4.5.10

Crítica: As Incríveis Aventura de Dog Mendonça e Pizzaboy




Argumento: Filipe Melo, Pablo Parés
Desenhos: Juan Cavia
Cor: Santiago Villa

Editora: Tinta da China (2010)




“Era uma vez um entregador de pizzas que vê a sua moto ser roubada por um grupo de gárgulas. Depois de unir esforços com um detective do sobrenatural e um demónio fechado no corpo de uma menina, a sua demanda torna-se uma missão: salvar o mundo de um tenebroso quarto Reich. E, já agora, conquistar uma rapariga.”

A bonita cidade de Lisboa volta a ser palco de mais uma aventura explosiva. Acostumada a ser retratada a cidade das luzes, Juan Cavia e Santiago Villa pintam Lisboa antes de tons muito negros e diga-se, muito mais apropriada à história que Filipe Melo e Pablo Parés pretendem contar.

A aventura não só está muito bem contada, como também está carregada de um humor negro terrivelmente delicioso. Os clichés, e são bastantes, estão lá colocados propositadamente. Afinal, a grande influência vem dos muitos filmes de aventuras que Filipe Melo viu.

“Durante toda a minha vida fui influenciado por histórias maravilhosas de aventuras – este livro é um tributo honesto aos criadores dessas histórias e o resultado de um esforço imenso que tem um só objectivo: impulsionar novas histórias.”

Missão cumprida.

Se Roberto (Pizzaboy) é o típico herói acidental, a lembrar o jovem Peter Parker (Homem-Aranha), Dog Mendonça assume o estereótipo do detective duro, violento e quase sempre com cara de poucos amigos… Inclusive, inspirada na do actor Nicolau Breyner. Já a menina…

É deste trio improvável que parece depender o mundo…

E a pensar que As Incríveis Aventura de Dog Mendonça e Pizzaboy, esteve inicialmente para ser um filme. Infelizmente, ou talvez não, era um projecto demasiado ambicioso para um país como o nosso. Contudo, não era o fim.

“Não há dinheiro que pague a persistência de Filipe Melo,” – diz Ana Markle, “e é essa contagiante qualidade que lhe permitiu fazer feitos extraordinários como a produção de um filme de zombies [I´ll See You In My Dreams] em Portugal.”

Bendita teimosia do jovem músico de jazz. Assim, por sugestão de Paula Diogo, produtora da Pato Profissional, o “filme” foi convertido em banda desenhada. E diga-se, uma das BDs mais loucas e divertidas lançadas no nosso país. E com todo o mérito para rivalizar com os melhores comics norte-americanos.

“A minha missão está cumprida,” – escreveu John Landis no prefácio. “Li a versão completa de Dog Mendonça e Pizzaboy e declaro que é muito bom. […] A única pergunta é… quanto temos que esperar até que chegue a próxima?

Não muito tempo. A sequela já está a ser trabalhada e espera-se que venha a ser lançada já no próximo ano – a presente BD levou cinco anos a ser concluída. Chama-se Dog Mendonça e Pizzaboy – Apocalipse.

“Como a primeira história foi inicialmente pensada para cinema,” – disse Filipe Melo, “fomos relativamente modestos em relação ao que seria possível fazer. Mas na próxima aventura não haverá limites para a imaginação.”

Até lá, resta-nos esperar.

Mas antes de terminarmos, importa referir também o excelente trabalho, o making of no final da novela gráfica, escrito por Ana Markle, e a quem “pedimos” emprestadas as várias citações aqui usadas.

Ana Markl partilha connosco toda a história deste álbum de BD, desde a sua concepção – quando era ainda uma ideia para um filme à novela gráfica que temos em mãos.

E voltando a repetir, As Incríveis Aventura de Dog Mendonça e Pizzaboy é “uma das BDs mais loucas e divertidas lançadas no nosso país.” – Rui Baptista

3 comentários:

Loot disse...

Eu adorei, diverti-me imenso a ler e fez-me recordar as atmosferas ddos clássicos de aventuras em que o Filipe se inspirou.

Rui Baptista disse...

Eu gostei imenso e estou louco para ler o próximo :)

Francisco Norega disse...

Foi com enorme agrado que lia crítica que escreveste ;) Achei esta obra um trabalho formidável, digno de ser lido por todos os fãs de fantástico! Uma prova de que cá também se fazem grandes coisas!

Abraço.