
Título original: Fahrenheit 451 (1953)
Autor: Ray Bradbury
Tradutor: Teresa da Costa Pinto Pereira
Editora: Europa-América (2011)
O sistema era simples. Toda a gente compreendia. Os livros deviam ser queimados, juntamente com as casas onde estavam escondidos...
Guy Montag era um bombeiro cuja tarefa consistia em atear fogos, e gostava do seu trabalho. Era bombeiro há dez anos e nunca questionara o prazer das corridas à meia-noite nem a alegria de ver páginas consumidas pelas chamas... Nunca questionara nada até conhecer uma rapariga de dezassete anos que lhe falou de um passado em que as pessoas não tinham medo. E depois conheceu um professor que lhe falou de um futuro em que as pessoas podiam pensar. E Guy Montag apercebeu-se subitamente daquilo que tinha de fazer...
Um dos grandes clássicos incontornáveis da ficção científica, e que já teve inclusive direito a uma (excelente) adaptação ao silver screen em 1966, por François Truffaut.
Em Fahrenheit 451, os leitores são confrontados com uma sociedade distópica, passada algures num subúrbio americano. Num mundo em que os livros nada mais são que carcaças, verdadeiros resquícios indesejados e incómodos de uma cultura perdida, moribunda e clandestina.
Guy Montag é apenas mais um bombeiro como tantos outros, até que um dia uma jovem rapariga o leva a questionar tudo à sua volta... Leva-o a colocar e a encontrar questões que nem sequer sabia existirem. Afinal o que é um bombeiro? O que era um bombeiro antes do fogo e do querosene? Porque são tão perigosos os livros estáticos e silenciosos com as suas folhas impressas? E porque são perigosos quem os lê, ama e guarda com as suas próprias vidas?
Depois de uma série de situações limite, que ajudam Guy a encontrar algumas respostas proibidas e desconcertantes, ele procura a verdade mais elusiva junto do seu ambíguo Comandante Beatty e de um antigo professor universitário, um estudioso agora privado do sentido de toda a sua existência.
Temos pois, um mundo reprimido pelas grilhetas da censura... mas ao contrário da censura que todos conhecemos e combatemos, Bradbury pega na pior de todas as formas que esta pode assumir: a censura auto-imposta.
Num tom acutilante o autor critica a sociedade da Guerra Fria e da Crise Nuclear (cujo culminar das tensões se viveu na década em que este livro foi pela primeira vez publicado), que para defender o politicamente correcto, para manter a felicidade de todos e para conseguir agradar a gregos e a troianos, começa lentamente a censurar tudo o que possa ser considerado ofensivo, desagradável ou ficcional.
Livros religiosos eram queimados pois feriam as sensíveis susceptibilidades dos fiéis de uma outra religião; livros sobre gatos eram queimados pois eram provocatórios para os amantes de cães e peixinhos dourados... e assim se acabou com os livros, e os governos agradeceram a dádiva, aproveitando tudo para seu próprio proveito. Onde é que isto me soa familiar?!
“Nem todos nasceram livres e iguais, como diz a Constituição, mas todos foram tornado iguais.”
Ao ler este livro tão actual e que quase de forma profética, faz com que o leitor, tal como Montag, abra os olhos e veja a realidade tal como ela é... somos censurados a toda a hora, somos obrigados a pensar e repensar no que dizemos e fazemos, e aceitamos tudo sem pestanejar.
A questão que se coloca agora é: quando é que se abriram as mangueiras de querosene e quando é que começará o fogo? – Joana Neto Lima
Guy Montag era um bombeiro cuja tarefa consistia em atear fogos, e gostava do seu trabalho. Era bombeiro há dez anos e nunca questionara o prazer das corridas à meia-noite nem a alegria de ver páginas consumidas pelas chamas... Nunca questionara nada até conhecer uma rapariga de dezassete anos que lhe falou de um passado em que as pessoas não tinham medo. E depois conheceu um professor que lhe falou de um futuro em que as pessoas podiam pensar. E Guy Montag apercebeu-se subitamente daquilo que tinha de fazer...
Um dos grandes clássicos incontornáveis da ficção científica, e que já teve inclusive direito a uma (excelente) adaptação ao silver screen em 1966, por François Truffaut.
Em Fahrenheit 451, os leitores são confrontados com uma sociedade distópica, passada algures num subúrbio americano. Num mundo em que os livros nada mais são que carcaças, verdadeiros resquícios indesejados e incómodos de uma cultura perdida, moribunda e clandestina.
Guy Montag é apenas mais um bombeiro como tantos outros, até que um dia uma jovem rapariga o leva a questionar tudo à sua volta... Leva-o a colocar e a encontrar questões que nem sequer sabia existirem. Afinal o que é um bombeiro? O que era um bombeiro antes do fogo e do querosene? Porque são tão perigosos os livros estáticos e silenciosos com as suas folhas impressas? E porque são perigosos quem os lê, ama e guarda com as suas próprias vidas?
Depois de uma série de situações limite, que ajudam Guy a encontrar algumas respostas proibidas e desconcertantes, ele procura a verdade mais elusiva junto do seu ambíguo Comandante Beatty e de um antigo professor universitário, um estudioso agora privado do sentido de toda a sua existência.
Temos pois, um mundo reprimido pelas grilhetas da censura... mas ao contrário da censura que todos conhecemos e combatemos, Bradbury pega na pior de todas as formas que esta pode assumir: a censura auto-imposta.
Num tom acutilante o autor critica a sociedade da Guerra Fria e da Crise Nuclear (cujo culminar das tensões se viveu na década em que este livro foi pela primeira vez publicado), que para defender o politicamente correcto, para manter a felicidade de todos e para conseguir agradar a gregos e a troianos, começa lentamente a censurar tudo o que possa ser considerado ofensivo, desagradável ou ficcional.
Livros religiosos eram queimados pois feriam as sensíveis susceptibilidades dos fiéis de uma outra religião; livros sobre gatos eram queimados pois eram provocatórios para os amantes de cães e peixinhos dourados... e assim se acabou com os livros, e os governos agradeceram a dádiva, aproveitando tudo para seu próprio proveito. Onde é que isto me soa familiar?!
“Nem todos nasceram livres e iguais, como diz a Constituição, mas todos foram tornado iguais.”
Ao ler este livro tão actual e que quase de forma profética, faz com que o leitor, tal como Montag, abra os olhos e veja a realidade tal como ela é... somos censurados a toda a hora, somos obrigados a pensar e repensar no que dizemos e fazemos, e aceitamos tudo sem pestanejar.
A questão que se coloca agora é: quando é que se abriram as mangueiras de querosene e quando é que começará o fogo? – Joana Neto Lima
2 comentários:
Estou à espera do receber através das Bibliotecas de Lisboa!
Esse livro, mais o 1984 de George Orwell, mostra como regras arbitrarias se tornam sensatas num ambiente de paranoia, ate que um individuo/personagens para e pensa, por si e motivado por um detalhe, que tudo aquilo é uma loucura, que não se sustenta nem se sustifica. O que fazer? Livro essencial sobre a responsabilidade do pensar e do agir.
Sou brasileiro e esse site é fantastico. Vou sempre estar por aqui, se me permitirem...
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