível encontrar nesta colectânea contos muito interessantes, nomeadamente os de João Tordo (Vlad, O empalador…), o de Jorge Reis-Sá (Sangue azul) e o de Hélia Correia (Uma noite em Luddenden).
Deixa-me Entrar (Låt den rätte komma in, 2004)John Ajvide Lindqvist
Contraponto (2010)
Oskar tem 12 anos e vive com a mãe num bairro social em Blackeberg, um subúrbio cinzento e pacato de Estocolmo. O pai desapareceu das suas vidas e ele é vítima de bullying na escola.
Eli é uma rapariga misteriosa e reservada, que se muda com o pai para o apartamento ao lado. Eli não vai à escola e só sai de casa à noite.
Presos na sua solidão, Oskar e Eli encontram um no outro a compreensão que o mundo lhes nega. E quando o lado mais obscuro de Eli se revela, Oskar descobre o verdadeiro preço da amizade…
Lindqvist aborda temas chocantes, e quase tabu nos nossos dias, mas devido à sua escrita não conseguem verdadeiramente chocar o leitor. Nenhum acto de raiva, nenhum acto de violência é gratuito e por vezes o leitor vê-se mesmo do lado do assassino, cometendo actos terríveis, sem pestanejar e sem qualquer vestígio de culpa.
É sobretudo uma acutilante crítica à sociedade Sueca. Uma crítica que podemos, sem qualquer esforço, generalizar e aplicar a fórmula um pouco por todo o mundo. Desde os bairros sociais decadentes e esquecidos, aos pretensiosos e deslocados Condomínios fechados, tão em voga neste século XXI. Todos eles “recheados” de pessoas frias e alienadas, que só se apercebem disso quando enfrentam a Morte ou situações que lhes fogem do controlo e não conseguem ser explicadas de forma científica e socialmente aceite. – Joana Neto Lima
Drácula, O Morto-Vivo (Dracula: The Un-Dead, 2009)Dacre Stoker, Ian Holt
Planeta (2009)
“Uma viagem aos Infernos, da qual nenhum deles regressou realmente” – assim descreveu Jonathan Harker, a batalha que ocorreu contra Dracula. Mas 25 anos mais tarde, volta a ter lugar um novo confronto…
Se o horror criado por Bram Stoker no seu romance (Dracula, 1987) era mais intuitivo, na continuação de Dacre Stoker, Ian Holt, são as personagens e os inúmeros segredos que carregam consigo, que nos transportam até ao horror por elas protagonizado…
Dacre Stoker e Ian Holt deram uma nova e mais vasta dimensão às personagens de Bram Stoker, que por si só eram já bastante ricas, mas agora são-nos apresentadas completamente vencidas pelos seus passados.
Entrevista com o Vampiro (Interview with the Vampire, 1976)Anne Rice
Europa-América (2010)
Louis de Pointe du Lac decide contar a história da sua existência a um jovem jornalista. Louis revela ao jovem a sua verdadeira natureza: ele é um vampiro criado no século XVIII por Lestat, uma figura misteriosa e cruel que desenvolve em Louis sentimentos contraditórios ao longo de toda a narrativa. Lestat aproveita o desespero de Louis para proceder à sua transformação em ser da noite, servindo-se da influência e riqueza que este tinha enquanto humano. Louis relata assim ao jornalista a sua história, intimamente ligada com uma reflexão profunda sobre o valor da vida e da morte.
Louis é um vampiro que se agarra aos vestígios da sua humanidade, questionando-se constantemente sobre as condições da sua natureza, uma vez que Lestat insiste em mantê-lo ignorante nos assuntos dos seres das trevas. Encerra em si conflitos morais que o afastam do seu criador, o que levará Lestat a tomar medidas dramáticas que irão alterar muitas vezes o rumo dos acontecimentos.
Anne Rice apresenta, nesta obra, algumas das suas personagens mais marcantes. Personagens completamente distintas que, num ambiente sangrento, violento e erótico, se defrontam com a condição trágica do vampiro condenado à imortalidade, um dom e, consequentemente, uma maldição. – Cláudia Sérgio
A Estirpe (The Strain, 2009)Chuck Hogan, Guillermo Del Toro
Objectiva (2010)
A paixão de Guillermo Del Toro pelos vampiros nunca foi segredo. Inclusive, já o tinha demonstrado excelente filme Cronos, de 1993, e mesmo, nos filmes da série Blade. E neste romance, o primeiro de uma trilogia, que se propôs escrever com Chuck Hogan, é possível encontrar muitas das características exploradas nas obras anteriores.
“Um Boeing 777 proveniente de Berlim aterra no aeroporto JFK e, de repente, pára na pista. As janelas estão fechadas. As luzes estão apagadas. Ninguém responde às chamadas da torre de controlo. Nenhum passageiro atende o telemóvel. Parece que o avião deixou de existir… O que os investigadores encontram lá dentro gela-lhes o sangue.
O que ao princípio parece ser apenas um vírus altamente contagioso revela-se uma ameaça aterradora. Os vampiros estão de volta e estão sedentos de sangue. A epidemia vampírica propaga-se a uma velocidade vertiginosa e, ao cabo de poucos dias, invade toda a ilha de Manhattan. Mas isto é apenas o começo.”
Eu sou a lenda (I Am Legend, 1954)Richard Matheson
Saída de Emergência (2008)
Robert Neville é o único homem na terra. Ele é o único sobrevivente de uma terrível pandemia que dizimou toda a população humana e mesmo parte da animal. É um homem apático, amargo, cansado de viver e cujo único conforto provém de uma garrafa de whisky.
Durante a noite, permanece refugiado em sua casa. De dia dedica-se a fazer reparações na casa, a fortalecê-la. Procura explicações científicas para o vírus – cujos sintomas em tudo se assemelham ao vampirismo. E também os mata, os vampiros, sempre que pode ou se encontra com disposição para o fazer.
O quotidiano de Neville, é-nos assim partilhado, ao mesmo tempo que vai revelando a lenda, ou, o bicho papão de quem todos têm medo e odeiam…
Sem dúvida, um dos melhores romances da literatura de horror.
O Historiador (The Historian, 2005)Elizabeth Kostova
Gótica (2009)
São inúmeros os autores que se apoiaram no romance de Bram Stoker, para recontar a sua história. Kim Newman (Anno Dracula) e Fred Saberhagen (The Dracula Tape) são dois bons exemplos. Contudo, as suas obras nunca chegaram até nós. Já a de Elizabeth Kostova…
“Uma noite, ao explorar a biblioteca do pai, uma jovem mulher encontra um livro antigo e um maço de cartas amareladas. As cartas começam todas por «Meu caro e desventurado sucessor…» e fazem-na mergulhar num mundo com que ela nunca tinha sonhado - um labirinto onde os segredos do passado do pai e do misterioso destino da mãe se ligam a um mal inconcebível escondido nas profundezas da história.
As cartas abrem caminho para um dos poderes mais perversos que a humanidade já conheceu - e para uma busca que dura há séculos para encontrar a origem dessa perversidade e extingui-la. É uma busca da verdade sobre Vlad o Empalador, o governante medieval cujo bárbaro reinado esteve na base da lenda do Drácula. Gerações de historiadores arriscaram a reputação, a saúde mental e mesmo a vida para saber a verdade sobre Vlad o Empalador e Drácula.
Agora, a jovem decide empreender por sua vez essa busca para seguir o pai numa perseguição que quase o destruiu quando ainda era um novo e entusiasta académico e a mãe ainda estava viva.”
A Hora do Vampiro ('Salem's Lot, 1975)Stephen King
Bertrand Editora (2010)
Stephen King é um autor que dispensa apresentações. Mas aquando da publicação deste romance, o mesmo não poderia ser dito. Afinal, era apenas o seu segundo livro a ser publicado.
“ – Acho que vai acontecer algo. Não consegues senti-lo?”
Tal como acontece às as personagens na pequena cidade de Salem, à medida que prosseguimos a leitura, sentimos uma tensão crescente. Sentimos que algo de muito mau está para acontecer. E é esta antecipação que o autor desenvolve tão bem, uma das principais razões pela qual 'Salem's Lot é tão bom…
O Império do Medo (The Empire of Fear, 1988)Brian Stableford
Saída de Emergência (2011)
A narrativa inicia-se em Londres do século XVII, onde Edmund Cordery, um humano sábio, dedica-se à investigação relativa às diferenças entre humanos e vampiros. Ao obter conhecimentos inéditos e bastante reveladores, Edmund passa não só a ser possuidor da origem do vampirismo como também dos métodos para a sua destruição. Estes conhecimentos vão levar o sábio à morte. Mas antes que tal aconteça, prepara o seu filho, Noell Cordery, para continuar a pesquisa que iniciou, o que fará dele um dos homens mais procurados da Europa.
O jovem Noell agarra o projecto científico do pai e tenta desvendar os segredos da condição vampírica, que dividem a sociedade entre dominadores e dominados. Os humanos temem os vampiros, mas desejam alcançar o estado imortal que lhes é concebido, juntamente com a força e o domínio. Mas estes seres superiores encerram em si um grande mistério...
Brian Stableford conseguiu criar um mundo bastante plausível e que faz reflectir. É apresentada uma organização social fundada no medo, uma vez que os humanos são os únicos a sofrer a morte e pior, a dor. É a dor, acima de todos os outros factores, que controla os seres mais fracos. Seres que desejam no seu íntimo ser um daqueles que a infligem, apesar de todas as explicações religiosas criadas para os fazer aceitar a condição mortal. – Cláudia Sérgio
Sonho Febril (Fevre Dream, 1982)George R. R. Martin
Saída de Emergência (2010)
Por cá, o autor deve muita da sua popularidade a sua saga de fantasia As Crónicas de Gelo e Fogo (A Song of Ice and Fire), editada também pela Saída de Emergência. Mas o autor nunca se limitou a escrever só no campo da fantasia. Horror e Ficção Científica, também fazem parte do seu currículo.
“Rio Mississípi, 1857. Abner Marsh, respeitável mas falido capitão de barcos a vapor, é abordado por um misterioso aristocrata de nome Joshua York que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos. York tem os seus próprios motivos para navegar o rio Mississípi, e Marsh é forçado a aceitar o secretismo do seu patrono, não importando o quão bizarros ou caprichosos pareçam os seus actos.
Mas à medida que navegam o rio, rumores circulam sobre o enigmático York: toma refeições apenas de madrugada, e na companhia de amigos raramente vistos à luz do dia. E na esteira do magnífico barco a vapor Fevre Dream é deixado um rasto de corpos... Ao aperceber-se de que embarcou numa missão cheia de perigos e trevas, Marsh é forçado a confrontar o homem que tornou o seu sonho realidade.”
Martin expõe as suas personagens numa narrativa carregada de descrições exímias e suspense, que nos prende da primeira à última página. E se num momento é o ritmo frenético que nos faz parar o coração, noutros, é a passividade com que decorre a acção na qual, antevemos que algo de muito mal está para acontecer…
4 comentários:
Estão aqui grandes escolhas! Tirando "O Império do Medo" gostei de todos.
Obrigado Vitor. Também não tive ainda oportunidade de ler o Império do Medo, nem os da Anne Rice :(
Eu quero todos e não li nenhum! Sou uma triste =(
Vou colocar alguns numa listinha pois quero ver se este ano me desforro na HORA H da FL e alguns deles já têm mais de 18 meses por isso, quem sabe?!
Adorei a lista Rui mas apetece-me matar-te (o cliché morder ficava giro mas inadequado! lol) pois vieste aumentar bastante a lista de compras para a FL que tenho vindo a reduzir, com muitas lágrimas por sinal!
Só és uma triste se não adquirires nenhum na feira do livro :P
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