
Título original: Tender Morsels
Autora: Margo Lanagan
Tradução: Maria Dulce Guimarães da Costa
Editora: Guerra & Paz (2010)
Há cada vez mais editoras a apostar no género fantástico. Enquanto algumas já consolidaram a sua posição no mercado, outras dão os primeiros passos. A Guerra & Paz é uma delas, oferecendo-nos agora As raparigas que sonhavam ursos, um livro da australiana Margo Lanagan que venceu o World Fantasy Award 2009. Publicou também O Feitiço das Trevas, da escritora portuguesa A. P. Cabral (ler crítica).
Contado sob a perspectiva de várias personagens diferentes – masculinas e femininas –, a história centra-se em Liga, uma jovem com um passado de crueldade e desgraça, e as suas duas filhas, Urdda e Branza. Graças a um feitiço, Liga e as filhas vivem harmoniosamente num mundo afastado da violência da realidade, onde os ursos e os lobos desempenham um papel muito importante. Mas a barreira que separa o seu refúgio e o mundo real vai cedendo aos poucos.
Apesar de muito bem escrito (e com um excelente trabalho de tradução de Maria Dulce Guimarães da Costa), as descrições da autora são algo complexas e até confusas. Em determinados momentos, é difícil de conseguir imaginar os locais ou as situações, tornando a leitura algo frustrante. Porém, a sua complexidade é facilmente compreensível dada a grande componente surrealista.
É difícil distinguir a realidade do mito. O consciente do inconsciente. O leitor acaba por partilhar do mesmo deslumbramento e desilusões das personagens, acompanhando a sua viagem pelos meandros do sonho.
O ponto mais forte da escrita de Margo Lanagan está mesmo aí, nos elementos surreais que não surgem sem uma razão concreta e que cativam o leitor pela sua solidez. Aliado a este ponto, há todo um ambiente típico dos contos de fadas, mas adaptado a adultos. Para além da inclusão de elementos tão maravilhosos como ursos, lobos, caçadores, bruxas e magia, a crueldade e a violência pura e crua, andam de mãos dadas com a beleza e o amor fraternal.
As personagens são bastante fortes, não porque concentram em si características e virtudes típicas dos heróis, mas porque estão cheias de defeitos. Tal como qualquer um de nós. Esta contradição só faz sentido pela forma como elas lidam com o sofrimento, a esperança, a desilusão. É de um realismo mágico tão intenso que os leitores mais sonhadores vão identificar-se imediatamente com as variadas e peculiares personagens.
Ainda que seja um pouco sobrevalorizado pela crítica internacional, é uma história muito original, emotiva e, paradoxalmente a toda a magia inerente, real. É uma boa sugestão para quem procura algo diferente e intenso dentro do género fantástico.
Uma boa aposta da Guerra & Paz. – Fábio Ventura
Contado sob a perspectiva de várias personagens diferentes – masculinas e femininas –, a história centra-se em Liga, uma jovem com um passado de crueldade e desgraça, e as suas duas filhas, Urdda e Branza. Graças a um feitiço, Liga e as filhas vivem harmoniosamente num mundo afastado da violência da realidade, onde os ursos e os lobos desempenham um papel muito importante. Mas a barreira que separa o seu refúgio e o mundo real vai cedendo aos poucos.
Apesar de muito bem escrito (e com um excelente trabalho de tradução de Maria Dulce Guimarães da Costa), as descrições da autora são algo complexas e até confusas. Em determinados momentos, é difícil de conseguir imaginar os locais ou as situações, tornando a leitura algo frustrante. Porém, a sua complexidade é facilmente compreensível dada a grande componente surrealista.
É difícil distinguir a realidade do mito. O consciente do inconsciente. O leitor acaba por partilhar do mesmo deslumbramento e desilusões das personagens, acompanhando a sua viagem pelos meandros do sonho.
O ponto mais forte da escrita de Margo Lanagan está mesmo aí, nos elementos surreais que não surgem sem uma razão concreta e que cativam o leitor pela sua solidez. Aliado a este ponto, há todo um ambiente típico dos contos de fadas, mas adaptado a adultos. Para além da inclusão de elementos tão maravilhosos como ursos, lobos, caçadores, bruxas e magia, a crueldade e a violência pura e crua, andam de mãos dadas com a beleza e o amor fraternal.
As personagens são bastante fortes, não porque concentram em si características e virtudes típicas dos heróis, mas porque estão cheias de defeitos. Tal como qualquer um de nós. Esta contradição só faz sentido pela forma como elas lidam com o sofrimento, a esperança, a desilusão. É de um realismo mágico tão intenso que os leitores mais sonhadores vão identificar-se imediatamente com as variadas e peculiares personagens.
Ainda que seja um pouco sobrevalorizado pela crítica internacional, é uma história muito original, emotiva e, paradoxalmente a toda a magia inerente, real. É uma boa sugestão para quem procura algo diferente e intenso dentro do género fantástico.
Uma boa aposta da Guerra & Paz. – Fábio Ventura
1 comentários:
Estou agora a começar a ler este livro e confesso não sou nada um boa leitora ou o livro me cativa logo ou não sou capaz de o ler, se for demoro meses até conseguir chegar a um ponto que não consiga mais parar de ler. Neste livro aconteceu-me algo um pouco diferente, só consegui ler o primeiro capitulo ainda, também comecei ontem à noite, mas é tão forte a descrição que tive de parar de ler. Mas ficai com vontade de ler mais, especialmente depois desta critica ainda me cativou mais o interesse, tenho mesmo muita curiosidade de chegar mais ao meio que já percebi que me vai prender até as tantas da madrugada. Espero mesmo gostar...
Enviar um comentário