29.4.11

Crítica: A Caixa




Autor: Richard Matheson
Tradução: David Soares
Editora: Saída de Emergência (2011)






“Quando for grande quero ser um vampiro. […] Quero viver para sempre e vingar-me de todos os parvos que me tratam mal. Quero transformar todas as raparigas em vampiros. Quero ter o cheiro da morte. […] Quero ser gélido e podre com as veias cheias de sangue roubado…”

Uma “caixa de surpresas”, assim poderíamos descrever este livro, com o qual a Saída de Emergência nos presenteou. Ao abrirmos esta “caixa” somos assombrados com um pequeno conjunto de excelentes contos de horror, da autoria de Richard Matheson. Alguns dos quais, bastante conhecidos do público, como é o caso de Terror a 20.000 metros de altitude/Nightmare at 20,000 Feet (1984).

“Estava uma “coisa” a rastejar na asa do avião.”

Surgiu primeiro num episódio da série televisiva The Twilight Zone – muitos dos episódios forma escritos por Matheson. E mais tarde, em 1983, no filme Twilight Zone: The Movie.

Nesta história, um homem é levado à loucura, pois parece ser a única pessoa a aperceber-se que está uma asa de um avião, a querer provocar um acidente durante o voo.

A imaginação de Matheson não conhece limites, nem tão-pouco o nervosismo que as suas histórias nos provocam. E findos estes anos todos, é surpreendente o poder hipnótico que ainda exercem.

A escolha e tradução dos contos esteve a cardo do escritor David Soares (O Evangelho do Enforcado). “Um compêndio de alguma da melhor ficção curta do autor,” – diz o autor. E neste compêndio podemos encontrar casas assombradas (A casa de Slaughter/Slaughter House, 1953), vampiros (Filho de Sangue/Blood Son, 1951), demónios sedutores (A Actratividade de Julie/The Likeness of Julie, 1962), premonições (O Homem dos Feriados/The Holiday Man, 1957), loucura (Fúria Íntima/Mad House, 1953), e muito mais. (*)

Destaque ainda para a pequena introdução de Stephen King. Ainda que não tenha sido escrita propositadamente para esta antologia, antes para Nightmare At 20,000 Feet: Horror Stories By Richard Matheson (2002), é muito interessante perceber o quanto King foi influenciado por Matheson. E certamente não foi o único.

No fim, fica a sensação de vazio. Queremos mais! Mas é um vazio que vai ser difícil de preencher, pois à parte do (excelente) romance Eu Sou A Lenda/I Am Legend (1954), também ditado pela Saída de Emergência, vai ser difícil encontrar mais obras em português deste autor.

Para todos aqueles que ainda desconhecem a obra de Richard Matheson, esta antologia é uma excelente oportunidade para colmatar essa falha. – Rui Baptista

(*) A Caixa/Button, Button (1970), Dança dos Mortos/Dance of the Dead (1954), Grilos/Crickets (1960), O vestido branco de seda/Dress of White Silk (1951), Primeiro aniversário/First Anniversary (1960), Na guerra com bruxas/Witch War (1951).

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