A trilogia Vingança de Park Chan-wook faz parte da lista restrita dos filmes obrigatórios a ver, que retrata de forma inteligente e sem cair em pretenciosismos a verdadeira essência do que é ser Humano. Reflecte bem o que somos capazes de fazer quando confrontados com situações limite, em que não podemos escapar, apoiados às falsas moralidades impostas pelas pseudo-sociedades humanas, que se esquecem que não somos criaturas lineares mas altamente complexas e que regra geral, fogem à suposta “normalidade”.
Park Chan-wook é tão genuíno como o seu trabalho, e esta trilogia é sem dúvida uma raridade, pois é bastante complicado ver coerência em trabalhos desta complexidade e filmados em alturas diferentes da vida das equipas envolvidas.
O mais curioso é mesmo, o facto que nenhum dos filmes que constituem a trilogia de Park Chan-Wook, ter sido pensado e produzido como parte integrante de uma trilogia, mas sim como produções independentes. Posteriormente, e rendendo-se à forma como o público se referia ao seu trabalho, Park adoptou essa classificação, tornando-a oficial.
Qualquer espectador mais atento consegue identificar facilmente o fio condutor destas três produções: a condição humana e a sua natureza intrínseca, sempre como pano de fundo e o quão longe, mesmo o homem mais vulgar e desinteressante é capaz de ir para conseguir vingança e redenção. Temos também uma série de cameos de vários actores dos três filmes, em cada um dos outros, interligando profundamente e de forma indelével as três histórias.
Se me pedissem para descrever cada um dos filmes da trilogia Vingança de Park, usando apenas e somente uma palavra, sem sombra de qualquer dúvida que seriam: Justiça, Vingança e Redenção.
Para quem gosta de bom cinema, com argumentos originais e espantosas interpretações...
Park Chan-wook é tão genuíno como o seu trabalho, e esta trilogia é sem dúvida uma raridade, pois é bastante complicado ver coerência em trabalhos desta complexidade e filmados em alturas diferentes da vida das equipas envolvidas.
O mais curioso é mesmo, o facto que nenhum dos filmes que constituem a trilogia de Park Chan-Wook, ter sido pensado e produzido como parte integrante de uma trilogia, mas sim como produções independentes. Posteriormente, e rendendo-se à forma como o público se referia ao seu trabalho, Park adoptou essa classificação, tornando-a oficial.
Qualquer espectador mais atento consegue identificar facilmente o fio condutor destas três produções: a condição humana e a sua natureza intrínseca, sempre como pano de fundo e o quão longe, mesmo o homem mais vulgar e desinteressante é capaz de ir para conseguir vingança e redenção. Temos também uma série de cameos de vários actores dos três filmes, em cada um dos outros, interligando profundamente e de forma indelével as três histórias.
Se me pedissem para descrever cada um dos filmes da trilogia Vingança de Park, usando apenas e somente uma palavra, sem sombra de qualquer dúvida que seriam: Justiça, Vingança e Redenção.
Para quem gosta de bom cinema, com argumentos originais e espantosas interpretações...

Sympathy for Mr Vengeance
Título original: Boksuneun naui geot
Realização: Park Chan-Wook
Argumento: Jae-sun Lee, Jong-yong Lee, Mu-yeong Lee, Chan-wook Park
Ano: 2002 (Coreia do Sul)
IMDb
Revenge was never this sweet
Bem-vindos à vida de Ryu (Sin Ha-gyoon – Thirst, No Mercy for the Rude), um jovem surdo, e a sua irmã, que precisa urgentemente de um rim. O patrão de Ryu, Park (Song Kang-ho – The Host, Thirst), acaba de o despedir e ele não consegue pagar a operação, por isso e juntamente com a namorada (Bae Doona – Air Doll, The Host), criam um plano para raptar a filha de Park. Mas as coisas correm horrivelmente mal, e a partir daí um ciclo imparável de morte e vingança começa...
O primeiro filme da trilogia trata de justiça. Ao longo do filme o espectador é incapaz de se desligar do sofrimento dos personagens principais: do pai desesperado por encontrar e punir os criminosos que lhe raptaram a filha e do irmão surdo despedido no preciso momento em que a irmã necessita de um transplante vital de um rim.
As interpretações geniais de Song Kang-ho e Sin Ha-gyoon são geniais e são sem dúvida o ponto mais alto de todo o filme, fazendo o espectador viver todo os percalços e sentir genuinamente a ambiguidade do argumento, ficando dividido entre as lutas dos dois protagonistas. Se por um lado é injusto o despedimento de Ryu por Park, impedindo-o de pagar a operação da irmã, também é injusto o rapto da filha de Park.
Ao longo da carreira de Park, estes dois actores aparecem recorrentemente, sendo mesmo considerados “musas” para o trabalho do realizador, da mesma forma que Johnny Depp está para Tim Burton.
Depois de ver este filme fica connosco uma incómoda pergunta: Até onde seríamos capazes de ir por vingança, para vingar as pessoas que amámos?
O primeiro filme da trilogia trata de justiça. Ao longo do filme o espectador é incapaz de se desligar do sofrimento dos personagens principais: do pai desesperado por encontrar e punir os criminosos que lhe raptaram a filha e do irmão surdo despedido no preciso momento em que a irmã necessita de um transplante vital de um rim.
As interpretações geniais de Song Kang-ho e Sin Ha-gyoon são geniais e são sem dúvida o ponto mais alto de todo o filme, fazendo o espectador viver todo os percalços e sentir genuinamente a ambiguidade do argumento, ficando dividido entre as lutas dos dois protagonistas. Se por um lado é injusto o despedimento de Ryu por Park, impedindo-o de pagar a operação da irmã, também é injusto o rapto da filha de Park.
Ao longo da carreira de Park, estes dois actores aparecem recorrentemente, sendo mesmo considerados “musas” para o trabalho do realizador, da mesma forma que Johnny Depp está para Tim Burton.
Depois de ver este filme fica connosco uma incómoda pergunta: Até onde seríamos capazes de ir por vingança, para vingar as pessoas que amámos?

Oldboy
Título original: Oldeuboi
Realização: Park Chan-Wook
Argumento: Jo-yun Hwang, Chun-hyeong Lim, Chan-wook Park, Joon-hyung Lim
Ano: 2003 (Coreia do Sul)
IMDb
15 years of imprisonment, five days of vengeance
Um homem vulgar é raptado e preso numa cela durante 15 anos sem qualquer explicação. Entretanto, é libertado, dão-lhe dinheiro, um telemóvel e roupas caras. Enquanto tenta encontrar uma explicação para o que lhe sucedeu e conseguir a sua vingança, rapidamente descobre que o seu captor tem ainda planos para ele. Mas esse último plano, será o culminar de 15 anos de sofrimento e não se pode voltar atrás.
Numa noite chuvosa, em que um homem alcoolizado (Choi Min-sik) é detido pela polícia por distúrbios, na noite a sua única filha faz anos, o seu melhor amigo paga-lhe a fiança e liberta-o. Mas durante uma chamada numa cabine telefónica, Oh Dae-Su desaparece sem deixar rasto...
Assim começa um dos filmes mais marcantes da década...
A partir da manga japonesa homónima – publicada de 1996 a 1998, em 8 volumes –, veio a inspiração para a criação de toda a trama tecida em torno do personagem Oh Dae-su. Depois foi só juntar a prodigiosa mente de Park Chan-Wook, que neste segundo filme da trilogia não desilude. Presenteia ainda o espectador com cenas poderosas e marcantes, aliadas ao choque de vontades, moralidades e, a sempre chocante capacidade e inclinação do ser humano em corromper, subverter e destruir tudo em seu redor.
Dos filmes que compõem a trilogia da Vingança, Old Boy foi de longe o mais premiado, com prémios arrecadados um pouco por todo o mundo, sendo aclamado pela crítica como um dos melhores filmes dos últimos anos, mostrando o Homem tal como é, sem pretensiosismos, nem psicologia barata...
Numa noite chuvosa, em que um homem alcoolizado (Choi Min-sik) é detido pela polícia por distúrbios, na noite a sua única filha faz anos, o seu melhor amigo paga-lhe a fiança e liberta-o. Mas durante uma chamada numa cabine telefónica, Oh Dae-Su desaparece sem deixar rasto...
Assim começa um dos filmes mais marcantes da década...
A partir da manga japonesa homónima – publicada de 1996 a 1998, em 8 volumes –, veio a inspiração para a criação de toda a trama tecida em torno do personagem Oh Dae-su. Depois foi só juntar a prodigiosa mente de Park Chan-Wook, que neste segundo filme da trilogia não desilude. Presenteia ainda o espectador com cenas poderosas e marcantes, aliadas ao choque de vontades, moralidades e, a sempre chocante capacidade e inclinação do ser humano em corromper, subverter e destruir tudo em seu redor.
Dos filmes que compõem a trilogia da Vingança, Old Boy foi de longe o mais premiado, com prémios arrecadados um pouco por todo o mundo, sendo aclamado pela crítica como um dos melhores filmes dos últimos anos, mostrando o Homem tal como é, sem pretensiosismos, nem psicologia barata...

Sympathy for Lady Vengeance
Título original: Chinjeolhan geumjassi
Realização: Park Chan-Wook
Argumento: Seo-Gyeong Jeong, Chan-wook Park
Ano: 2005 (Coreia do Sul)
IMDb
Lee Geum-Ja, have mercy on us...
Após uma pena de 13 anos pelo rapto e assassínio de um menino de 8 anos, a jovem Lee Guem-ja (Lee Young-ae - Joint Security Area, Fun Movie), procura vingança sobre o homem que realmente cometeu o crime pelo qual foi acusada. Com a ajuda das antigas companheiras de cela, Geum-ja procura redenção através da vingança. Mas será que vingança trás consigo a paz que Geum-ja tanto deseja?
Este é o capítulo de encerramento da trilogia da Vingança. E depois deste filme sentimos claramente o fechar de um ciclo. Trata de redenção, justiça e como chegar até elas...
Uma vez mais, Park Chan-wook, presenteia-nos com uma história ambígua. Ao contrário dos dois anteriores, o espectador não quer sequer imaginar estar em alguma das situações criadas por Park.
São situações de tal forma limite, situações que dilatam e deformam a escala de valores, que só mesmo quando confrontados com elas é que se seria capaz de entender a magnitude dos actos de vingança de Geum-Ja.
Nesta obra, assistimos ao discreto regresso de alguns de alguns actores dos dois filmes anteriores (Song Kang-Ho, Choi Min-sik e Sin Ha-gyoon), em pequenos papéis secundários, ficando a sensação de continuidade e de fecho de um ciclo com �Sympathy for Lady Vengeance�.
Após a estreia estrondosa nos cinemas deste filme, Park Chan-Wook, editou uma nova versão que apenas foi exibida em alguns cinemas da Coreia do Sul, Lady Vengeance – Fade to black and white version. Tal como o nome indica, o filme começa em full technicolor e de forma gradual vai “perdendo” as cores, chegando ao final completamente a preto e branco.
Joana Neto Lima
Este é o capítulo de encerramento da trilogia da Vingança. E depois deste filme sentimos claramente o fechar de um ciclo. Trata de redenção, justiça e como chegar até elas...
Uma vez mais, Park Chan-wook, presenteia-nos com uma história ambígua. Ao contrário dos dois anteriores, o espectador não quer sequer imaginar estar em alguma das situações criadas por Park.
São situações de tal forma limite, situações que dilatam e deformam a escala de valores, que só mesmo quando confrontados com elas é que se seria capaz de entender a magnitude dos actos de vingança de Geum-Ja.
Nesta obra, assistimos ao discreto regresso de alguns de alguns actores dos dois filmes anteriores (Song Kang-Ho, Choi Min-sik e Sin Ha-gyoon), em pequenos papéis secundários, ficando a sensação de continuidade e de fecho de um ciclo com �Sympathy for Lady Vengeance�.
Após a estreia estrondosa nos cinemas deste filme, Park Chan-Wook, editou uma nova versão que apenas foi exibida em alguns cinemas da Coreia do Sul, Lady Vengeance – Fade to black and white version. Tal como o nome indica, o filme começa em full technicolor e de forma gradual vai “perdendo” as cores, chegando ao final completamente a preto e branco.
Joana Neto Lima

2 comentários:
Ainda só tive oportunidade de ver o "Oldboy" que é um filme poderosíssimo, mas certamente que em breve verei os outros dois pois parecem igualmente surpreendentes.
Grandes filmes,de um realizador genial quase desconhecido por terras lusas! :(
Mas ainda bem que existe a globalização e podemos chegar até à Coreia do Sul com toda a facilidade... (^-^)v
Cheers
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