A produção começou em Outubro e podemos já assistir a um pequeno teaser (mas sem legendas). A produção é alemã, assim como o realizador, Dennis Gansel.
Wir sind die Nacht, título original, gira em torno de uma mulher que é transformada em vampiro. E embora de início aprecie a sua nova condição e os seus poderes, acaba por se cansar dos mesmos, levando-a a afastar-se dos outros (vampiros) e a procurar uma vida mais calma. Infelizmente as coisas não são tão simples como desejamos… – Rui Baptista
O género fantástico tem recebido cada vez mais atenção por parte do público, não só na literatura, mas também no cinema, banda desenhada e concept art. No entanto, ainda existe uma grande lacuna de autores portugueses dentro deste género. Nesse sentido, Rogério Ribeiro, que já nos habituou com iniciativas como o Forúm Fantástico, aproveitou uma pausa neste evento para organizar o Conversas Imaginárias, que teve lugar na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras nos dias 21 e 28. A ideia base era promover o Fantástico e a Ficção Científica em Portugal, criando uma relação entre autores e entre autores e o público.
O BLID esteve presente no evento, na minha pessoa e no Francisco Vidal. Fui um dos convidados do evento, no sentido de promover o meu livro Orbias-As Guerreiras da Deusa. Por isso, sabendo que a abordagem nunca poderia ser imparcial o suficiente, decidi relatar-vos a minha experiência no evento. Infelizmente não pude estar presente no primeiro dia Conversas Imaginárias no dia 21 e dedicado ao cinema e concept art. Mas podem saber como foi através do blog oficial.
No dia 28, Sábado passado, o programa era maior. O auditório da Biblioteca foi enchendo aos poucos e o público mostrou-se sempre interessado e dinâmico durante toda a tarde. O evento começou com a presença de Pedro Ventura (saga Gwar) e Rafael Loureiro (Memórias de um Vampiro) (infelizmente, Paulo Fonseca não esteve presente) que falaram das suas experiências e obstáculos enquanto autores independentes e a sua relação com as chamas “pseudoeditoras”. O público interveio bastante e gerou-se um debate interessante sobre o papel do autor e das editoras no mercado literário.
De seguida, João Barreiros e Cristina Alves (Nuno Fonseca também não esteve presente) sugeriram algumas grandes obras ao público. Foi excelente a decisão de sugerirem obras internacionais de fantasia e ficção científica que à partida não serão publicadas em Portugal. Todas elas auspiciavam grande potencial e interesse.
Da literatura para a banda-desenhada, foi a vez de Ricardo Venâncio, Rui Ramos (Voyager), David Soares (Mucha) e Filipe Melo (As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy!) falarem dos seus novos projectos numa mesa moderada por João Lameiras. Devo dizer que para mim o ponto alto do dia foi a intervenção de Filipe Melo que, mesmo exausto com tanto trabalho, conseguiu deixar-me extremamente interessado num projecto de banda-desenhada muito original e com potencial.
Finalmente, foi a vez da minha mesa, dedicada às novas aventuras do Fantástico em Portugal. Os meus colegas de mesa, moderada pelo próprio Rogério Ribeiro, foram Bruno Martins (Alex 9), Ana Vicente Ferreira (Sangue de Dragão) e Telmo Marçal (As Atribulações de Jacques Bonhomme). Falámos do nosso processo de escrita e publicação das primeiras obras, inspirações, relação com as editoras, numa conversa descontraída e em interacção com o público.
Resta-me dizer que gostei imenso de ter feito parte do Conversas Imaginárias. Além de bem organizado, era um evento com um objectivo muito claro e creio que foi bem sucedido. O melhor que vou levar desta experiência e passagem por Lisboa é o facto de ter conhecido pessoas fantásticas e muito especiais. Falo de três pessoas muito simpáticas (das minhas lides no Twitter) e do meu colega do BLID e agora amigo Francisco Vidal. Um obrigado especial ao Rogério Ribeiro, pela simpatia e pela luta constante pelo Fantástico no nosso país. – Fábio Ventura
Enquanto falava com os fãs em Toronto, a propósito do seu mais recente romance, Under the Dome, Stephen King revelou que começou a trabalhar numa possível ideia para a continuação do seu romance The Shining (1977).
No entanto, o escritor não deu para já qualquer garantia de que vai mesmo escrever a continuação. Por enquanto não passa de uma ideia que teve no verão passado.
Em Doctor Sleep, título possível, Danny, agora com 40 anos de idade, encontra-se a trabalhar num hospício. Aqui, enquanto tenta tornar a morte mais suportável aos doentes terminais, tem que lidar também com o trauma sofrido (no romance anterior).
Entretanto, no siteoficial do escritor, King revelou que também tem uma ideia para um novo livro na série Dark Tower (inédita entre nós).
E igualmente aqui, não passa de uma ideia. O oitavo romance, ainda não começou a ser escrito e para que tal aconteça, só aqui por oito meses é que estará em condições de o fazer. – Rui Baptista
Nunca se ouviu falar tanto de vampiros como nesta altura. A grande culpada é Stephenie Meyer e a sua saga Twilight. Depois do grande fenómeno dos quatro livros e do primeiro filme, a Summit Entertainment volta à carga com a sua continuação.
Entre várias antestreias, Lua Nova estreou hoje em Portugal e avizinha-se uma explosão de vendas de bilhetes para compensar o marketing intensivo que tem sido feito há meses. Mas será que este novo filme cumpre a sua missão?
Lua Nova continua onde o primeiro filme, Crepúsculo (ler crítica), nos deixou. Bella namora com Edward num dos momentos mais felizes da sua vida. Mas um incidente em casa do sexy vampiro vai colocar em causa a segurança da humanamente frágil Bella e ele desaparece da sua vida para a proteger do perigo que constitui enquanto vampiro. Numa espiral depressiva e descendente, ela tem dificuldade em lidar com a perda do seu amor e encontra em Jacob um ombro amigo que se revela mais do que um simples humano.
A adaptação do livro está muito bem-feita, talvez até demais. A acção do livro decorre muito mais lentamente que no antecessor e durante duas horas o filme transmite isso mesmo, uma história mais introspectiva, mais dramática, polvilhada com poucos momentos de acção.
Esteticamente o filme é um exemplo a seguir. Chris Weitz aproveitou a utilização de filtros que Catherine Hardwicke experimentou no primeiro filme, mas garantindo uma cor mais amarelada e queimada e que contrasta com os brilhos intensos do céu. Há alguns bons momentos de efeitos especiais, como a passagem dos meses na depressão de Bella ou quando ela se atira do penhasco.
O trabalho de actores está mais fraco neste novo filme do que no anterior. Omnipresente em quase todas as cenas, Kristen Stewart está menos expressiva, até meio perdida. A química entre os protagonistas parece ter desaparecido, mesmo com o esforço de Robert Pattinson. E é bastante redutor ver um desfile com tantos actores que não passam de meros figurantes na história. Destaque pelo papel de Michael Sheen e Dakota Fanning que conseguem brilhar nos poucos minutos que aparecem.
Um dos aspectos mais negativos do filme é o desaproveitamento da banda sonora. Com o seu OST lançado meses antes do filme e com uma excelente qualidade de temas de bandas indie, quase não damos pelas músicas que são usadas em poucos segundos e a maior parte na primeira meia hora do filme.
O início e o final do filme estão construídos como se fossem uma série de televisão. Lua Nova começa tão abruptamente e tão levianamente que parece o capítulo dois de uma série semanal. E passadas duas horas de filme e alguns bocejos largados, o filme acaba muito repentinamente, sem emoção ou sinal de apoteose fílmica.
Apesar de ser um acérrimo fã dos quatro livros e do primeiro filme, devo dizer que fiquei bastante desapontado com Lua Nova. E digo-o mesmo após uma análise imparcial. Parece que falta o factor “UAU”, o encantamento que estava presente no primeiro filme da saga e que me conquistou.
Este filme está bem mais comercial, resultado do orçamento muito maior que recebeu e pela mudança para um realizador que, com algum receio, tentou repetir o sucesso do anterior. Por isso mesmo, perdeu-se aquele experimentalismo cinematográfico que até está presente em Crepúsculo.
As gravações de Eclipse, o terceiro capítulo, já terminaram e com um realizador diferente. A minha fé nos filmes da saga, apesar de toda a polémica, buzz e histerismo, mantém-se. Mas Lua Nova desiludiu e não convenceu. – Fábio Ventura
Finalmente, passado um ano de espera chega-nos New Moon, a adaptação do segundo volume da saga Twilight de Stephenie Meyer. E de facto valeu a pena esperar!
O filme começa exactamente onde o primeiro terminou, com Bella Swan (Kristen Stewart) a viver o seu dia-a-dia de adolescente com o seu namorado vampiro, Edward Cullen (Robert Pattinson). Mas quando a vida da rapariga fica em risco devido a um quase sem importância acidente na casa dos Cullens na noite do seu aniversário, Edward decide que o melhor será partir, para segurança de Bella. Deixando a rapariga num profundo estado de depressão que a faz afastar-se de todos e que só irá ser atenuado com a aproximação de Jacob Black (Taylor Lautner), o simpático e dócil rapaz da tribo Quileute. Mas Jacob também esconde o seu próprio e monstruoso segredo, o que vai deixar Bella mais uma vez envolvida no meio de lendas perigosas nas quais nunca pensou vir a acreditar…
Antes de mais, convém dizer que New Moon é a continuação perfeita de Twilight. O ambiente é muito idêntico ao da primeira adaptação (principalmente na primeira meia hora), estão lá as mesmas personagens, o mesmo romantismo e o mesmo género de diálogos. Mas a partir de uma certa altura, ou melhor, quando Edward e a sua família deixam Forks o filme ganha um novo ânimo e um novo protagonista masculino.
Na minha opinião o filme cumpre as expectativas. Tem mais acção que o primeiro e os efeitos especiais estão em maior número e melhores. Os lobos estão extraordinários e os Volturi cumprem o seu papel na perfeição, dando ao filme uma aura de mistério e terror. Taylor Lautner também está de parabéns pois consegue preencher o vazio que Robert Pattinson provoca no ecrã (as maiores e mais sentidas reacções do público na sala de cinema foram quando o actor que interpreta Jacob aparecia em tronco nu). E pensar que foi ponderada a decisão de Taylor não fazer parte deste filme devido às dúvidas da equipa do filme se ele tinha ou não estofo para a personagem…
Como fã claro que gostaria de ter visto certas cenas e diálogos que foram cortados ou mesmo algumas das cenas mais desenvolvidas. Mas compreendo que não possam tornar o filme demasiado maçudo ou longo, principalmente para o público que não é fã dos livros e apenas procura um filme para se entreter. No entanto, nós fãs ficamos sempre um pouco insatisfeitos, mesmo saindo da sala de cinema a adorar o filme, como foi o meu caso.
Existem várias cenas e pormenores que diferem do livro de Stephenie Meyer, de forma a tornarem a história mais cinematográfica, como por exemplo o facto de Bella ver Edward quando está em perigo ao contrário do livro em que apenas o ouvia. No entanto acho que New Moon só ficou a ganhar com essas pequenas mudanças, o que também não deixa de ser uma surpresa para nós fãs, que mesmo já tendo lido a obra por diversas vezes somos sempre surpreendidos.
Em relação a Jacob e Bella talvez a argumentista se tenha excedido um pouco, dando uma ideia errado às pessoas que apenas viram os filmes. No livro não existe tanto romance entre os dois (mas também é por isso que isto se chama adaptação, nem tudo tem que ser igualzinho aos livros!). Na minha opinião faz sentido Bella se aproximar tanto de Jacob, ao ponto de considerá-lo para seu namorado, afinal Edward abandonou-a, não dando qualquer notícia. Mas por um lado esta aproximação é também um prenúncio para os acontecimentos de Eclipse.
Resumindo, New Moon é uma espécie de Twilight só que com um upgrade de acção e de protagonista. Nota máxima ainda para a banda sonora que com nomes como Thom Yorque ou Muse consegue dar a perfeita sonoridade e ambiente às mais diversas cenas, personagens e aos seus conflitos.
Continuo a achar que o elenco do filme está excelente e que a autora nunca poderia ter pedido por actores que desempenhassem tão bem as suas personagens. A todos os fãs da saga Twilight (um número cada vez maior!), resta-nos esperar alguns meses até à chegada do Verão de 2010 e à continuação da história com Eclipse. – Diogo Martins
Três escritores nacionais da área do fantástico, aceitaram o desafio da editora escrit’orio para escreverem “estórias fantásticas com brinquedos (com um pendor minimamente negro, mas não de terror)”.
João Barreiros (No Coração da Luz) contribuiu também com um conto, contudo não foi escrito com o intuito de participar na antologia. O seu conto foi já publicado na Internet.
“Quisemos explorar a carga emocional, fantástica e imagética que o objecto brinquedo transporta com ele, subvertendo um pouco as abordagens cândidas e bastante limitadas, que normalmente se fazem à temática,” contou-nos Miguel Neto, editor da escrit’orio.
Já David Soares, através do seu blog, Cadernos de Daath, diz que “Brinca Comigo! teve o condão de fazer com que os seus autores regressassem aos tempos de infância para se lembrarem dos primeiros sustos que apanharam. Nessa óptica, as fotos que acompanham as biografias dos quatro cavaleiros do apocalipse são imagens deles enquanto petizes...”
Brinca Comigo! é publicado pela escrit’orio, ex Edições Chimpanzé Intelectual (Contos de Terror do Homem Peixe). Inclusive a antiga editora empresta o seu nome à colecção do fantástico, Colecção Chimpanzé Intelectual.
A antologia chega esta semana às livrarias e tem o preço de 12.95 euros.
Mas a escrit’orio não pretende prender-se apenas no fantástico “embora lhe queira dar um forte destaque”, como explicou-nos Miguel Neto.
E Outros Belos Contos de Natal é a segunda aposta da editora. São 12 contos humorísticos de autores como Rui Zink, Manuel João Vieira, Nuno Markl, Luísa Costa Gomes, Filipe Homem Fonseca e Pedro Santo. O tema, naturalmente, é o Natal.
O site da escrit’orio, que estará online em breve, pode ser acedido aqui. – Rui Baptista
Autor: Arthur Machen Tradução: José Manuel Lopes, Susana Clara Editora: Saída de Emergência (2009)
No ensaio Supernatural Horror in Literature, Howard Phillips Lovecraft considera Arthur Machen (1863-1947) como um dos mestres modernos do horror. E na verdade Machen é também um dos escritores que o influenciou, “Porque é afinal em Machen que radica o que de melhor existe em Lovecraft: O ambiente tenso, suspenso, povoado de fenómenos estranhos e perigos ocultos que se vão adensando de forma imparável, inexplicável, inelutável apocalíptica”.
A citação é do prefácio que Manuel João Gomes escreveu para a edição da Vega em 1987.
22 anos depois, vemos uma nova edição de O Terror, mas agora pelas mãos da Saída de Emergência e com uma nova tradução. E como sempre, num trabalho de elevada qualidade.
A par com O Grande Deus Pã(ler crítica), O Terror é considerado como uma dos trabalhos mais importantes de Machen. No entanto será difícil corroborar tal afirmação, na medida em que todos o seu trabalho na área do fantástico reveste-se de igual importância.
"Neste conto, ambientado numa região isolada a Oeste de Gales, relatam-se acontecimentos bizarros e inexplicáveis, onde a natureza parece ganhar vontade própria e revoltar-se contra a humanidade. O poder contagiosos de forças obscuras cria um clima de tenção e leva à violência.”
A presente edição é ainda acompanhada pelos contos A Mão Vermelha e O Grande Retorno. No primeiro Machen escreve sobre um mistério em torno de um homem “pré-histórico”. No segundo, outro mistério, mas aqui não vamos revelar mais nada…
Num momento em que o mercado português é inundado com obras de literatura fantástica vocacionada para um público jovem adulto, a leitura de Machen poderá revelar-se um tanto mais difícil, pois trata-se de uma escrita mais complexa e num inglês mais antigo, ainda que, do início do século XX. Contudo, a persistência em ler Machen, poderá revelar-se amplamente gratificante ao permitir a descoberta de um grande escritor.
Seja como for, a actual tradução também dá uma ajuda na sua leitura “De facto, não é fácil traduzir Machen,” escreve José Manuel Lopes, um dos tradutores. “Nenhuma tradução poderá pretender que o resultado do seu trabalho possa vir a ser recepcionado tal como na época em que o original foi escrito. […] Não lemos, nem podemos pretender ler, como se lia na Inglaterra de finais de do século XIX. […] Assim, este Machen em português, o mesmo que aqui «transponho», insere-se inevitavelmente na sua época…”
É de louvar então o trabalho de tradução de José Manuel Lopes e Susana Clara, que traduziu os dois contos.
E um nota final para o grafismo. Se O Grande Deus Pã apresentava um rosa choque, que aprendemos a gostar, O Terror apresenta uma capa em tons mais soturnos. Está simplesmente fantástica. – Rui Baptista
“Considerado um génio, o precursor da fantasia moderna, e acreditado com a invenção do drama psicológico, da ficção científica e das histórias policiais, Edgar Allan Poe teve uma vida tão dramática e trágica como os seus próprios contos. A vida de Poe foi dominada por mulheres à beira da morte: a sua mãe morreu de tuberculose quando ele tinha apenas dois anos, a mãe adoptiva quando ele tinha vinte, e a esposa, Virginia, morreu igualmente da mesma doença que a sua mãe.”
“Poe foi um escritor extraordinário e, em Peter Ackroyd, terá encontrado o seu biógrafo ideal.”
Autor de biografias de escritores como Dickens, Shakespeare e Ezra Pound, entre outros, Ackroyd é também responsável por esta biografia que chega agora às livrarias portuguesas. O preço é de 18.85 euros.
Poe, Uma Vida Abreviada é publicado pela Camões & Companhia, a nova chancela da Saída de Emergência.
Segundo o editor António Vilaça, “A Camões & Companhia quer marcar um lugar pelo seu conteúdo intemporal, e trazer algo diferente aos leitores que se sintam prisioneiros de um mercado muito homogéneo. Obras que são boas hoje e serão boas amanhã. Recordar obras que foram boas há 50 ou 100 anos, e serão boas daqui 50 ou 100 anos. Ultrapassando todas as barreiras e preconceitos de géneros literários, o catálogo será construído com base na qualidade e intemporalidade de ambos: obra e autor.”
Embora em Portugal deva muito da sua fama à saga de fantasia épica As Crónicas de Gelo e Fogo, George R. R. Martin escreveu também outras obras noutros géneros literários. Uma dessas obras é Fevre Dream, um romance de “vampiros” que a Saída de Emergência vai publicar em 2010.
Fevre Dream foi publicado pela primeira vez em 1982. A história tem lugar no ano de 1857. Abner Marsh é o experiente capitão de um barco a vapor, a quem é oferecido o trabalho de conduzir um magnífico e novo barco a vapor: maior e mais rápido que qualquer outro até então construído.
Contudo, os passageiros do Fevre Dream, o novo barco, não são o tipo de pessoas que o capitão está habituado a transportar…
Além dos títulos referidos, Martin é autor de trabalhos como The Armageddon Rag, Windhaven e Dying of the Light. É também editor e colaborador da série Wild Cards. Todos inéditos em Portugal.
A terminar recomendamos a leitura de Fevre Dream... de sonho?, uma crítica da autoria de Gisela Monteiro. – Rui Baptista
“Max é um rapaz que está a crescer e a entrar num mundo que não consegue controlar. O pai foi-se embora; a mãe passa cada vez mais tempo com o namorado; e a irmã está a chegar à adolescência. Ele, por seu turno, refugia-se no interior do seu fato de lobo e entrega-se aos acessos de braveza de que é frequentemente acometido. Um dia, fugindo de uma discussão em casa, encontra um barco e, navegando nele, descobre uma ilha habitada por criaturas selvagens e monstruosas, de quem se tornará rei.”
Escrito por Dave Eggers, O sítio das coisas selvagens é uma adaptação é uma adaptação do livro infantil de Maurice Sendak com o mesmo título, Where the Wild Things Are. Por sua vez, o realizador Spike Jonze adaptou para o cinema a versão de Eggers.
O sítio das coisas selvagens é editado pela Quetzal e tem o preço de 19.95 euros. – Rui Baptista
A dar seguimento a As Crónicas dos Elfos I – Lliane, chega-nos As Crónicas dos Elfos II – A Elfo das Terras Negras.
Neste livro seguimos os acontecimentos que precedem a “guerra em pequena escala” que aconteceu no livro anterior. É-nos então descrita a viajem de Morvryn e Llandon através da floresta e até às cidades dos homens em busca de informação que lhes possa revelar o paradeiro da princesa desaparecida. Enquanto isso vamos também seguindo a história de Lliane, que foi capturada pelas tropas de Lug e feita prisioneira. Para sobreviver vai ter que se aliar e submeter aos seus inimigos. Pois como princesa tem, acima de tudo, o dever de permanecer viva. No entanto não é só ela que segue este caminho.
Outras personagens nossas conhecidas do livro anterior também o vão percorrer de modo a poderem ficar perto da princesa e protegê-la. Encontramos novamente Maheolas e ficamos a saber o que lhe aconteceu depois do seu desaparecimento. E as surpresas nesse campo, são imensas e bastante obscuras.
Não achei o livro tão apelativo como o primeiro, mas continua a ser bastante interessante, e bem mais encantador que a Trilogia dos Elfos. A escrita continua a ser fluída e as ideias interessantes. Talvez tenham sido os acontecimentos em si que não me suscitaram assim tanto interesse como os do primeiro livro. No entanto estou bastante curiosa para saber o desfecho da guerra que se mostra iminente.
A tradução está boa e a capa também tem um design bastante bom. Tal como no primeiro livro, a capa é apelativa e capta a atenção do leitor.
Ainda bem que a Europa-América decidiu continuar a apostar neste autor, pois sem dúvida que valeu a pena. Agora é aguardar pelo próximo livro para saber como a acção se vai continuar a desenvolver. – Joana Cardoso
Tudo começa em 2009 quando Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor), um cientista americano descobre na Índia que uma forte explosão no Sol irá provocar enormes catástrofes globais num futuro próximo. O cientista avisa o Presidente dos Estados Unidos e é iniciado uma mega operação secreta que inclui não só a construção de gigantescas arcas na China, para salvar a espécie humana e as várias espécies animais, mas também a recolha das maiores obras de arte alguma vez criadas, como a Mona Lisa de Leonardo Da Vinci. Tudo isto sem avisarem a população global que o fim do mundo está próximo…
Já em 2012 conhecemos Jackson Curtis (John Cusack) um escritor falhado e pai de família divorciado, que depois de um fim-de-semana de acampamento com os seus dois filhos descobre que algo não está certo e que o governo anda a esconder algo, quando conhece um radialista louco que lhe fala das previsões do Apocalipse previsto pelos Maias para Dezembro de 2012. Entretanto pequenos sismos começam a rachar o solo da costa dos Estados Unidos (local onde vive a ex-mulher de Jackson). A partir daí a destruição global começa a abater-se sobre todos os locais do mundo, não havendo tempo para avisar ninguém, nem sequer local para as pessoas se refugiarem…
O filme é espectacular, principalmente se for visto num grande ecrã de cinema (de preferência digital). Os efeitos especiais são soberbos e existem cenas capazes de nos fazer roer as unhas de ansiedade e que nos provocavam exclamações de espanto.
Acima de tudo é também um filme familiar e divertido, onde se prova que o amor e o sentido de união entre as pessoas são armas poderosíssimas. Apesar de ter quase três horas nem se dá pelo tempo passar, o filme não tem momentos mortos e cada minuto é aproveitado para conhecermos as personagens e as suas histórias e motivações (existem personagens divertidíssimas!).
No geral acho que o filme cumpre bem a sua premissa, um grande blockbuster com efeitos especiais de bradar aos céus e com um final que agrada a todos. Fiquei apenas com desejo de ver mais cenas de destruição em cidades fora da América (a cena do Cristo Redentor a desmoronar-se no Brasil é espectacular). Existe também aquele cliché já habitual neste tipo de filmes em que algumas das personagens vão morrendo aos poucos.
Nada que não me faça aconselhar este filme a todos os que queiram passar bons momentos de entretenimento.
Resta-nos esperar pelo ano de 2012 para vermos se as profecias dos Maias se vão de facto concretizar ou não… – Diogo Martins
Autor: Júlio Verne Tradução: Cascais Franco Ilustrações da Colecção de Emile Bayard e A. De Neuville Editora: Publicações Europa-América (2009)
Para comemorar os 40 anos da chegada do Homem à Lua, a Europa-América lançou uma nova edição comemorativa do clássico de Júlio Verne, À Volta da Lua. O escritor é considerado o pai da literatura de ficção científica pela sua visão extremamente visionária da tecnologia no futuro. Por isso, foi com grande agrado que soube da reedição do livro com o objectivo de continuar a perpetuar a obra do autor.
À Volta da Lua é a continuação de outra obra de Verne, Da Terra à Lua (é feito um resumo deste primeiro livro). Conta a história da viagem até à Lua do presidente de um grupo de artilharia, Barbicane, um artista, Michel Ardan, e um capitão, Nicholl, dentro de uma nave em forma de bala. O livro começa logo com a descolagem da bala, falando de todas as experiências dos tripulantes durante a viagem, suas divagações, sonhos e expectativas em torno da Lua.
O livro é de fácil leitura, mesmo tendo uma linguagem mais datada e clássica. É agradável ver as ilustrações da história durante todo o livro, tornando-o mais dinâmico. As personagens são bastante peculiares e é interessante ver as diferenças entre elas e as discussões que nascem a partir das suas constantes teorias (algumas bastante surreais) sobre a Lua. Há uma antecipação constante sobre o que irão encontrar na chegada à omnipresente Lua e muita tensão até que cheguem realmente lá e o autor consegue transmitir essa gradação de emoções. Todo o processo de dificuldades, impulsos e emoções fortes estão lá, tal como num filme actual de astronautas a viajar no espaço. É engraçado que durante todo o livro, só me lembrava do filme de 1902 de Georges Méliès, Le voyage dan la Lune, inspirado nesta obra e na anterior.
No entanto, há alguns aspectos que não me conquistaram, o que me custa dizer, pois é quase uma heresia quando me refiro a um escritor consagrado como Júlio Verne. As personagens não estão muito bem desenvolvidas e a história é demasiado centrada na Lua como objecto a atingir. Em adição, o autor perde muito tempo a descrever pormenores técnicos e científicos sobre a nave construída em forma de bala e todo o processo de viagem. Fazia sentido na geração dele, porque demonstra o quando ele era visionário, mas não funciona hoje em dia ler tantos parágrafos sobre isso e que acabam por quebrar a concentração na história.
No geral, À Volta da Lua é um bom livro, mas não é dos melhores do largo leque de obras-primas de Júlio Verne. Foi uma boa iniciativa da Europa América relançar o livro nesta altura, mas com cada vez mais obras do género no mercado, é cada vez mais difícil conquistar os leitores, especialmente os mais jovens. Não há dúvida que este livro é inconfundivelmente um exemplo da visão quase profética de Verne, mas peca pela falta de densidade da história e suas personagens. Ainda assim, foi o suficiente para me fazer sonhar um pouco sobre a Lua e o misticismo em torno dela. – Fábio Ventura
Autor: Dan Brown Tradução: Carlos Pereira, Ester Cortegano, Fernanda Oliveira, Marta Teixeira Pinto Editora: Bertrand Editora (2009)
Seis anos depois do estrondoso sucesso de O Código Da Vinci, Dan Brown regressa com mais uma aventura de Robert Langdon. Desta vez envolvido nos meandros da Maçonaria e nos segredos da cidade de Washington.
Primeiro que tudo tenho que dizer que Dan Brown não desilude! O livro é um blockbuster literário da primeira à última página, impossível de largar e sem dúvida dará um excelente filme, cheio de adrenalina e acção. Este quinto romance tem a mesma fórmula dos seus antecessores, com acção condensada em poucas horas, múltiplas e carismáticas personagens (o vilão é extraordinário!), capítulos curtos e fluidos e um twist final de arrepiar.
A inclusão da ciência noética (qualquer coisa como uma ciência capaz de estudar a vida para além da morte, o peso das almas, etc.) dá um toque muito interessante ao livro. Enquanto as pistas se vão seguindo e o puzzle se vai montando, não consegui evitar aquele friozinho na barriga de ansiedade, e poucos autores me conseguem transmitir essa sensação.
O trabalho de pesquisa deste autor é qualquer coisa e dei por mim a pesquisar na Internet vários pormenores e referências, com que Brown nos vai deliciando ao longo das páginas. E se Washington nunca foi uma cidade que me atraiu por aí além, depois de ler este livro fiquei com imensa vontade de conhecer o Capitólio e arredores.
Não posso dizer que tenha gostado tanto como o Código Da Vinci ou Anjos e Demónios (a primeira impressão é sempre a que fica!), ou talvez pela minha preferência pela história europeia e porque estes livros tratavam de segredos mais antigos e mais espectaculares do que o retratado em O Símbolo Perdido. No entanto está praticamente ao mesmo nível e com uma segunda leitura e o filme que está para vir talvez até mude de opinião.
Adorei as piscadelas de olho que o autor fazia às aventuras de Robert Langdon em Paris, referências a O Código Da Vinci que me deixaram algo nostálgico e com uma enorme vontade de rever a magia de um dos maiores best-sellers de sempre.
Não posso também de deixar de salientar que a tradução da Bertrand está excelente, tendo em consideração que eles publicaram um livro com apenas um mês de diferença da sua edição original.
Recomendo vivamente a todos os que gostaram dos livros anteriores do autor ou de qualquer um que aprecie um bom thriller inteligente e acima de tudo frenético. Da minha parte resta-me aguardar ansiosamente pelo próximo romance de Dan Brown (ele prometeu que não ia demorar outros seis anos!). É sem duvida um escritor que nos faz sonhar e passar bons momentos, ao mesmo tempo que aprendemos qualquer coisa enquanto devoramos os seus livros. – Diogo Martins
Não é uma trilogia no sentido em que há alguma continuação de filme para filme, no entanto vale a pena falar um pouco dos três ao mesmo.
Foram dirigidos por três realizadoras diferentes, o que é muito raro no cinema de terror. Quantas mulheres que realizaram um filme de terror conseguem identificar? E os argumentos foram também escritos por mulheres…
Quanto à história, histórias, não há muito a dizer. São três slashers em que o assassino diverte-se a estragar as festas das jovens raparigas. E para dar um efeito mais dramático ou original, como preferirem, os nossos assassinos usam uma enorme broca perfuradora… Desculpem, mas se uma broca anexada a uma guitarra eléctrica, como acontece no segundo filme, não é original, então é porque vi muito poucos slashers. – Rui Baptista
Autores: Kim Harrison; Lauren Myracle; Meg Cabot; Michele Jaffe; Stephenie Meyer Tradução: Sandra Esteves Editora: Betrand Editora (2009)
Como grande apreciador de contos de terror e fantástico (na minha opinião algumas das melhores e mais originais ideias deste género estão em pequenos contos e short-stories), foi com grande entusiasmo que parti para a leitura desta antologia, originalmente publicada em 2007.
Reunindo algumas das mais vendidas e conceituadas escritoras de fantasia da actualidade, esta obra traz-nos uma leitura viciante, fresca e jovem. Como ponto de partida temos o tema dos bailes de finalistas e cada autora escolhe uma diferente forma (sobrenatural, claro está!) de os abordar. Temos demónios do Inferno, anjos, exterminadores, vampiros, etc. A escrita é rápida, sexy, jovem e bastante acessível, fazendo deste livro o ideal para passar uns bons momentos de leitura em qualquer lugar.
Este conjunto de contos serviu também para me dar a conhecer novas escritoras do género fantástico que desconhecia por completo, deixando-me com imensa vontade de ler os seus romances (espero que os publiquem no nosso país em breve, visto que fazem bastante sucesso lá fora).
Não posso também deixar de fazer um elogio rasgado a Stephenie Meyer, que prova mais uma vez (agora sem vampiros!) ser uma eximia contadora de belas histórias de amor e dona de uma prodigiosa imaginação.
Nota positiva para o design da capa (um pouco a lembrar as capas da saga Twilight) e para a já habitual impecável tradução que a Bertrand nos habitou.
Resta-me aconselhar a todos os que gostam de histórias sobrenaturais passadas no complexo e divertido mundo dos adolescentes e esperar que se aposte mais na edição deste género de obras.
E como era bom que houvesse bailes de finalistas como estes… – Diogo Martins
Autor: Robert Charles Wilson Tradução: Ester Cortegano Editora: Saída de Emergência (2009)
Em Março de 1912, da noite para o dia, o velho continente e todas formas de vida que nele habitavam, desapareceram. No seu lugar surgiu toda uma nova fauna e flora. Algo totalmente novo, estranho e selvagem…
A balança do poder muda drasticamente, uma vez que as grandes nações europeias não existem mais, à excepção de Inglaterra, uma ténue sombra do que outrora fora e que tenta recuperar o seu antigo império.
É neste contexto que uma expedição norte-americana é enviada a Darwinia, o nome dado ao agora novo continente. O autor convida-nos então a acompanhar a expedição e os perigos que a ela esperam. Mas acompanhamos também Vale, uma personagem bastante pertinente e o dia-a-dia de Caroline, esposa de Guilford Law, um dos membros da expedição.
Embora Darwinia seja considerado um romance de história alternativa, centra-se mais na aventura dando-lhe um toque pulp fiction, na medida em que acompanhamos a expedição. Mas há muito mais no qual todo romance gira.
Darwinia é um excelente romance – cativante e original. No entanto, e à medida que a história se vai desenvolvendo, sensivelmente a partir da segunda parte, a imaginação do autor parece perder-se num excesso de ideias tão estranhas quanto a direcção da própria narrativa.
Haverá quem possa discordar desta afirmação, mas não deixa de ser um facto que há uma grande mudança e as expectativas de qual algo de surpreendente ainda estava para vir, dissipam-se.
Quer se goste ou não da mudança, Darwinia não deixa de ser um bom romance, sobretudo para quem procura algo de diferente.
Ficamos a aguardar por mais obras deste autor. – Rui Baptista
Lake Dead conta a história de duas irmãs, Brielle (Kelsey Crane) e Kelly (Kelsey Wedeen), que viajam juntamente com os amigos até ao pitoresco hotel deixado pelo avô recentemente falecido. À chegada o grupo decide acampar nas imediações de um lago artificial, acabando por ser perseguido por dois psicopatas.
A maior falha do filme, que vai sendo observada várias vezes ao longo da trama, surge logo nos primeiros minutos, e consiste na revelação antecipada de factos que deixam antever a história toda e a verdadeira natureza de personagens-chave.
Por vezes chega a ser ridículo ou até mesmo ofensivo o modo como certas cenas são demasiado óbvias e denunciadoras. Isto tende a acontecer através de um olhar maquiavélico de alguém aparentemente inocente, ou através de um diálogo no qual os pontos relevantes da trama são explicados sem cerimónia, como se o espectador fosse muito burro.
Lake Dead peca também pelo seu padrão familiar a tantos outros filmes, sendo The Texas Chainsaw Massacre(ler crítica) e Wrong Turn os mais visados.
Os vilões são outro problema, especialmente quando se têm em consideração que deviam constituir o factor mais preponderante num filme que se encaixa na categoria de terror. Em adição à terrível caracterização dos dois psicopatas cujos adereços prostéticos são escandalosamente óbvios, a maioria das cenas sofre de iluminação excessiva e a violência é mantida a um nível muito baixo.
Com o avançar do enredo, e depois de inúmeras sequências usadas apenas em nome da longevidade do filme, as duas irmãs descobrem o sinistro segredo escondido na árvore genealógica da família.
Pela altura em que os créditos finais chegam, os erros e as incoerências são tantas que se torna difícil de perceber se as pessoas envolvidas na produção do filme estavam mentalmente sãs ou se o objectivo era mesmo criar algo foleiro, barato e amador. – Francisco Vidal
A julgar pela violência visual que se observa neste segundo capítulo, a série de filmes deste franchise parece estar a caminhar para um futuro menos interessante do que seria esperado.
Em Saw II, Jigsaw (Tobin Bell; Boogeyman 2) vê-se cada vez mais afectado pelo cancro que o assola, deixando-se apanhar pelas autoridades a dada altura. A partir desse momento, o detective Eric (Donnie Wahlberg; Dreamcatcher) cuja relação com o filho Daniel (Erik Knudsen) é algo conturbada, vê-se numa posição complicada ao ser envolvido no mais recente jogo maquinado por Jigsaw.
Daniel, juntamente com mais sete pessoas, encontra-se encarcerado numa casa repleta de armadilhas das quais precisam de sobreviver de modo a conseguirem escapar com vida. Com o tempo a escassear, o detective Eric procura desesperadamente saber a localização do filho, jogando de acordo com as regras impostas por Jigsaw.
Com o desenrolar do filme, o espectador apercebe-se que todas as personagens estão interligadas e que uma das vítimas, Amanda, (Shawnee Smith; The Island), que já tinha sido objecto de estudo num teste perverso em Saw, tem um papel crucial no plano de Jigsaw.
Como seria de esperar, o final do filme volta a surpreender bastante, preenchendo as lacunas existentes da trama e dando-lhe um novo significado. Mas se é verdade que Saw II continua a cativar pela originalidade do argumento, também é verdade que nesta sequela, o factor choque foi elevado em relação ao anterior o que acaba por tornar algumas cenas algo desagradáveis de serem vistas. Para além disso, o desenrolar dos acontecimentos conta com uma série de imprevistos e coincidências, sem os quais o plano de Jigsaw nunca poderia ter sido bem sucedido.
É de salientar que os cenários fazem jus ao ambiente sombrio do filme e que as armadilhas continuam a ser tão ou mais diabólicas que as anteriores.
Em suma, Saw II continua a linha de singularidade e originalidade do primeiro filme, pecando apenas por possuir um enredo menos elaborado, um excesso de violência e por trazer pouco de novo relativamente ao seu antecessor. – Francisco Vidal
Título original: Acheron Autor: Sherrilyn Kenyon Tradução: Maria Margarida Malcato Editora: Casa das Letras (2009)
Acheron da série Predadores da Noite, é o segundo romance da autora Sherrilyn Kenyon publicado em Portugal. É de salientar que, desta vez, a editora que está por trás da sua publicação, não é a Saída de Emergência, mas sim a Casa das Letras. Este livro, segundo o site da autora, é o número 15 da série, mas apesar desse facto é perfeitamente possível ler este volume sem ter lido os restantes. Contudo, fiquei com a sensação de que certas personagens, que aparecem na segunda metade do livro, como secundárias, têm destaque em livros anteriores da série.
A única personagem de livros anteriores que posso dar certezas da sua presença neste livro é precisamente Julian, do primeiro volume da série, Amante de Sonho.
Acheron é filho da Deusa Apollymi e do Deus Archon do panteão da Atlântida e mesmo antes de nascer, foi amaldiçoado pelas suas meias-irmãs, as Moiras, tornando-se o Deus do Destino Final. Devido a essa maldição, que os destruiria a todos, o Deus Archon tentou matar o próprio filho, mas para o salvar, Apollymi acaba por tornar o filho mortal e o pequeno Deus nasce do corpo de uma Rainha Grega, já grávida também. E assim a Deusa, antes de ser aprisionada, funde a vida dos dois bebés de modo que se Acheron morrer, o filho da rainha também terá o mesmo destino.
Apesar das boas intenções de Apollymi, o seu filho acaba por viver uma vida terrível, repleta de sofrimento e de momentos traumáticos. Isto até que renasce e a sua vida melhora ligeiramente…
Esta história tem momentos bastante fortes, alguns que nos deixam de estômago apertado e também momentos muito comoventes, que nos tocam profundamente.
Ainda não referi, mas este livro está dividido em duas partes: uma no passado, na Grécia e Atlântida antigas por volta do ano de 9500 a.C. (no fim do livro a autora explica esta questão das datas); e outra no presente, nos nossos dias de hoje, no ano 2008, nos EUA.
Nestas duas metades seguimos de perto, a vida de Acheron com as suas evoluções e recuos e também a vida de algumas personagens importantes. Temos contacto com alguns Deuses, quer do panteão da Atlântida quer do panteão Grego, tendo uma das suas Deusas um papel muito importante no desenrolar da história. Deusa essa que acredito que despertará muitos ódios e tirará do sério muitos dos leitores (comigo é certo que conseguiu).
Estamos na presença de um livro muito cativante, que nos agarra desde o inicio e que nos transmite imensas sensações diferentes e por isso, para mim, Sherrilyn Kenyon vai-se tornando uma autora a seguir sem reservas.
Se gostaram de Amante de Sonho, então é certo que vão adorar Acheron! – Rita Verdial
No seguimento da onda de vampirismo que anda a inundar as livrarias, os cinemas e a televisão, chega-nos este filme, baseado nos livros de Darren Shan (editados pela Casa das Letras).
O filme conta a história de Darren Shan (Chris Massoglia), um adolescente normal com boas notas. Depois de uma atribulada visita a um circo ambulante de aberrações que pára na sua cidade, se torna um meio-vampiro e se vê envolvido numa guerra entre vampiros e vampaneses. Steve (Josh Hutcherson), o seu melhor amigo inveja a sua nova condição e decide passar para o outro lado, destruindo uma longa amizade e começando uma guerra.
Se estão à espera de encontrar algo do género da saga Twilight não vale a pena irem ver este filme. O target desta longa-metragem é um público mais juvenil, mas apesar de não trazer nada de novo para o cenário da fantasia moderna, faz-nos passar uma hora e meia bem divertida, sem grandes pretensões.
Achei bastante interessante a temática do Circo de Aberrações, com todas as suas personagens estranhas como a Mulher de Barba e o Rapaz Cobra. No entanto isso não chega para que este filme faça algo pelos livros, ou se torne um fenómeno popular do nível de Harry Potter ou outros que tal.
Os efeitos especiais são pobres e existem demasiados clichés e cenas muito previsíveis.
O elenco conta com algumas surpresas como Willem Dafoe ou Salma Hayek.
O pior, na minha opinião, é que quando a história começa a ficar interessante, o filme acaba. E ninguém nos garante que arrisquem fazer uma continuação, visto que os resultados de bilheteira não foram os melhores…
Concluindo, Cirque du Freak é um filme facilmente esquecível, que se vê perfeitamente em DVD, mas que certamente irá agradar aos mais novos que gostam de uma história com monstros e fantasia. Apesar disso fiquei com alguma curiosidade em conhecer os livros que inspiraram esta película, não só para saber como a história e as personagens evoluem, pois por vezes os estúdios de cinema conseguem transformar livros com grande potencial em filmes bastante fracos… – Diogo Martins
Autor: Jérôme Delafosse Tradução: Filipe Guerra Editora: Editorial Presença (2009)
Embora não seja um romance de horror ou mesmo na área do fantástico, O Círculo de Sangue à semelhança de muitos outros thrillers carrega consigo momentos de horror e, por vezes até um piscar de olhos ao fantástico.
“Um homem acorda de um prolongado coma num hospital da Noruega. Não sabe quem é nem se lembra do passado. Nathan Fahl é o nome que consta dos seus documentos de identificação e bem depressa se apercebe de que corre perigo. Que relação haverá entre uma expedição árctica e sinistras experiências médicas no Ruanda? E que seita é aquela que há trezentos anos vem perpetrando acções terroristas? Nathan corre contra o tempo porque só poderá combatê-la se recuperar a memória. Um thriller poderoso, que arrasta o leitor numa vertigem, entre horrores antigos e actuais, sangrentos rituais religiosos, armas biológicas e terrorismo internacional.”
Sim, “um thriller poderoso” no qual o autor constrói a trama de forma bastante eficaz. E não só consegue manter os leitores em suspenso quanto ao passado e identidade de Nathan Fahl, como nos mantém sempre assim mesmo depois de revelar as respostas. E este é um dos maiores méritos do romance.
E atendendo a situação em que de pânico generalizado devido a uma possível pandemia, e todas as teorias da conspiração que à volta dela circulam, a leitura deste romance poderá ser acompanhada de um maior nervosismo…
“Esta estreia na ficção é uma bem-vinda surpresa do novo discípulo de Jean-Christopher Grangé com laivos de Dan Brown.” – Le Figaro
As comparações aos trabalhos de Dan Brown, na capa, eram desnecessárias. “Mais do mesmo” não será talvez a melhor maneira de promover o livro. Afinal os romances de Brown têm sido apontados por muitos como “obras comerciais” onde falta algum talento. Também há quem diga precisamente o contrário.
Seja como for, O Círculo de Sangue tem mérito suficiente para se fazer valer sem “ajudas” externas. Mais ainda, quem estiver à espera de encontrar um “Dan Brown”, vai ficar bastante desapontado. Por outro lado, irá também descobrir e certamente, apreciar um novo escritor. – Rui Baptista
Stephenie Meyer, Meg Cabot, Kim Harrison, Michelle Jaffe e Lauren Myracle são as cinco escritoras que “trazem um novo olhar sobre o baile de finalistas mostrando que o amor poderá onde menos se espera.”
“O baile de finalistas, o acontecimento mais importante da vida de estudante do liceu, pode ser verdadeiramente assustador. Tudo tem de estar perfeito, pois é bem provável que nessa noite encontres o amor da tua vida, e terás de estar preparada para enfrentar todos os perigos que possam surgir, quer sejam um vampiro diabolicamente lindo de olhos azuis, ou o Anjo da Morte mais sedutor que alguma vez existiu e que te arrebata o coração, ou mesmo um demónio fascinante que te enfeitiça até te deixar completamente apaixonada, provando que até mesmo a mais malévola das criaturas pode sucumbir ao amor.”
Fantasmas e zombies também foram convidados para uma dança…
Danças Malditas, é editado pela Bertrand e já se encontra disponível nas livrarias. O preço é de 17.95 euros. – Rui Baptista
Se as imagens há pouco divulgadas na revista Empire, prenunciavam um grande filme, o teaser que agora chegou à Internet apenas veio confirmar que Clash of the Titans, promete ser de facto um dos grandes filmes de 2010.
Escrito por Phil Hay e Matt Manfredi, conta a épica batalha de Perseu (Sam Worthington) contra inúmeros monstros para salvar a princesa Andromeda (Alexa Davalos).
A realização é de Louis Leterrier que dirigiu filmes como Danny the Dog e The Incredible Hulk.
Ao lado de Worthington e Davalos, participam também Ralph Fiennes, Liam Neeson e Gemma Arterton, entre outros.
Importa referir ainda que Clash of the Titans é o remake de um filme de 1981 com o mesmo título. Este foi realizado por Desmond Davis e contou com os efeitos especiais do mago Ray Harryhausen. – Rui Baptista
Para este remake do filme original com o mesmo nome, de 1976, o marketing, a premissa de estrear no dia seis do mês seis de 2006 e todo o misticismo em redor do tema respeitante ao anticristo, elevaram bastante as expectativas para um bom filme de terror. Infelizmente o resultado foi um tanto modesto, ficando muito além do esperado.
The Omen narra os acontecimentos sofridos pelo casal Thorn desde o instante em que o seu filho é trocado na maternidade, com o consentimento do diplomata Robert Thorn (Liev Scheirber; Scream 3) de modo a evitar o desgosto da sua mulher, Katherine Thorn (Julia Stiles; The Bourne Identity).
Inicialmente, o casal vive harmoniosamente com o seu suposto filho, Damien, mas há medida que o tempo passa o casal chega à conclusão que algo de errado se passa com ele. Num enredo repleto de desconfiança, descrença e muita mágoa, Robert tenta perceber o que está na origem dos problemas contando com a ajuda de um padre do Vaticano (Pete Postlethwaite; Aeon Flux) e de um repórter fotográfico (David Thewlis; Harry Potter and the Prisioner of Azkaban).
O termo ‘terror’ não se aplica verdadeiramente ao filme, embora existam de facto algumas sequências e momentos capazes de sobressaltar o espectador. Mesmo as mortes, que foram orquestradas com algum requinte de malvadez não deixam de ser exageradas.
Assim, o aspecto geral de The Omen transpira aborrecimento e falta de dinamismo, e para piorar o cenário, as únicas prestações memoráveis são as de Seamus Fitzpatrick, que interpreta Damien, e de Mia Farrow, sua ama e protectora. De facto seria difícil encontrar um actor tão novo e com uma expressão tão sinistra, perfeitamente adequada a sua personagem.
O restante elenco, principalmente os actores que encarnaram o casal Thorn, revela-se pouco expressivo, trazendo muito pouca emoção ao filme, mesmo em cenas de alguma carga emocional.
Em suma, The Omen não é um mau filme, conseguindo abordar um tema perturbante, mas a falta de suspense e de terror que poderiam ter sido conseguidos, torna-o francamente medíocre. – Francisco Vidal
Os irmãos Danny (Justin Long; Drag Me to Hell) e Patricia (Gina Philips, The Sick House) viajam animadoramente pelo interior quando ao passar por uma igreja abandonada, vêem um alguém a despejar cadáveres por um cano abaixo. Apesar do terror, a curiosidade acaba por falar mais alto e, depois do misterioso homem sair, os dois jovens precipitam-se para as imediações da igreja apenas para encontrar um cenário bizarro e aterrorizador. Mesmo antes de se aperceberem, Danny e a irmã são identificados e perseguidos pela sinistra figura, que como mais tarde vêm a descobrir, é um antigo demónio conhecido por Creeper (Jonathan Breck).
O filme pode ser facilmente dividido em três partes, havendo uma diminuição de qualidade à medida que nos vamos aproximando do fim:
A primeira parte de Jeepers Creepers é particularmente eficaz pela boa construção de tensão e mistério, durante a qual Danny descobre o esconderijo do demónio, repleto de surpresas desagradáveis e imaginativas.
Numa segunda fase, o Creeper é totalmente revelado e infelizmente não é suficientemente intimidante ou assustador. Para além disso o enredo torna-se bastante linear focando apenas a perseguição dos jovens por parte da criatura. Ainda assim é de notar algumas cenas interessantes embora algo aleatórias, como por exemplo quando os dois jovens são ajudados por uma velhota rodeada de inúmeros gatos.
No terceiro acto porém, é inevitável colocar algumas questões face ao comportamento de algumas personagens, transformando-se no final das contas num desfecho bastante normal. É também nesse momento que o espectador toma conhecimento das obscuras intenções do Creeper e descobre um pouco mais sobre a sua existência.
Jeepers Creepers não escapa aos clichés do género mas dada a simplicidade da história, decorre de um modo realístico e minimamente inteligente, sem que hajam diálogos fora do contexto ou idiotas. – Francisco Vidal
Autor: Mathias Malzieu Tradução: Irene Daun e Lorena, Nuno Daun e Lorena Editora: Contraponto (2009)
Aguardei com grande ansiedade a publicação da obra de Mathias Malzieu em Portugal. A sinopse falava de um “conto de fadas para adultos, ao estilo de Tim Burton ou Lewis Carrol”. Sendo fã destes dois autores, e sendo o escritor o vocalista de uma banda rock francesa, fiquei bastante curioso com a obra.
A Mecânica do Coração conta a história do escocês Jack que nasce no dia mais frio do ano. O seu coração congela e a Drª Madeleine, uma espécie de feiticeira, substitui-o por um relógio de madeira. Mas para sobreviver, Jack não pode sofrer emoções fortes como a cólera e o amor. Um dia, uma cantora da Andaluzia vai colocar o seu coração em perigo, pois ele vai apaixonar-se por ela e iniciar uma jornada em busca do amor.
Devo dizer que as minhas já altas expectativas com este livro foram superadas. Mathias Malzieu é um verdadeiro mágico das palavras e consegue tornar uma história em prosa numa digressão poética pelos sentimentos do protagonista. As descrições, metáforas e comparações conseguem ir do dramático ao divertido sem complicações. É impossível ler a história do pequeno Jack sem ficar enternecido ou com um sorriso no rosto. A história é de uma inocência e emoção tal que ficamos com vontade de voltar à pureza de sentimentos da nossa infância e adolescência.
É inevitável comparar a peculiaridade das personagens com as de Tim Burton ou até Lewis Carrol, mas Malzieu fá-lo sem copiar e conseguindo a proeza de ser original num género cada vez mais saturado. Além disso, é bastante interessante Jack cruzar-se com algumas personalidades “míticas”, como é o caso de Jack O Estripador e Georges Méliès.
Tive imensa pena de o livro ser tão pequeno (140 páginas), pois gostava que a minha relação com a história durasse mais tempo. Podia ter havido um maior desenvolvimento das personagens e da acção, sendo que isso não retiraria qualidade ao livro. Outro aspecto que pode fazer confusão ao leitor é a inclusão de certas metáforas referentes a elementos contemporâneos. A história passa-se em finais do século XIX e é escrita na 1ª pessoa. Por isso, é estranho quando Jack refere Charles Bronson ou helicópteros.
A Mecânica do Coração é um livro que aconselho vivamente a quem aprecia um conto de fadas maduro e com algumas metáforas transponíveis para a actualidade. Genuíno, negro e terno, é uma obra que revela o potencial de um novo contador de histórias na literatura mundial. Uma pequena grande surpresa neste final de ano Fantástico. – Fábio Ventura
Autor: Susan Hubbard Tradução: Marta Mendonça Editora:Editorial Presença (2009)
A Sociedade do Sangue chega-nos no seguimento da vaga de romances de vampiros que têm assaltado as livrarias desde o fenómeno Twilight.
Neste bonito romance, a autora conta-nos a história de Ariella, uma rapariga de 12 anos que vive com o seu misterioso pai numa magnífica mansão em Saragota Springs. Tem aulas em casa, nunca viu televisão e desde cedo começa a questionar a sua verdadeira natureza e a dos que a rodeiam. E quando decide partir em busca da sua mãe, começa a conhecer-se melhor a si própria e aos seus poderes de vampira…
Este livro proporcionou-me uma leitura bastante agradável. A autora faz uso de uma escrita elegante mas rápida e fluída para nos contar a história e sendo contada na primeira pessoa, quase como um diário, aproxima-nos cada vez mais, a cada página que passa, da personagem principal. O leque de carismáticas personagens é também outra das mais-valias deste livro que se pode mais considerar um romance do que uma obra de fantasia. Ao longo da narrativa notei algumas semelhanças no discurso da personagem principal, com a de outros livros do género, incluindo O Historiador de Elizabeth Kostova e Twilight de Stephenie Meyer.
O livro está dividido em várias partes e por vezes desejei que houvesse mais acção (principalmente na primeira parte), o que torna a leitura um pouco maçuda e repetitiva em alguns momentos, mas nada que não se ultrapasse com o virar das páginas.
No entanto é um livro gostei imenso de descobrir e sem dúvida aqui fica mais uma autora para estar atento à sua obra. Não aconselho este livro a quem procura algo do género de Marcada ou muito virado para os adolescentes, mas sim para quem gosta dos vampiros mais clássicos, ao estilo Anne Rice. – Diogo Martins