27.4.10

Crítica: Midnighters – No Limiar das Trevas




Título original: Touching Darkness (2005)

Autor: Scott Westerfeld
Tradução: Teresa Gouveia
Editora: Vogais & Companhia (2010)




No Limiar das Trevas é o segundo volume da trilogia de fantasia urbana de Scott Westerfeld, Midnighters. Passadas cerca de duas semanas depois dos acontecimentos de A Hora Secreta (ler crítica), os cinco midnighters continuam a sua demanda para descobrir todos os segredos por detrás da misteriosa hora azul, especialmente depois da descoberta do poder especial de Jessica. Mas a complexidade e as conspirações em torno da 25ª hora, darklings e a própria História de Bixby adquirem uma dimensão muito maior que poderá colocar os midnighters em perigo de vida.

Se no primeiro volume havia uma preocupação em apresentar os cinco protagonistas e toda a complexidade da história, neste livro o autor eleva a fasquia e surpreende bastante o leitor. No Limiar das Trevas não se limita a igualar a qualidade do primeiro livro, mas torna-se claramente bastante mais envolvente e viciante que o seu antecessor, pelo aprofundar da história e personagens.

Um dos aspectos mais forte continua a ser, sem dúvida, as personagens. Cada uma das cinco personagens principais é bastante peculiar e cativante à sua maneira. No Limiar das Trevas, estão muito mais desenvolvidas, sendo que o autor desvenda mais dos seus passados, aspirações e sentimentos. Além disso, com capítulos dedicados a cada um dos midnighters, é bastante interessante ver as dinâmicas das relações entre eles. Por vezes são tão complexas que o leitor se esquece que se tratam de adolescentes.

Outro dos aspectos a destacar, é o ritmo da história que é enriquecido por excelentes momentos de suspense. Com o adensar dos mistérios em torno da hora secreta e conspiração que envolve novas personagens, quase que somos obrigados a devorar cada capítulo para saber que surpresas Westerfeld nos reservou. E durante esses capítulos o autor aproveita para apostar na originalidade que caracteriza esta trilogia, associando, por exemplo, a Matemática e o metal ao sobrenatural.

No Limiar das Trevas é uma continuação exemplar que consegue a proeza de suplantar o volume anterior a nível do desenvolvimento da história e personagens. E adivinha-se que o terceiro e último volume feche a história de Midnighters com chave de ouro.

Com uma história original e um talento natural para prender o leitor, Scott Westerfeld continua a provar que é um mestre da fantasia urbana. Segue-se O Meio-Dia Azul e eu estou a contar os dias para que possa lê-lo! – Fábio Ventura

Do mesmo autor:

A Hora Secreta (Cláudia Sérgio)
A Hora Secreta (Fábio Ventura)

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