9.10.10

Crítica: Incarceron




Autora: Catherine Fisher
Editora: Hodder Children's Books (2007)







Imagina uma prisão tão vasta que contém celas e corredores, florestas, cidades e mares. Imagina um prisioneiro sem memória, com a certeza que veio do Exterior - apesar da prisão ter sido selada há séculos e apenas um homem conseguiu escapar.

Imagina uma rapariga numa mansão, numa sociedade em que a passagem do tempo é proibida, presa num mundo do século XVII governado por computadores, condenada a um casamento arranjado, enredada numa conspiração de homicídio que deseja e receia.

Um dentro, outro fora. Mas os dois prisioneiros...imagina Incarceron.

Apesar de ser classificado como um livro para crianças e claramente poder ser colocado no mesmo patamar e nível dos primeiros livros de J. K. Rowling, Incarceron é uma pequena caixinha de surpresas, recheada de pormenores deliciosos e todo um mundo, original e interessante.

Incarceron desperta uma série de questões e dúvidas, numa viagem atribulada pelas vidas dos nossos protagonistas : o que é uma prisão? Será necessário existir quatro paredes a separar-nos do resto do mundo, ou bastam os limites que nos são impostos e nos limitam enquanto criaturas pensantes?

Catherine Fisher e a sua imaginação prodigiosa, conseguem de uma forma brilhante, levar-nos numa viagem pelas sombras e celas de Incarceron e pelos Salões da Cidade de Vidro, acompanhando a luta de Finn, Claudia e dos seus companheiros. A sua escrita fluida e expressiva, consegue transmitir ao leitor o medo paralisante do escuro e dos silêncios prolongados, transformando a viagem por entre as capas de Incarceron, uma experiência memorável e marcante.

O esforço da autora é visível no detalhe dos cenários que descreve vividamente – a húmidade, o musgo e o escuro sufocante que encerra sempre perigos –, e nas tramas que tece. O nível de aprofundamento das conspirações e pormenores mais desagradáveis, é claramente menor, e sabe a pouco, pois é um livro para um público mais jovem. Mas aqui está um dos pontos interessantes de Incarceron: apesar de ser vocacionado para um leitor jovem e menos experimentado, o seu enredo e personagens apela ao mesmo tempo ao público mais adulto.

Outro ponto a salientar em Incarceron, além de toda a organização da prisão, é o Protocolo. Uma rígida lei imposta por um rei tirano, que proíbe todo e qualquer sinal da passagem do tempo, preservando toda a sociedade no século XVII, reservando as inovações tecnológicas para os mais abastados ou para os Sapienti – uma casta de sábios, a quem quase todas as excentricidades são permitidas.

Um livro recomendado para todos os que adoraram Harry Potter e gostam de uma boa história, com um enredo interessante e cenários sempre prontos a surpreender-nos...

Será que algum dia poderemos ver Incarceron traduzido em português? – Joana Neto Lima

2 comentários:

Elphaba J. disse...

Espero que sim, a tua opinião deixou-me muito curiosa.

Janita disse...

Ainda bem que gostaste! O livro é fantástico e esta é uma autora a seguir... :)

Espero ter a oportunidade de divulgar mais do trabalho de Catherine Fisher.