
Terminou uma das séries televisivas mais emblemáticas da década. Lost (Perdidos) foi também uma das séries norte-americanas que mais tinta fez correr e que mais fãs angariou por todo o mundo, tornando-se num importante marco da cultura pop.
Quem conhece a série e foi corajoso o suficiente para seguir as suas seis temporadas, está familiarizado com a complexidade da narrativa e dos elementos mitológicos e filosóficos. Durante seis anos foram muitas as personagens que passaram por esta série e muitos os mistérios que se sobrepunham a outros mistérios, muitas vezes sem solução. Um dos segredos de Lost residia mesmo aí, na ansiedade causada no telespectador que, ao deparar-se com os finais chocantes de cada episódio ou temporada, desesperavam por saber mais sobre a história.
Porém, a ausência de respostas e inúmeros altos e baixos do enredo provocaram uma queda acentuada das audiências e dos seus seguidores. Na primeira temporada, Lost contava com uma média de 18 milhões de espectadores nos Estados Unidos e nesta sexta com apenas 10 milhões, provavelmente os mais acérrimos e fiéis fãs da série.
Muita foi a especulação em torno da resolução dos destinos das personagens e dos mistérios da ilha mais famosa do mundo do entretenimento. E este último episódio, de duas horas e meia de duração, foi aguardado com alguma expectativa, mas também relutância.
Até aqui, muita coisa estava por explicar e a maior parte dos telespectadores tinha algumas dúvidas em relação à capacidade de Damon Lindelof e Carlton Cuse, os argumentistas, para criar um final coerente e satisfatório que compensasse todos os fãs. No entanto, o final não podia ter sido mais emocionante e até memorável. É certo que os criadores de Lost optaram por deixar muitas questões em aberto. Mas os últimos momentos provaram que, afinal, isso não era o mais importante da série.
Este final foi bastante mais emocional e dramático ao focar-se principalmente nas personagens, seus destinos e resoluções. Na série, o drama sobrepôs-se à ficção científica e ao sobrenatural. E afinal, não é isso que Lost sempre foi? Uma série sobre dramas humanos e sobre redenção, que tinha como pano de fundo uma ilha misteriosa com uma poderosa mitologia. E essa ilha, no fim de tudo, continuou sem uma explicação concreta, para que o espectador guardasse para si alguma da imaginação e especulação que a série sempre exigiu.
Para mim, Lost foi a série mais bem construída, emocionante e marcante da televisão. Foi um importante contributo para a ficção televisiva, trazendo até ela uma qualidade até então reservada ao cinema. Quer se goste ou não, com uma banda sonora colossal, actuações brilhantes e um enredo bastante complexo, ficará para a história como a série mais tocante, conspirativa e comentada deste início de milénio.
Para quem viveu a vida de Jack, Kate, Locke, Sawyer e todos os outros durante seis anos, é praticamente impossível conter algumas lágrimas com um final comovente como este, mas que ao mesmo tempo comporta uma bonita mensagem. Mesmo tocando um pouco na religião e filosofia, surpreendeu bastante.
Lost vai deixar um grande vazio na televisão e junto dos espectadores. Mas, aproveitando um dos últimos diálogos desta fantástica série, “it’s not about leaving. It’s about moving on”… - Fábio Ventura
Quem conhece a série e foi corajoso o suficiente para seguir as suas seis temporadas, está familiarizado com a complexidade da narrativa e dos elementos mitológicos e filosóficos. Durante seis anos foram muitas as personagens que passaram por esta série e muitos os mistérios que se sobrepunham a outros mistérios, muitas vezes sem solução. Um dos segredos de Lost residia mesmo aí, na ansiedade causada no telespectador que, ao deparar-se com os finais chocantes de cada episódio ou temporada, desesperavam por saber mais sobre a história.
Porém, a ausência de respostas e inúmeros altos e baixos do enredo provocaram uma queda acentuada das audiências e dos seus seguidores. Na primeira temporada, Lost contava com uma média de 18 milhões de espectadores nos Estados Unidos e nesta sexta com apenas 10 milhões, provavelmente os mais acérrimos e fiéis fãs da série.
Muita foi a especulação em torno da resolução dos destinos das personagens e dos mistérios da ilha mais famosa do mundo do entretenimento. E este último episódio, de duas horas e meia de duração, foi aguardado com alguma expectativa, mas também relutância.
Até aqui, muita coisa estava por explicar e a maior parte dos telespectadores tinha algumas dúvidas em relação à capacidade de Damon Lindelof e Carlton Cuse, os argumentistas, para criar um final coerente e satisfatório que compensasse todos os fãs. No entanto, o final não podia ter sido mais emocionante e até memorável. É certo que os criadores de Lost optaram por deixar muitas questões em aberto. Mas os últimos momentos provaram que, afinal, isso não era o mais importante da série.
Este final foi bastante mais emocional e dramático ao focar-se principalmente nas personagens, seus destinos e resoluções. Na série, o drama sobrepôs-se à ficção científica e ao sobrenatural. E afinal, não é isso que Lost sempre foi? Uma série sobre dramas humanos e sobre redenção, que tinha como pano de fundo uma ilha misteriosa com uma poderosa mitologia. E essa ilha, no fim de tudo, continuou sem uma explicação concreta, para que o espectador guardasse para si alguma da imaginação e especulação que a série sempre exigiu.
Para mim, Lost foi a série mais bem construída, emocionante e marcante da televisão. Foi um importante contributo para a ficção televisiva, trazendo até ela uma qualidade até então reservada ao cinema. Quer se goste ou não, com uma banda sonora colossal, actuações brilhantes e um enredo bastante complexo, ficará para a história como a série mais tocante, conspirativa e comentada deste início de milénio.
Para quem viveu a vida de Jack, Kate, Locke, Sawyer e todos os outros durante seis anos, é praticamente impossível conter algumas lágrimas com um final comovente como este, mas que ao mesmo tempo comporta uma bonita mensagem. Mesmo tocando um pouco na religião e filosofia, surpreendeu bastante.
Lost vai deixar um grande vazio na televisão e junto dos espectadores. Mas, aproveitando um dos últimos diálogos desta fantástica série, “it’s not about leaving. It’s about moving on”… - Fábio Ventura
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