31.10.09
30.10.09
Crítica: My Bloody Valentine

Realização: Patrick Lussier
Argumento: Todd Farmer, Zane Smith
Ano: 2009 (Estados Unidos)
IMDb
He's gonna break your heart.
My Bloody Valentine é o típico slasher injectado com sangue e violência, mas perigosamente anémico em termos de argumento.
O filme arranca com uma introdução na qual é revelado num estalar de dedos o terrível massacre de vinte e duas pessoas na cidade de Harmony, na noite de São Valentim. Dez anos depois, um dos indivíduos associado ao incidente – Tom (Jensen Ackles; Supernatural), regressa novamente à cidade apenas para ser recebido com desconfiança.
Quando uma onda de homicídios invade a cidade, Tom acaba por ser considerado o principal suspeito e infelizmente a única pessoa que parece acreditar na sua inocência, é a sua antiga namorada - Sarah (Jaime King; The Spirit).
O facto de o filme ser em 3D aguça a curiosidade dos espectadores, mas infelizmente acaba por se traduzir numa grande desilusão. Não que os efeitos em 3D sejam maus, mas tornam-se repetitivos porque surgem quase sempre através do uso de uma picareta. Para além disso, torna-se claro muitas vezes que houve um uso forçado de cenas para se poder empurrar mais um efeito em 3D, pela garganta abaixo de quem está a ver.
Analisando o filme fora da perspectiva em três dimensões, há muito pouco de interessante a apontar, à excepção de uma ou outra morte mais sangrenta e do uso original de alguns pormenores associados ao tema de São Valentim. Tudo o resto é extremamente pobre, a começar na qualidade da imagem, passando pela prestação dos actores, que ainda assim poderia ter sido muito pior, e a acabar nos delírios dos argumentistas quando escreveram a história.
O enredo é tão preguiçoso, que se chega a ter um segmento totalmente irrelevante em relação ao resto da história e que foi pensado apenas em nome da nudez gratuita.
A identidade do assassino também não é difícil de descobrir, apesar de a dada altura se tornar complicado de chegar a uma conclusão devido ao triângulo amoroso que se forma entre Tom, Sarah e o seu actual marido (Kerr Smith; Final Destination).
My Bloody Valentine termina em aberto, possivelmente para permitir a produção de uma sequela que tal como o seu antecessor, se deverá esgotar numa história pouco entusiasmante e mal executada. – Francisco Vidal
My Bloody Valentine é o típico slasher injectado com sangue e violência, mas perigosamente anémico em termos de argumento.
O filme arranca com uma introdução na qual é revelado num estalar de dedos o terrível massacre de vinte e duas pessoas na cidade de Harmony, na noite de São Valentim. Dez anos depois, um dos indivíduos associado ao incidente – Tom (Jensen Ackles; Supernatural), regressa novamente à cidade apenas para ser recebido com desconfiança.
Quando uma onda de homicídios invade a cidade, Tom acaba por ser considerado o principal suspeito e infelizmente a única pessoa que parece acreditar na sua inocência, é a sua antiga namorada - Sarah (Jaime King; The Spirit).
O facto de o filme ser em 3D aguça a curiosidade dos espectadores, mas infelizmente acaba por se traduzir numa grande desilusão. Não que os efeitos em 3D sejam maus, mas tornam-se repetitivos porque surgem quase sempre através do uso de uma picareta. Para além disso, torna-se claro muitas vezes que houve um uso forçado de cenas para se poder empurrar mais um efeito em 3D, pela garganta abaixo de quem está a ver.
Analisando o filme fora da perspectiva em três dimensões, há muito pouco de interessante a apontar, à excepção de uma ou outra morte mais sangrenta e do uso original de alguns pormenores associados ao tema de São Valentim. Tudo o resto é extremamente pobre, a começar na qualidade da imagem, passando pela prestação dos actores, que ainda assim poderia ter sido muito pior, e a acabar nos delírios dos argumentistas quando escreveram a história.
O enredo é tão preguiçoso, que se chega a ter um segmento totalmente irrelevante em relação ao resto da história e que foi pensado apenas em nome da nudez gratuita.
A identidade do assassino também não é difícil de descobrir, apesar de a dada altura se tornar complicado de chegar a uma conclusão devido ao triângulo amoroso que se forma entre Tom, Sarah e o seu actual marido (Kerr Smith; Final Destination).
My Bloody Valentine termina em aberto, possivelmente para permitir a produção de uma sequela que tal como o seu antecessor, se deverá esgotar numa história pouco entusiasmante e mal executada. – Francisco Vidal
29.10.09
Crítica: Ghostgirl – A Rapariga Invisível

Título original: Ghostgirl
Autor: Tonya Hurley
Tradução: Rosa Amorim
Editora: Contraponto (2009)
Ghostgirl – A Rapariga Invisível é a primeira obra da americana Tonya Hurley, estando já publicado na sua versão original, a segunda parte desta série, intitulada Ghostgirl: Homecoming.
Charlotte é uma adolescente triste e solitária que se sente à margem do resto dos miúdos do seu liceu e que no fundo só deseja ser popular e aceite. Quando depois de um verão de dieta e sacrifícios decide tentar inverter o sentido da sua vida, tentado conquistar Damen, o rapaz de quem gosta o improvável acontece e ela engasga-se com um ursinho de goma, acabando por morrer. Mas logo descobre que a morte não é fim, e que a sua aventura apenas está prestes a começar…
Logo que vi a notícia da publicação deste livro fiquei com imensa vontade de o ler, não só pela história em si como pela parte estética do livro. A boneca da capa a lembrar um pouco Emily, The Strange deixou-me curioso. E depois de apenas dois dias, envolvido com a história e as suas personagens só posso dizer que a expectativa foi superada.
Ghostgirl é um livro para adolescentes mas pode também ser apreciado por todos os que gostem de reviver um pouco a sua juventude. Tendo um liceu americano como cenário e todo um leque de personagens distintos, desde cheerleaders a emos, que nos agarram com os seus pequenos dramas. A autora fez uso e com bastante perícia da cultura pop americana de uma forma divertida e por vezes satírica, mostrando-nos que a popularidade não é o mais importante mas sim o que está dentro de cada um de nós.
Não posso deixar de voltar a referir que a estética do livro é fantástica, por vezes fazendo-me recordar o imaginário de Tim Burton. Antes de iniciar cada capítulo existe uma frase célebre e uma ilustração e uma página preta onde a autora faz uma análise dos acontecimentos, dando-nos pequenas lições de moral.
Não encontrei grandes pontos negativos, o livro funciona bem dentro do seu género. Apenas gostava que algumas personagens fossem mais desenvolvidas e que o mundo dos mortos fosse um pouco mais explorado.
Ghostgirl é um livro que se lê de toda uma assentada e que acompanhado por um bom CD de rock se pode tornar um divertimento fantástico para passar um dia. Resta-me apenas esperar sinceramente que a Contraponto publique a sua continuação. – Diogo Martins
Charlotte é uma adolescente triste e solitária que se sente à margem do resto dos miúdos do seu liceu e que no fundo só deseja ser popular e aceite. Quando depois de um verão de dieta e sacrifícios decide tentar inverter o sentido da sua vida, tentado conquistar Damen, o rapaz de quem gosta o improvável acontece e ela engasga-se com um ursinho de goma, acabando por morrer. Mas logo descobre que a morte não é fim, e que a sua aventura apenas está prestes a começar…
Logo que vi a notícia da publicação deste livro fiquei com imensa vontade de o ler, não só pela história em si como pela parte estética do livro. A boneca da capa a lembrar um pouco Emily, The Strange deixou-me curioso. E depois de apenas dois dias, envolvido com a história e as suas personagens só posso dizer que a expectativa foi superada.
Ghostgirl é um livro para adolescentes mas pode também ser apreciado por todos os que gostem de reviver um pouco a sua juventude. Tendo um liceu americano como cenário e todo um leque de personagens distintos, desde cheerleaders a emos, que nos agarram com os seus pequenos dramas. A autora fez uso e com bastante perícia da cultura pop americana de uma forma divertida e por vezes satírica, mostrando-nos que a popularidade não é o mais importante mas sim o que está dentro de cada um de nós.
Não posso deixar de voltar a referir que a estética do livro é fantástica, por vezes fazendo-me recordar o imaginário de Tim Burton. Antes de iniciar cada capítulo existe uma frase célebre e uma ilustração e uma página preta onde a autora faz uma análise dos acontecimentos, dando-nos pequenas lições de moral.
Não encontrei grandes pontos negativos, o livro funciona bem dentro do seu género. Apenas gostava que algumas personagens fossem mais desenvolvidas e que o mundo dos mortos fosse um pouco mais explorado.
Ghostgirl é um livro que se lê de toda uma assentada e que acompanhado por um bom CD de rock se pode tornar um divertimento fantástico para passar um dia. Resta-me apenas esperar sinceramente que a Contraponto publique a sua continuação. – Diogo Martins
Crítica: Stay Alive

Realização: William Brent Bell
Argumento: William Brent Bell, Matthew Peterman
Ano: 2006 (Estados Unidos)
IMDb
Play it to death.
Ultimamente têm sido lançados alguns filmes baseados em jogos de terror, como Resident Evil, Silent Hill entre vários outros, mas Stay Alive é o primeiro filme em que um videojogo é o assunto central do enredo.
Mesmo sendo inovadora, a ideia traduziu-se num filme algo desequilibrado e enfadonho.
Stay Alive reúne um conjunto de actores vulgares dos quais se destacam Frankie Muniz (Malcom in the Middle) e Sophia Bush (The Hitcher).
Tudo começa quando um grupo de amigos decide reunir-se para jogar um misterioso jogo, baseado na história real de Elisabeth Bathory – a famosa condessa que se banhava em sangue de jovens raparigas, para preservar a sua juventude. Infelizmente, chegam à conclusão que ao morrerem no jogo, acabam por ser mortos na vida real exactamente do mesmo modo. Assim, à medida que o tempo vai passando e que cada jovem vai sendo morto por uma força maligna, o grupo apercebe-se que a única forma de se salvarem é encontrarem o responsável pelo fabrico do jogo.
Stay Alive peca por vários motivos dentro dos quais se pode referir a quantidade absurda de clichés muito típicos de filmes de terror, como fantasmas a passar no plano de fundo, ruídos e sons sempre que está prestes a acontecer algo entre outros. Como se isso não bastasse, o facto de já se saber o modo como os personagens vão morrer retira uma boa parte da surpresa, deixando o espectador na expectativa em relação ao ‘quando’ e não ao ‘como’.
Como não podia deixar de ser, quase todos os personagens tomam decisões estúpidas nas alturas erradas, condição forçada pela existência de um argumento deficiente. Outro problema reside no uso de efeitos visuais indiscriminadamente e em algumas passagens, de um modo pouco credível ou mesmo piroso.
Stay Alive até pode arrancar um ou outro sobressalto na primeira metade, mas a dado ponto torna-se dolorosamente aborrecido. Apesar de vagamente similar a The Ring, e de se debruçar sobre um tema da História bastante sinistro e perverso, Stay Alive não se consegue manter vivo durante muito tempo no interesse do espectador. – Francisco Vidal
Mesmo sendo inovadora, a ideia traduziu-se num filme algo desequilibrado e enfadonho.
Stay Alive reúne um conjunto de actores vulgares dos quais se destacam Frankie Muniz (Malcom in the Middle) e Sophia Bush (The Hitcher).
Tudo começa quando um grupo de amigos decide reunir-se para jogar um misterioso jogo, baseado na história real de Elisabeth Bathory – a famosa condessa que se banhava em sangue de jovens raparigas, para preservar a sua juventude. Infelizmente, chegam à conclusão que ao morrerem no jogo, acabam por ser mortos na vida real exactamente do mesmo modo. Assim, à medida que o tempo vai passando e que cada jovem vai sendo morto por uma força maligna, o grupo apercebe-se que a única forma de se salvarem é encontrarem o responsável pelo fabrico do jogo.
Stay Alive peca por vários motivos dentro dos quais se pode referir a quantidade absurda de clichés muito típicos de filmes de terror, como fantasmas a passar no plano de fundo, ruídos e sons sempre que está prestes a acontecer algo entre outros. Como se isso não bastasse, o facto de já se saber o modo como os personagens vão morrer retira uma boa parte da surpresa, deixando o espectador na expectativa em relação ao ‘quando’ e não ao ‘como’.
Como não podia deixar de ser, quase todos os personagens tomam decisões estúpidas nas alturas erradas, condição forçada pela existência de um argumento deficiente. Outro problema reside no uso de efeitos visuais indiscriminadamente e em algumas passagens, de um modo pouco credível ou mesmo piroso.
Stay Alive até pode arrancar um ou outro sobressalto na primeira metade, mas a dado ponto torna-se dolorosamente aborrecido. Apesar de vagamente similar a The Ring, e de se debruçar sobre um tema da História bastante sinistro e perverso, Stay Alive não se consegue manter vivo durante muito tempo no interesse do espectador. – Francisco Vidal
Crítica: The Dark

Realização: John Fawcett
Argumento: Stephen Massicotte
Ano: 2005 (Alemanha, Reino Unido)
IMDb
One of the living for one of the dead.
The Dark é mais um filme de terror que como o próprio nome deixa adivinhar, está relacionado com a escuridão, não necessariamente no sentido literal da palavra mas também no que diz respeito à parte mais sombria da mente do ser humano.
O filme desenvolve-se a partir de um drama familiar, cujas fronteiras com o universo sobrenatural se esbatem por vezes de um modo algo confuso. Adelle (Maria Bello; Secret Window) decide visitar o seu marido James (Sean Bean; Silent Hill) ao mesmo tempo que tenta apaziguar a sua relação com a filha Sarah (Sophie Stuckey).
Porém, quando a filha desaparece misteriosamente e a uma rapariga que havia morrido há cinquenta anos atrás toma o seu lugar, Adelle vê-se obrigada a embrenhar-se na peculiar mitologia do País de Gales assim como no arrepiante passado da enigmática menina e da propriedade. Contudo, depressa se apercebe que para salvar a sua filha, terá que enfrentar todas as suas inseguranças, medos, arrependimentos ou até a própria morte.
O argumento de The Dark tem tanto de interessante como de estranho. De um modo geral todos os actores fazem um excelente trabalho, deixando fluir naturalmente toda uma cascata das mais variadas emoções.
Duas grandes mais-valias a apontar são a paisagem simplesmente genuína e maravilhosa e o tom melancólico, amargo e por vezes mesmo ‘negro’ da maioria das cenas.
Os sustos são rápidos mas eficientes, embora a própria atmosfera do filme se encarregue de provocar arrepios e de preparar o espectador para as cenas mais sinistras.
Ao longo da trama é possível observar uma certa evolução do terror, que inicialmente é mais objectivo e directo para depois se tornar mais subentendido e psicológico. Com o aproximar dos últimos minutos chegam os problemas, tais como segmentos e cenas pouco coerentes com o resto da história e que são de tal forma desconcertantes que chega a ser frustrante.
Mesmo assim, The Dark revela-se sem sombra de dúvida, um filme interessante e minimamente assustador e que consegue absorver a atenção do espectador pelo menos até às inevitáveis e confusas reviravoltas do enredo. – Francisco Vidal
O filme desenvolve-se a partir de um drama familiar, cujas fronteiras com o universo sobrenatural se esbatem por vezes de um modo algo confuso. Adelle (Maria Bello; Secret Window) decide visitar o seu marido James (Sean Bean; Silent Hill) ao mesmo tempo que tenta apaziguar a sua relação com a filha Sarah (Sophie Stuckey).
Porém, quando a filha desaparece misteriosamente e a uma rapariga que havia morrido há cinquenta anos atrás toma o seu lugar, Adelle vê-se obrigada a embrenhar-se na peculiar mitologia do País de Gales assim como no arrepiante passado da enigmática menina e da propriedade. Contudo, depressa se apercebe que para salvar a sua filha, terá que enfrentar todas as suas inseguranças, medos, arrependimentos ou até a própria morte.
O argumento de The Dark tem tanto de interessante como de estranho. De um modo geral todos os actores fazem um excelente trabalho, deixando fluir naturalmente toda uma cascata das mais variadas emoções.
Duas grandes mais-valias a apontar são a paisagem simplesmente genuína e maravilhosa e o tom melancólico, amargo e por vezes mesmo ‘negro’ da maioria das cenas.
Os sustos são rápidos mas eficientes, embora a própria atmosfera do filme se encarregue de provocar arrepios e de preparar o espectador para as cenas mais sinistras.
Ao longo da trama é possível observar uma certa evolução do terror, que inicialmente é mais objectivo e directo para depois se tornar mais subentendido e psicológico. Com o aproximar dos últimos minutos chegam os problemas, tais como segmentos e cenas pouco coerentes com o resto da história e que são de tal forma desconcertantes que chega a ser frustrante.
Mesmo assim, The Dark revela-se sem sombra de dúvida, um filme interessante e minimamente assustador e que consegue absorver a atenção do espectador pelo menos até às inevitáveis e confusas reviravoltas do enredo. – Francisco Vidal
28.10.09
Crítica: Crónicas Vampíricas – Fúria

Título original: The Vampire Diaries – The Fury
Autor: L. J. Smith
Tradução: Cristina Vaz
Editora: Planeta (2009)
Depois de alguns meses de espera angustiante para os fãs mais aguerridos, chega-nos finalmente o terceiro livro das Crónicas Vampíricas – Fúria.
Para quem segue avidamente esta trilogia o primeiro capítulo é logo uma autêntica bomba que nos deixa bastante revoltados. No entanto para a frente tudo é esclarecido e a história continua como sempre pensámos que iria desenrolar-se.
Depois do que aconteceu em Conflito vemos o amor de Elena e Stefan a crescer, mas de uma maneira diferente pois a sua situação também é outra. Damon é uma das personagens que mais surpreende neste livro. Pois certas atitudes que toma são completamente diferentes daquilo que estávamos à espera. Quanto às outras personagens da história, como Bonnie e Meredith, também vão tendo um papel mais importante ao longo da narrativa, tanto que o ultimo capítulo é na verdade escrito por Bonnie.
Finalmente neste livro vemos todas as pontas a serem atadas. Todos os mistérios que rondavam a narrativa desde o seu inicio são finalmente desvendados. Para dizer a verdade, não estava á espera de nada daquilo que aconteceu. Para mim a autora nunca foi demasiado óbvia e sempre deixou tudo muito em aberto. A maneira como o livro acaba deixa-nos com um travo a azedo na boca. Mas está muito bem enquadrada e faz todo o sentido.
A escrita continua bastante fluída. Com os seus momentos sérios e descontraídos. E a história agarra-nos de uma maneira bastante forte. Apesar de haver bastante romance a história não é lamechas. Pelo menos no meu entender.
Algo que também está fenomenal e que salta logo à vista é a capa. Para mim a melhor das três, está sem dúvida muito bem conseguida. Basicamente sou capaz de ficar bastante tempo a olhar para ela para conseguir absorver todos os detalhes. E isso é, já por si, bastante importante.
Uma boa aposta por parte da editora Planeta. Agora é aguardar para que saia o próximo livro destas Crónicas Vampíricas, que esperemos, seja tão bom como os restantes. – Joana Cardoso
Da mesma autora:
Despertar
Conflito
Para quem segue avidamente esta trilogia o primeiro capítulo é logo uma autêntica bomba que nos deixa bastante revoltados. No entanto para a frente tudo é esclarecido e a história continua como sempre pensámos que iria desenrolar-se.
Depois do que aconteceu em Conflito vemos o amor de Elena e Stefan a crescer, mas de uma maneira diferente pois a sua situação também é outra. Damon é uma das personagens que mais surpreende neste livro. Pois certas atitudes que toma são completamente diferentes daquilo que estávamos à espera. Quanto às outras personagens da história, como Bonnie e Meredith, também vão tendo um papel mais importante ao longo da narrativa, tanto que o ultimo capítulo é na verdade escrito por Bonnie.
Finalmente neste livro vemos todas as pontas a serem atadas. Todos os mistérios que rondavam a narrativa desde o seu inicio são finalmente desvendados. Para dizer a verdade, não estava á espera de nada daquilo que aconteceu. Para mim a autora nunca foi demasiado óbvia e sempre deixou tudo muito em aberto. A maneira como o livro acaba deixa-nos com um travo a azedo na boca. Mas está muito bem enquadrada e faz todo o sentido.
A escrita continua bastante fluída. Com os seus momentos sérios e descontraídos. E a história agarra-nos de uma maneira bastante forte. Apesar de haver bastante romance a história não é lamechas. Pelo menos no meu entender.
Algo que também está fenomenal e que salta logo à vista é a capa. Para mim a melhor das três, está sem dúvida muito bem conseguida. Basicamente sou capaz de ficar bastante tempo a olhar para ela para conseguir absorver todos os detalhes. E isso é, já por si, bastante importante.
Uma boa aposta por parte da editora Planeta. Agora é aguardar para que saia o próximo livro destas Crónicas Vampíricas, que esperemos, seja tão bom como os restantes. – Joana Cardoso
Da mesma autora:
Despertar
Conflito
Rescaldo da Feira de Frankfurt: What’s Next?
Há cerca de duas semanas teve lugar a Feira do Livro de Frankfurt, que tem como objectivo juntar as várias editoras mundiais numa compra e venda de direitos de publicação. As editoras portuguesas tiveram uma forte e respeitosa presença na Feira e as novidades dos títulos que adquiriram são muitas, embora ainda muito centradas nas recentes “modas literárias”, como é o caso dos vampiros.
Segundo o jornal Público, um dos títulos mais comentados na feira foi The Discovery of Witches de Deborah Harkness, um livro sobre bruxas que mistura elementos de fantasia de sagas como Harry Potter e Twilight e que prova que a febre dos vampiros é para continuar.
No caso da literatura sueca, que ganhou destaque com a saga de Stieg Larsson, veremos publicado em Portugal Nefilim (Editorial Presença) e O Hipnotista de Lars Kepler (Porto Editora). A editora Alêtheia adquiriu os direitos de Sympathy for the Devil de Howard Marks e a Civilização Editora ficou com Snowdrops de A.D. Miller.
Não existem muitos mais pormenores sobre esta “troca” de direitos de publicação entre os países, mas a Feira ficou marcada por uma certa estagnação de obras consideradas “the next big thing”. Certo, certo é nos próximos tempos serem publicados mais títulos relacionados com vampiros, zombies e demónios. Fiquem atentos ao BLID para mais novidades. – Fábio Ventura
Fonte: Público
Segundo o jornal Público, um dos títulos mais comentados na feira foi The Discovery of Witches de Deborah Harkness, um livro sobre bruxas que mistura elementos de fantasia de sagas como Harry Potter e Twilight e que prova que a febre dos vampiros é para continuar.
No caso da literatura sueca, que ganhou destaque com a saga de Stieg Larsson, veremos publicado em Portugal Nefilim (Editorial Presença) e O Hipnotista de Lars Kepler (Porto Editora). A editora Alêtheia adquiriu os direitos de Sympathy for the Devil de Howard Marks e a Civilização Editora ficou com Snowdrops de A.D. Miller.
Não existem muitos mais pormenores sobre esta “troca” de direitos de publicação entre os países, mas a Feira ficou marcada por uma certa estagnação de obras consideradas “the next big thing”. Certo, certo é nos próximos tempos serem publicados mais títulos relacionados com vampiros, zombies e demónios. Fiquem atentos ao BLID para mais novidades. – Fábio Ventura
Fonte: Público
Scream Awards 2009: O Grito Mais Desejado
Ontem, dia 27 de Outubro foi transmitida a cerimónia de entrega dos prémios Scream Awards, dedicada a homenagear o que de melhor se faz na ficção de fantasia, terror e ficção científica. Os vencedores deste ano não surpreendem, sendo que a maior parte simboliza a consolidação de obras já aclamadas pelo grande público.Na categoria de Melhor Filme de Terror, o vencedor é Drag Me To Hell (ler crítica), de Sam Raimi, e que ainda não foi exibido em Portugal. Com uma crítica positiva e um comportamento óptimo nas bilheteiras americanas, era o favorito na categoria. Vence ao filme Let The Right One In (ler crítica), do sueco Tomas Alfredson, que apenas ganhou o prémio de melhor filme estrangeiro.
Star Trek vence o galardão para melhor filme de ficção científica e também o mais desejado da noite, o Ultimate Scream. Foi uma espécie de homenagem a J.J. Abrams que se tem mostrado um dos melhores argumentistas e realizadores da sua geração, arrecadando também o scream de Melhor Realizador. Chris Pine, o protagonista do filme, leva o “grito” de Melhor Actor de Ficção Científica. No âmbito da “meganomania”, Megan Fox vence como melhor actriz de ficção científica com o filme Transformers: Revenge of the Fallen. Este filme conseguiu ainda vencer nas categorias de Melhores Efeitos Especiais e Melhor Música (New Divide, Linkin Park).
Para Melhor Filme de Fantasia, surpresa! Twilight, o maior fenómeno cinematográfico e literário dos últimos tempos e que lançou o mote para a recente moda dos vampiros. O filme garantiu ainda ao par Kristen Stewart e Robert Pattinson os prémios de Melhor Actor e Actriz de Fantasia.
Ainda no campo dos vampiros, outro dos grandes vencedores dos Scream Awards deste ano. True Blood leva para casa quatro prémios, o de Melhor Série Televisiva, Melhor Actor de Terror (Stephen Moyer), Melhor Actriz de Terror (Anna Paquin) e Melhor Vilão (Alexander Skarsgard).
Na categoria de Melhores Actores Secundários, os prémios vão para Ryan Reynolds (X-Men Origins: Wolverine) e Jennifer Carpenter (Dexter). Isabel Lucas (Transformers: Revenge of the Fallen) e Taylor Lautner (Twilight) foram os Melhores Actores Revelação. O Melhor Elenco foi considerado o de Harry Potter and the Halfblood Prince, que também foi considerado a Melhor Sequela. O Melhor Super Herói foi considerado Wolverine (Hugh Jackman).
Nas categorias mais divertidas desta entrega de prémios, tivemos como vencedores a luta entre Kirk e Spook em Star Trek (Melhor Luta), o ataque dos Death Eaters a Londres em Harry Potter (Cena Holy Sh!t) e a armadilha do pêndulo em Saw V (Melhor Mutilação)
Na área da banda desenhada, os vencedores foram Watchmen (Melhor Filme Adaptado), Geoff Johns (Melhor Argumentista), Grenn Lantern (Melhor Banda Desenhada) e Tony Harris e Jim Clark (Melhor Artista).
Como podem ver, as surpresas não são muitas, mas é sempre bom ver a homenagem que é feita a géneros que são sempre esquecidos em cerimónias de entrega de prémios mais elitistas. Resta aguardar pelo ano de 2010 para ver se a qualidade da ficção de terror, fantasia e ficção científica se vai manter e se teremos obras originais e de qualidade para serem homenageadas pelo “Grito” mais desejado. - Fábio Ventura
26.10.09
Crítica: Caim

Autor: José Saramago
Editora: Editorial Caminho (2009)
Caim é o mais recente livro do nosso Prémio Nobel, e sem dúvida o lançamento que mais tem dado que falar nos últimos tempos em Portugal, devido às declarações polémicas e escaldantes que o autor tem feito em relação à Bíblia e a Deus.
Caim é mesmo o que o título indica, a história de Caim. A jornada de um homem, filho de Adão e Eva, que matou o seu próprio irmão Abel e das suas desavenças com Deus; da sua participação na Arca de Noé, na destruição de Sodoma, e tantos outros acontecimentos que conhecemos tão bem.
Não tenho posição religiosa, e para mim palavras como ateu, agnóstico e outras que tal só servem para baralhar. Tenho as minhas crenças. Crenças essas, que não defino por palavras de um dicionário. Considera-me um livre-pensador. Foi com este espírito, e sem nunca ter pegado numa Bíblia em toda a minha vida que parti para a leitura deste livro, não sabendo por isso o que era romanceado e o que estava de facto no Antigo Testamento.
A minha relação com os livros de José Saramago é um pouco ambígua, tanto posso adorar os seus livros, como odiá-los. Considero o Ensaio Sobre a Cegueira uma obra extraordinária, assim como a sua adaptação para filme. Caim, com as suas 181 páginas está mais para um conto do que para um romance. Lê-se bastante rápido e no fim deixa-nos a querer mais.
Não posso considerar a escrita de Saramago simples, ou que agrade a toda a gente, mas na minha opinião passando umas quantas páginas entramos nas suas palavras e a estranheza desaparece.
O livro é uma espécie de adaptação romanceada de acontecimentos bíblicos. Com toques de humor, erotismo e bastante fantasia (incluindo viagens no tempo) Saramago transporta-nos para um ambiente muito próprio e que em certas situações nos deixa a pensar. É um livro de quem escreve o que quer e quando quer. E isso transparece em certas frases e diálogos, no qual o escritor toma posições e diz coisas que chocam os mais crentes, como as já celebres frases em que insulta Deus, dizendo que não é de fiar e pior ainda...
Caim é para ser apreciado com ligeireza na minha opinião, como produto de entretenimento e não podemos levá-lo demasiado a sério, mesmo que no fim da sua leitura certas questões acerca de justiça divina e crença nos fiquem a remoer na cabeça...
Foi sem dúvida uma das surpresas do ano para mim e não posso deixar de o recomendar, mesmo para quem nunca leu nada do autor. Caim é um livro que se degusta rapidamente e que nos deixa a querer conhecer mais e mais deste fabuloso escritor português que é José Saramago. – Diogo Martins
Caim é mesmo o que o título indica, a história de Caim. A jornada de um homem, filho de Adão e Eva, que matou o seu próprio irmão Abel e das suas desavenças com Deus; da sua participação na Arca de Noé, na destruição de Sodoma, e tantos outros acontecimentos que conhecemos tão bem.
Não tenho posição religiosa, e para mim palavras como ateu, agnóstico e outras que tal só servem para baralhar. Tenho as minhas crenças. Crenças essas, que não defino por palavras de um dicionário. Considera-me um livre-pensador. Foi com este espírito, e sem nunca ter pegado numa Bíblia em toda a minha vida que parti para a leitura deste livro, não sabendo por isso o que era romanceado e o que estava de facto no Antigo Testamento.
A minha relação com os livros de José Saramago é um pouco ambígua, tanto posso adorar os seus livros, como odiá-los. Considero o Ensaio Sobre a Cegueira uma obra extraordinária, assim como a sua adaptação para filme. Caim, com as suas 181 páginas está mais para um conto do que para um romance. Lê-se bastante rápido e no fim deixa-nos a querer mais.
Não posso considerar a escrita de Saramago simples, ou que agrade a toda a gente, mas na minha opinião passando umas quantas páginas entramos nas suas palavras e a estranheza desaparece.
O livro é uma espécie de adaptação romanceada de acontecimentos bíblicos. Com toques de humor, erotismo e bastante fantasia (incluindo viagens no tempo) Saramago transporta-nos para um ambiente muito próprio e que em certas situações nos deixa a pensar. É um livro de quem escreve o que quer e quando quer. E isso transparece em certas frases e diálogos, no qual o escritor toma posições e diz coisas que chocam os mais crentes, como as já celebres frases em que insulta Deus, dizendo que não é de fiar e pior ainda...
Caim é para ser apreciado com ligeireza na minha opinião, como produto de entretenimento e não podemos levá-lo demasiado a sério, mesmo que no fim da sua leitura certas questões acerca de justiça divina e crença nos fiquem a remoer na cabeça...
Foi sem dúvida uma das surpresas do ano para mim e não posso deixar de o recomendar, mesmo para quem nunca leu nada do autor. Caim é um livro que se degusta rapidamente e que nos deixa a querer conhecer mais e mais deste fabuloso escritor português que é José Saramago. – Diogo Martins
Crítica: A Maldição do Anel – Os Cânticos da Valquíria

Título original: La Malédiction de l’Anneau – Les Chants de la Walkyrie
Autor: Édouard Brasey
Tradução: Susana Serrão
Editora: Publicações Europa-América (2009)
Chegou às livrarias no presente mês A Maldição do Anel – Os Cânticos da Valquíria, escrita por Édouard Brasey.
Este livro é como se fosse um compêndio das várias lendas nórdicas que existem. Adoptando algumas alterações, retrata mesmo assim a essência dos mitos que lhe deram origem.
Começa por contar como Odin veio a Midgard uma vez, acompanhado por Loki, e como ai foi amaldiçoado pelo anel dos Nibelungos. O romance conta-nos todos os desastres que advém do facto de Odin ter usado esse anel, e como tudo aquilo em que ele “toca” se torna amaldiçoado e acaba por sofrer um destino trágico.
A história é-nos contada por Brunilde, uma das nove valquírias filhas de Odin com Erda. Ela conta-nos como é que tudo começou, desde que Odin lhe pede para o ajudar a salvar a sua linhagem terrestre até ela ser banida do mundo dos Deuses e dos Homens.
O que mais me fascinou é que enquanto vamos conhecendo a história dos descendentes de Odin e dos de Brunilde vamos, ao mesmo tempo, tomando conhecimento das outras divindades presentes na mitologia Nórdica. Ficamos a saber o que é que deu origem à Terra e muitas outras coisas mais. Ficamos também a conhecer bastante bem Loki, e até ao fim do livro não conseguimos perceber quais são verdadeiramente as intenções deste. Apesar de estarem presentes mais que uma história dentro do mesmo livro, pois ele é uma colecção destas, não se nota nenhuma quebra na acção e as ideias estão muito bem encadeadas.
A escrita é bastante acessível e o romance é muito fácil de ler. É um bom livro para se ir passando o tempo. Achei a ideia de como o livro está estruturado, bastante interessante. E também penso que seja uma boa leitura para quem está interessado em conhecer um pouco mais as lendas ancestrais e as mitologias nórdicas. O livro traz ainda um mapa, o que é bastante útil para que consigamos situar bem a acção no espaço e percebermos como é que se pensava que o mundo era nessa altura.
A única coisa que me fez imensa confusão ao longo de todo o livro foi os erros sistemáticos. Não havia, praticamente, uma página que não fosse possuidora de um erro. Ou troca de sílabas, ou troca de palavras, ou falta de letras… Uma coisa assustadora da qual não estava à espera, e é por isso que faço referência a este facto.
Tirando isso é uma boa aposta e uma leitura agradável. Agora é esperar pelo próximo para saber que outras aventuras a Valquíria nos vai contar enquanto dedilha a sua harpa. – Joana Cardoso.
Este livro é como se fosse um compêndio das várias lendas nórdicas que existem. Adoptando algumas alterações, retrata mesmo assim a essência dos mitos que lhe deram origem.
Começa por contar como Odin veio a Midgard uma vez, acompanhado por Loki, e como ai foi amaldiçoado pelo anel dos Nibelungos. O romance conta-nos todos os desastres que advém do facto de Odin ter usado esse anel, e como tudo aquilo em que ele “toca” se torna amaldiçoado e acaba por sofrer um destino trágico.
A história é-nos contada por Brunilde, uma das nove valquírias filhas de Odin com Erda. Ela conta-nos como é que tudo começou, desde que Odin lhe pede para o ajudar a salvar a sua linhagem terrestre até ela ser banida do mundo dos Deuses e dos Homens.
O que mais me fascinou é que enquanto vamos conhecendo a história dos descendentes de Odin e dos de Brunilde vamos, ao mesmo tempo, tomando conhecimento das outras divindades presentes na mitologia Nórdica. Ficamos a saber o que é que deu origem à Terra e muitas outras coisas mais. Ficamos também a conhecer bastante bem Loki, e até ao fim do livro não conseguimos perceber quais são verdadeiramente as intenções deste. Apesar de estarem presentes mais que uma história dentro do mesmo livro, pois ele é uma colecção destas, não se nota nenhuma quebra na acção e as ideias estão muito bem encadeadas.
A escrita é bastante acessível e o romance é muito fácil de ler. É um bom livro para se ir passando o tempo. Achei a ideia de como o livro está estruturado, bastante interessante. E também penso que seja uma boa leitura para quem está interessado em conhecer um pouco mais as lendas ancestrais e as mitologias nórdicas. O livro traz ainda um mapa, o que é bastante útil para que consigamos situar bem a acção no espaço e percebermos como é que se pensava que o mundo era nessa altura.
A única coisa que me fez imensa confusão ao longo de todo o livro foi os erros sistemáticos. Não havia, praticamente, uma página que não fosse possuidora de um erro. Ou troca de sílabas, ou troca de palavras, ou falta de letras… Uma coisa assustadora da qual não estava à espera, e é por isso que faço referência a este facto.
Tirando isso é uma boa aposta e uma leitura agradável. Agora é esperar pelo próximo para saber que outras aventuras a Valquíria nos vai contar enquanto dedilha a sua harpa. – Joana Cardoso.
Presença vai lançar novo livro de vampiros
A história centra-se em Ariella, uma jovem adolescente de 12 que de um dia para o outro descobre que o seu pai é um vampiro. Decide então embarcar numa viagem em busca da sua identidade e da sua mãe, que desaparecera aquando do seu nascimento.
Diz a editora que é “Uma história surpreendente e cheia de ironia, sobre as novas gerações de vampiros do século XXI e a sua difícil convivência com a sociedade humana.”
A Sociedade do Sangue chega às livrarias a 3 de Novembro. O preço é de 14.90 euros. – Rui Baptista
24.10.09
Crítica: O Psicanalista

Título original: The Analist
Autor: John Katzenbach
Tradução: José Pinto de Sá
Editora: A Esfera dos Livros (2006)
Como grande apreciador de thrillers e depois de ouvir boas críticas em relação a este livro e ao autor, mesmo não o conhecendo, parti para a leitura de O Psicanalista com grande expectativa.
Este livro conta-nos a história do Dr. Frederick Starks, um psicanalista nova-iorquino de classe média-alta, recentemente viúvo, que no dia do seu 53º aniversário recebe uma carta que lhe vira a vida organizada, rotineira e metódica, de pernas para o ar. A misteriosa carta, assinada por um tal de Rumplestiltskin, desafia o psicanalista a entrar num jogo cujo objectivo é descobrir no prazo de duas semanas a verdadeira identidade do autor ou senão terá de se suicidar. Caso não cumpra nenhum destes dois objectivos um dos seus familiares sofrerá as consequências.
“Uma coisa pode ter a certeza. A minha fúria não conhece limites.”
O homem entra numa corrida contra a morte, numa tentativa desesperada de descobrir quem é Rumplestiltskin, mas depressa descobrirá que a sua missão não será fácil, quando começar a ver a sua vida a desabar como um castelo de cartas…
O que mais me marcou nesta obra foi a sua atmosfera. Uma atmosfera crua, cinzenta, claustrofóbica, de paranóia por vezes. E apesar de estar inserido na categoria de thrillers tem uma grande vertente de terror de carga psicológica, devido ao enorme suspense que carrega. Dei por mim a desesperar com o que acontecia ao pobre homem e a desejar que ele se suicidasse de uma vez por todas.
O livro não tem propriamente uma leitura acessível, fazendo uso de teorias freudianas e também de muitas bases da psicanálise para explicar certos acontecimentos. No entanto, ultrapassando a estranheza inicial as páginas começam a voar (488 páginas) sem darmos conta, numa ânsia incontrolável de descobrirmos quem é aquele homem capaz de tudo e que mais parece um Deus, capaz de fazer sentir a sua vontade em qualquer lugar.
A obra está dividida em três partes, se bem que na minha opinião só deveria estar em duas. A primeira relata a destruição do Dr. Frederick Starks; a segunda a sua vingança, o seu renascer das cinzas, podemos mesmo dizer, esta última repartida em dois segmentos que se complementam perfeitamente.
Foi um livro que me marcou, mesmo não se tornando um dos meus preferidos. Marcou-me pela originalidade da história, pela excelente escrita do autor e pelo realismo das situações e cenários. Aconselho a pessoas com nervos de aço e que gostem de uma boa história de suspense à moda antiga.
E depois de terminar a leitura houve um pequeno apontamento que me ficou a remoer na cabeça. Será possível um pequeno erro da nossa parte, mesmo cometido à muitos anos atrás, destruir a nossa vida por completo? – Diogo Martins
Este livro conta-nos a história do Dr. Frederick Starks, um psicanalista nova-iorquino de classe média-alta, recentemente viúvo, que no dia do seu 53º aniversário recebe uma carta que lhe vira a vida organizada, rotineira e metódica, de pernas para o ar. A misteriosa carta, assinada por um tal de Rumplestiltskin, desafia o psicanalista a entrar num jogo cujo objectivo é descobrir no prazo de duas semanas a verdadeira identidade do autor ou senão terá de se suicidar. Caso não cumpra nenhum destes dois objectivos um dos seus familiares sofrerá as consequências.
“Uma coisa pode ter a certeza. A minha fúria não conhece limites.”
O homem entra numa corrida contra a morte, numa tentativa desesperada de descobrir quem é Rumplestiltskin, mas depressa descobrirá que a sua missão não será fácil, quando começar a ver a sua vida a desabar como um castelo de cartas…
O que mais me marcou nesta obra foi a sua atmosfera. Uma atmosfera crua, cinzenta, claustrofóbica, de paranóia por vezes. E apesar de estar inserido na categoria de thrillers tem uma grande vertente de terror de carga psicológica, devido ao enorme suspense que carrega. Dei por mim a desesperar com o que acontecia ao pobre homem e a desejar que ele se suicidasse de uma vez por todas.
O livro não tem propriamente uma leitura acessível, fazendo uso de teorias freudianas e também de muitas bases da psicanálise para explicar certos acontecimentos. No entanto, ultrapassando a estranheza inicial as páginas começam a voar (488 páginas) sem darmos conta, numa ânsia incontrolável de descobrirmos quem é aquele homem capaz de tudo e que mais parece um Deus, capaz de fazer sentir a sua vontade em qualquer lugar.
A obra está dividida em três partes, se bem que na minha opinião só deveria estar em duas. A primeira relata a destruição do Dr. Frederick Starks; a segunda a sua vingança, o seu renascer das cinzas, podemos mesmo dizer, esta última repartida em dois segmentos que se complementam perfeitamente.
Foi um livro que me marcou, mesmo não se tornando um dos meus preferidos. Marcou-me pela originalidade da história, pela excelente escrita do autor e pelo realismo das situações e cenários. Aconselho a pessoas com nervos de aço e que gostem de uma boa história de suspense à moda antiga.
E depois de terminar a leitura houve um pequeno apontamento que me ficou a remoer na cabeça. Será possível um pequeno erro da nossa parte, mesmo cometido à muitos anos atrás, destruir a nossa vida por completo? – Diogo Martins
23.10.09
William Blake numa nova edição
A Assírio & Alvim vai publicar o livro de poesia Canções de Inocência e de Experiência (Songs of Innocence and of Experience: Shewing the Two Contrary States of the Human Soul).Publicado pela primeira vez em 1789, a editora descreve a presente publicação uma “belíssima edição encadernada que reproduz as gravuras originais realizadas por William Blake.
A par com a magnífica tradução de Jorge Vaz de Carvalho este livro permite ao leitor a plena experiência do mistério e beleza presente nos poemas de Blake.
Uma edição a não perder, que oferece uma introdução perfeita ao mundo visionário de Blake.”
O preço é de 12 euros. Rui Baptista
22.10.09
A sua estranha doença interessa-nos
A Saída de Emergência está a organizar um concurso literário no qual convida os “os médicos literatos de língua portuguesa a submetam os casos mais excêntricos com que tenham tido que lidar na sua prática do dia-a-dia, por muito desacreditados que a medicina tradicional os tenha decretado.”
As regras são simples e passamos a cita-las:
• O relatório clínico não deve ter menos de 800 palavras, nem mais de 1500, e deverá preferencialmente seguir a estruturação PRIMEIRO CASO CONHECIDO - SINTOMAS HISTÓRIA - TRATAMENTO, sempre que relevante e existam elementos suficientes para a sua elaboração.
• Os casos apresentados deverão pautar-se, para além da maior competência clínica, pela irrepreensível utilização da língua portuguesa ao serviço de uma imaginação transbordante, original e satírica.
• Os relatórios clínicos - sem limite específico para cada médico, que poderá submeter tantos quantos tenha sido confrontado na sua prática clínica - devem ser enviados para o endereço joao.seixas@gmail.com até 31 de Dezembro de 2009, tendo como assunto: GUIA LAMBSHEAD – SUBMISSÃO
Alguns exemplos poderão ser encontrados aqui.
Após a selecção dos trabalhos, estes serão publicados numa antologia onde figuram autores como Alan Moore, Michael Moorcock, China Mieville, Neil Gaiman e outros.
Este concurso literário surge no seguimento do lançamento da antologia The Thackery T. Lambshead Pocket Guide to Eccentric & Discredited Diseases (2003), que a Saída de Emergência está a preparar.Como o nome indica é um Guia de bolso para doenças excêntricas e desacreditadas, no qual participaram os autores acima referidos. A versão portuguesa, por sua vez, além de todos os textos originais, contará com os vencedores do concurso literário.
A edição está a cargo de João Seixas, ele que foi também responsável pela antologia Com a Cabeça na Lua (ler crítica).
A tradução está também nas mãos de João Seixas. No entanto poderão vir a colaborar no projecto.
O Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead para Doenças Excêntricas e Desacreditadas (título provisório), ainda não tem data de lançamento, mas deverá acontecer ainda no próximo ano. – Rui Baptista
Crítica: Prom Night - A Última Noite

Realização: Nelson McCormick
Argumento: J.S. Cardone
Ano: 2008 (Estados Unidos)
IMDb
O Halloween aproxima-se e com ele tem saído uma colecção de DVD’s de terror à venda nas papelarias e quiosques. Comprei um desses packs que continha O Pacto (The Covenant) e Prom Night - A Última Noite. É sobre este último que me vou debruçar, pois é a prova de como um filme que à partida parece ser mau, tem alguns aspectos que surpreendem.
Prom Night é o remake (muito diferente) do filme e 1980 com o mesmo nome (ler crítica). Segue o baile de finalistas de Donna (Brittany Snow), uma adolescente que três anos antes assistiu ao assassinato da sua família pelas mãos do seu professor (Johnathon Schaech), psicopata e obcecado por ela. Enquanto ela se diverte com os amigos, a polícia recebe a notícia da fuga do predador. No entanto, ele já está no hotel onde acontece o baile para iniciar a chacina.
O que à partida me parecia ser um típico filme de terror para adolescentes, com os frequentes clichés, foi melhorando ligeiramente a cada cena e reviravolta da história. As cenas de terror excessivo cedem lugar a uma boa caracterização do assassino do filme que em vez de assustar o espectador, choca com a sua loucura e obsessão. O facto de ele parecer uma pessoa real, em vez dos assassinos quase sobrenaturais deste tipo de filmes, também intensifica o clima de tensão.
É certo que o filme não foge à habitual fórmula da morte de cada uma das personagens até chegar à protagonista e cada cena é muito previsível. Mas o foco da história está na perseguição doentia de um homem mais velho em relação à sua vítima adolescente e o impacto psicológico que isso tem numa personagem mártir e é isso que acaba por salvar o filme.
No entanto, o filme acaba por falhar imensamente quando privilegia essa perseguição. Há falta de maior suspense, mais terror, aproximando-se mais de um thriller do que de um filme de terror.
Prom Night é o filme ideal para uma noite de Halloween, mas apenas para aquelas pessoas mais sensíveis que preferem um filme de terror mais light em vez de uma história mais chocante e com cenas gore. Teve péssimas críticas em todo o mundo, especialmente porque em nada tem a ver com a qualidade do filme original de 1980. Ainda assim, é um bom momento de entretenimento para quem gosta deste género de filme mais comercial. – Fábio Ventura
Prom Night é o remake (muito diferente) do filme e 1980 com o mesmo nome (ler crítica). Segue o baile de finalistas de Donna (Brittany Snow), uma adolescente que três anos antes assistiu ao assassinato da sua família pelas mãos do seu professor (Johnathon Schaech), psicopata e obcecado por ela. Enquanto ela se diverte com os amigos, a polícia recebe a notícia da fuga do predador. No entanto, ele já está no hotel onde acontece o baile para iniciar a chacina.
O que à partida me parecia ser um típico filme de terror para adolescentes, com os frequentes clichés, foi melhorando ligeiramente a cada cena e reviravolta da história. As cenas de terror excessivo cedem lugar a uma boa caracterização do assassino do filme que em vez de assustar o espectador, choca com a sua loucura e obsessão. O facto de ele parecer uma pessoa real, em vez dos assassinos quase sobrenaturais deste tipo de filmes, também intensifica o clima de tensão.
É certo que o filme não foge à habitual fórmula da morte de cada uma das personagens até chegar à protagonista e cada cena é muito previsível. Mas o foco da história está na perseguição doentia de um homem mais velho em relação à sua vítima adolescente e o impacto psicológico que isso tem numa personagem mártir e é isso que acaba por salvar o filme.
No entanto, o filme acaba por falhar imensamente quando privilegia essa perseguição. Há falta de maior suspense, mais terror, aproximando-se mais de um thriller do que de um filme de terror.
Prom Night é o filme ideal para uma noite de Halloween, mas apenas para aquelas pessoas mais sensíveis que preferem um filme de terror mais light em vez de uma história mais chocante e com cenas gore. Teve péssimas críticas em todo o mundo, especialmente porque em nada tem a ver com a qualidade do filme original de 1980. Ainda assim, é um bom momento de entretenimento para quem gosta deste género de filme mais comercial. – Fábio Ventura
Crítica: The Hills Have Eyes (remake)

Realização: Alexandre Aja
Argumento: Alexandre Aja, Grégory Levasseur
Ano: 2006 (Estados Unidos)
Site oficial
IMDb
The lucky ones die first.
Um novo remake chega novamente aos cinemas, desta feita do clássico de 1977, com o mesmo nome e da autoria de Wes Craven (Nightmare on Elm Street).
Seguindo os passos do original, o filme relata os incidentes sofridos por uma família durante a sua passagem pelo deserto mexicano e que após uma avaria no carro se vê isolada de qualquer vestígio da civilização, ou pelo menos assim pensam eles.
De facto, de um momento para o outro, a família é brutalmente atacada por um grupo de mutantes deformados e sedentos de sangue, encontro do qual apenas escapam quatro elementos: Doug (Aaron Stanford; X-Men: Last Stand), Brenda (Emilie de Ravin; Lost), Bobby (Dan Byrd; A Cinderella Story) e um bebé, que acaba por ser raptado.
O enredo, mascarado por tanta morte e selvajaria, é bastante simples e tem como objectivo focar e perceber o comportamento de pessoas normais, quando sujeitas a situações extremas. Isso é facilmente reflectido em Doug, que inicialmente nos é apresentado como alguém inofensivo, caprichoso e mimado mas que após o rapto do seu bebé se transforma totalmente.
Deixando os jovens adolescentes para trás, Doug embarca então numa viagem cujo destino lhe leva à tenebrosa aldeia dos mutantes, aniquilando e destruindo sem piedade todos os seus obstáculos.
The Hills Have Eyes inunda o espectador com violência, brutalidade e ainda mais violência havendo frequentemente sangue nas cenas, membros decepados, cabeças decapitadas e criaturas grotescas e cruéis.
Realmente, em termos visuais este remake resulta muito bem e o nível de credibilidade é elevado. Em contrapartida o excesso de violência provoca uma sensação geral de desconforto, deixando o espectador um pouco mais chocado do que seria apreciável. – Francisco Vidal
Seguindo os passos do original, o filme relata os incidentes sofridos por uma família durante a sua passagem pelo deserto mexicano e que após uma avaria no carro se vê isolada de qualquer vestígio da civilização, ou pelo menos assim pensam eles.
De facto, de um momento para o outro, a família é brutalmente atacada por um grupo de mutantes deformados e sedentos de sangue, encontro do qual apenas escapam quatro elementos: Doug (Aaron Stanford; X-Men: Last Stand), Brenda (Emilie de Ravin; Lost), Bobby (Dan Byrd; A Cinderella Story) e um bebé, que acaba por ser raptado.
O enredo, mascarado por tanta morte e selvajaria, é bastante simples e tem como objectivo focar e perceber o comportamento de pessoas normais, quando sujeitas a situações extremas. Isso é facilmente reflectido em Doug, que inicialmente nos é apresentado como alguém inofensivo, caprichoso e mimado mas que após o rapto do seu bebé se transforma totalmente.
Deixando os jovens adolescentes para trás, Doug embarca então numa viagem cujo destino lhe leva à tenebrosa aldeia dos mutantes, aniquilando e destruindo sem piedade todos os seus obstáculos.
The Hills Have Eyes inunda o espectador com violência, brutalidade e ainda mais violência havendo frequentemente sangue nas cenas, membros decepados, cabeças decapitadas e criaturas grotescas e cruéis.
Realmente, em termos visuais este remake resulta muito bem e o nível de credibilidade é elevado. Em contrapartida o excesso de violência provoca uma sensação geral de desconforto, deixando o espectador um pouco mais chocado do que seria apreciável. – Francisco Vidal
Crítica: Secret Window

Realização: David Koepp
Argumento: David Koepp
Ano: 2004 (Estados Unidos)
Site oficial
IMDb
Some windows should never be opened.
Baseado num dos contos do mestre de terror Stephen King (The Shinning), surge Secret Window, que conta com a participação de Johnny Depp (Corpse Bride) no papel de Mort Rainey.
Este escritor solitário, refugiado numa pequena cabana longe da civilização e num difícil processo de divórcio com Amy (Maria Bello; Coyote Ugly), recebe uma visita de um estranho homem que o acusa de plágio. A partir desse dia, a sua vida nunca mais é a mesma.
Inicialmente o que não passa de avisos e insinuações dissimulados por parte do misterioso homem (John Turturro; Transformers), depressa se traduzem em ameaças, o que leva Mort a entrar num universo de insegurança e paranóia. Numa corrida contra o tempo, o desorientado escritor vai lutando pela sua inocência, ao mesmo tempo que algo muito mais complexo e perturbante vai sendo revelado no íntimo do seu ser.
Secret Window não assenta completamente na categoria de terror, embora existam de facto umas cenas que se encaixam na perfeição no género mas, mesmo para um thriller psicológico, o filme parece algo simplista, desenrolando-se por vezes a um ritmo lento demais.
O próprio ‘segredo’ do filme, revelado no final, não é de todo atraente, apesar de alguns pormenores finais serem inesperados.
Em termos de prestações, é de notar a singularidade de Johnny Depp e a interpretação fria e diabólica, tão bem adequada ao seu personagem, de John Turturro, as únicas mais-valias de um filme pouco memorável.
De certo que Secret Window não é desinteressante, mas das variadas adaptações cinematográficas que já foram realizadas com base nos livros de Stephen King, esta é com certeza uma das que menos se destaca. – Francisco Vidal
Baseado num dos contos do mestre de terror Stephen King (The Shinning), surge Secret Window, que conta com a participação de Johnny Depp (Corpse Bride) no papel de Mort Rainey.
Este escritor solitário, refugiado numa pequena cabana longe da civilização e num difícil processo de divórcio com Amy (Maria Bello; Coyote Ugly), recebe uma visita de um estranho homem que o acusa de plágio. A partir desse dia, a sua vida nunca mais é a mesma.
Inicialmente o que não passa de avisos e insinuações dissimulados por parte do misterioso homem (John Turturro; Transformers), depressa se traduzem em ameaças, o que leva Mort a entrar num universo de insegurança e paranóia. Numa corrida contra o tempo, o desorientado escritor vai lutando pela sua inocência, ao mesmo tempo que algo muito mais complexo e perturbante vai sendo revelado no íntimo do seu ser.
Secret Window não assenta completamente na categoria de terror, embora existam de facto umas cenas que se encaixam na perfeição no género mas, mesmo para um thriller psicológico, o filme parece algo simplista, desenrolando-se por vezes a um ritmo lento demais.
O próprio ‘segredo’ do filme, revelado no final, não é de todo atraente, apesar de alguns pormenores finais serem inesperados.
Em termos de prestações, é de notar a singularidade de Johnny Depp e a interpretação fria e diabólica, tão bem adequada ao seu personagem, de John Turturro, as únicas mais-valias de um filme pouco memorável.
De certo que Secret Window não é desinteressante, mas das variadas adaptações cinematográficas que já foram realizadas com base nos livros de Stephen King, esta é com certeza uma das que menos se destaca. – Francisco Vidal
20.10.09
E os zombies continuam a atacar os clássicos…
Não bastava a terrível febre do remakes por parte dos estúdios de cinema norte-americanos, agora o mesmo mal parece ter chegado também aos clássicos da literatura. Mas aqui, a “preguiça” agrava-se.O primeiro a aventurar-se foi Seth Grahame-Smith com Pride and Prejudice and Zombies: The Classic Regency Romance, que revisitou um clássico de Jane Austen. O autor reescreveu apenas 15% da obra original.
A ideia até parecia ser gira. Tem uma capa bastante apelativa, o livro foi bem recebido pela crítica e a imprensa (e a blogosfera) depressa proporcionaram-lhe uma imensa publicidade. E aparentemente o livro até vendeu razoavelmente bem. Razões mais que suficientes para que Grahame-Smith assinasse um acordo com a editora para mais duas obras do género.
No entanto, as cópias não se fizeram esperar. Eric S. Brown rescreveu H.G. Wells, The War of the Worlds Plus Blood, Guts and Zombies, W. Bill Czolgosz, um clássico de Mark Twain, Adventures of Huckleberry Finn and Zombie Jim: Mark Twain's Classic with Crazy Zombie Goodness e Ryan C. Thomas um clássico de L. Frank Baum, The Undead World of Oz: L. Frank Baum's The Wonderful Wizard of Oz Complete with Zombies and Monsters.
Felizmente, poderíamos pensar nós, ainda há quem tente ser mais original que os outros. Ben H. Winters escolheu também um romance de Jane Austen, mas aqui trocou os zombies por monstros marinhos, Sense and Sensibility and Sea Monsters.
Haja paciência! Recuso-me veementemente a ler qualquer um destes livros ou outro qualquer que venha a surgir. A menos que seja obrigado a fazê-lo, o que duvido muito.
Antes de terminar convido-vos a ler a crítica de livro Pride and Prejudice and Zombies, que a Camida D. escreveu para o seu blog, Liquid dreams of… – Rui Baptista




Crítica: Clube de Sangue

Título original: Club Dead
Autor: Charlaine Harris
Tradução: Renato Carreira
Editora: Saída de Emergência (2009)
Clube de Sangue é o terceiro volume da Saga do Sangue Fresco de Charlaine Harris.
Desta vez Bill está fora de Bon Temps, numa missão secreta para a rainha do Mississipi, mas algo corre mal e Sookie parte em busca do seu namorado vampiro. Para além dos habituais vampiros, em Clube de Sangue são introduzidos novos personagens sobrenaturais como duendes e lobisomens. E para juntar aos homens interessados em Sookie aparece mais um, Alcides Herveaux.
A escrita de Charlaine Harris continua igual a si própria. Leve, divertida, sensual e cheia de tiradas sarcásticas que roubam sorrisos a qualquer um, tornando a obra um vício de consumo rápido. Cada livro é uma história diferente e as localizações vão mudando também, dando vastidão de intervenientes e cenários que não cansa o leitor. Conhece-mos cada vez melhor as personagens principais, ganhando motivos para odiar uns e amar ainda mais outros.
Este foi o primeiro livro da saga que li desde que comecei a ver a excelente série televisiva, o que me permitiu visualizar muito melhor os cenários e as personagens. Para mim o momento alto do livro foi a curta mas deliciosa cena de sexo entre Eric e Sookie. E é isso mesmo que na minha opinião torna estes livros tão únicos e especiais, a constante presença de momentos de tensão sexual e ambiguidade dos sentimentos da personagem principal, misturados com acção e um humor muito peculiar.
Não existem grandes pontos negativos a apontar. Senti um pouco falta de Bon Temps e de todas as suas personagens, mas é meramente uma questão de gosto próprio.
Nota positiva para as fantásticas capas e a tradução impecável.
Para os fãs desta saga em Portugal resta-nos ainda bastantes livros a serem traduzidos pela Saída de Emergência, estando já anunciado o título Traição de Sangue para o quarto volume. Na sua versão original, a autora está já a escrever o décimo primeiro livro, intitulado Dead in the Family com edição marcada para Maio de 2010. – Diogo Martins
Da mesma autora:
Sangue Fresco (Rui Baptista)
Dívida de Sangue (Rui Baptista)
Clube de Sangue (Rui Baptista)
Desta vez Bill está fora de Bon Temps, numa missão secreta para a rainha do Mississipi, mas algo corre mal e Sookie parte em busca do seu namorado vampiro. Para além dos habituais vampiros, em Clube de Sangue são introduzidos novos personagens sobrenaturais como duendes e lobisomens. E para juntar aos homens interessados em Sookie aparece mais um, Alcides Herveaux.
A escrita de Charlaine Harris continua igual a si própria. Leve, divertida, sensual e cheia de tiradas sarcásticas que roubam sorrisos a qualquer um, tornando a obra um vício de consumo rápido. Cada livro é uma história diferente e as localizações vão mudando também, dando vastidão de intervenientes e cenários que não cansa o leitor. Conhece-mos cada vez melhor as personagens principais, ganhando motivos para odiar uns e amar ainda mais outros.
Este foi o primeiro livro da saga que li desde que comecei a ver a excelente série televisiva, o que me permitiu visualizar muito melhor os cenários e as personagens. Para mim o momento alto do livro foi a curta mas deliciosa cena de sexo entre Eric e Sookie. E é isso mesmo que na minha opinião torna estes livros tão únicos e especiais, a constante presença de momentos de tensão sexual e ambiguidade dos sentimentos da personagem principal, misturados com acção e um humor muito peculiar.
Não existem grandes pontos negativos a apontar. Senti um pouco falta de Bon Temps e de todas as suas personagens, mas é meramente uma questão de gosto próprio.
Nota positiva para as fantásticas capas e a tradução impecável.
Para os fãs desta saga em Portugal resta-nos ainda bastantes livros a serem traduzidos pela Saída de Emergência, estando já anunciado o título Traição de Sangue para o quarto volume. Na sua versão original, a autora está já a escrever o décimo primeiro livro, intitulado Dead in the Family com edição marcada para Maio de 2010. – Diogo Martins
Da mesma autora:
Sangue Fresco (Rui Baptista)
Dívida de Sangue (Rui Baptista)
Clube de Sangue (Rui Baptista)
Crítica: A Guilda dos Mágicos

Título Original: The Magicians’ Guild – The Black Magician Trilogy, Book One
Autor: Trudi Canavan
Tradução: Andreia Mendonça
Editora: Bertrand Editora
As editoras portuguesas têm apostado cada vez mais em obras de fantasia, especialmente em trilogias que têm feito grande sucesso no estrangeiro. Desta vez foi a Bertrand a apostar na australiana Trudi Canavan e na sua Trilogia do Mágico Negro, que tem feito sucesso lá fora e até conseguiu o espantoso feito de se tornar numa autora best-seller do New York Times. Apesar de o último capítulo ter sido publicado em 2003, só agora chega a Portugal a primeira parte desta trilogia.
Este primeiro livro segue a história de Sonea, uma jovem rapariga que vive numa favela de uma cidade com traços medievais, Imardin. Todos os anos essa cidade é “purificada” de todos os pobres, vagabundos e ladrões pelos Mágicos. Revoltada com essa situação de miséria e preconceito, Sonea ataca acidentalmente os Mágicos com magia que nem ela sabia que tinha. A partir daí inicia-se uma autêntica perseguição dos Mágicos que temem o descontrole dos poderes mágicos selvagens da rapariga. Por sua vez, ela tenta desesperadamente esconder-se deles com a ajuda de alguns companheiros criminosos.
Dividido em duas partes e escrito na 3ª pessoa, o leitor acompanha várias personagens, embora Sonea seja a protagonista. A história está mais ou menos tripartida entre ela, os Mágicos e os ladrões, para que o leitor tenha acesso às várias versões da mesma acção.
O livro está extremamente bem escrito e o trabalho de tradução está excelente, gratificando-nos até um sotaque característico dos que vivem na favela. A linguagem utilizada, ainda que simples e fluída, combina com a história sólida que segue a perseguição de Sonea, a mágica selvagem (parte 1), e a sua entrada para a Universidade de Mágicos (parte 2).
As personagens são engraçadas e variadas e a sua ambiguidade entra em harmonia com as conspirações e intrigas que a história refere, embora por vezes as suas emoções se percam nas descrições de cenas de acção ou cenários.
Mas apesar da solidez da história de fantasia e das personagens peculiares, o livro tem alguns aspectos que, a meu ver, falham. A história não é empolgante nem tem elementos que convidam a uma rápida leitura. Não há uma boa contextualização do mundo em que vivem as personagens, estando tudo muito centrado só naquela cidade. Os diálogos excessivos e a alta previsibilidade da história fazem com que o leitor mais exigente não sinta necessidade de “consumir” o livro. Além disso, a história não é muito original e é fácil compará-la a outras obras de Fantasia.
O primeiro livro desta trilogia, A Guilda dos Mágicos é uma boa aposta da Bertrand para quem aprecia obras de Fantasia medieval com um toque feminino e jovem. É uma obra que vai agradar aos fãs de Harry Potter que procuram algo mais maduro, pela componente pedagógica que é dada à magia. Mas numa altura em que há cada vez mais títulos de fantasia no mercado, a originalidade e a componente “viciante” num livro é essencial e neste não está muito presente.
Ainda assim, recomendo e vou aguardar ansiosamente pela publicação dos dois capítulos seguintes em Portugal. – Fábio Ventura
Este primeiro livro segue a história de Sonea, uma jovem rapariga que vive numa favela de uma cidade com traços medievais, Imardin. Todos os anos essa cidade é “purificada” de todos os pobres, vagabundos e ladrões pelos Mágicos. Revoltada com essa situação de miséria e preconceito, Sonea ataca acidentalmente os Mágicos com magia que nem ela sabia que tinha. A partir daí inicia-se uma autêntica perseguição dos Mágicos que temem o descontrole dos poderes mágicos selvagens da rapariga. Por sua vez, ela tenta desesperadamente esconder-se deles com a ajuda de alguns companheiros criminosos.
Dividido em duas partes e escrito na 3ª pessoa, o leitor acompanha várias personagens, embora Sonea seja a protagonista. A história está mais ou menos tripartida entre ela, os Mágicos e os ladrões, para que o leitor tenha acesso às várias versões da mesma acção.
O livro está extremamente bem escrito e o trabalho de tradução está excelente, gratificando-nos até um sotaque característico dos que vivem na favela. A linguagem utilizada, ainda que simples e fluída, combina com a história sólida que segue a perseguição de Sonea, a mágica selvagem (parte 1), e a sua entrada para a Universidade de Mágicos (parte 2).
As personagens são engraçadas e variadas e a sua ambiguidade entra em harmonia com as conspirações e intrigas que a história refere, embora por vezes as suas emoções se percam nas descrições de cenas de acção ou cenários.
Mas apesar da solidez da história de fantasia e das personagens peculiares, o livro tem alguns aspectos que, a meu ver, falham. A história não é empolgante nem tem elementos que convidam a uma rápida leitura. Não há uma boa contextualização do mundo em que vivem as personagens, estando tudo muito centrado só naquela cidade. Os diálogos excessivos e a alta previsibilidade da história fazem com que o leitor mais exigente não sinta necessidade de “consumir” o livro. Além disso, a história não é muito original e é fácil compará-la a outras obras de Fantasia.
O primeiro livro desta trilogia, A Guilda dos Mágicos é uma boa aposta da Bertrand para quem aprecia obras de Fantasia medieval com um toque feminino e jovem. É uma obra que vai agradar aos fãs de Harry Potter que procuram algo mais maduro, pela componente pedagógica que é dada à magia. Mas numa altura em que há cada vez mais títulos de fantasia no mercado, a originalidade e a componente “viciante” num livro é essencial e neste não está muito presente.
Ainda assim, recomendo e vou aguardar ansiosamente pela publicação dos dois capítulos seguintes em Portugal. – Fábio Ventura
19.10.09
Crítica: Orphan

Realização: Jaume Collet-Serra
Argumento: David Johnson
Ano: 2009 (Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França)
Site oficial
IMDb
There's something wrong with Esther.
Do mesmo realizador de House of Wax (ler crítica), chega-nos Orphan, uma fusão de vários géneros cinematográficos rasgada pela incomparável interpretação dos actores envolvidos. Destaca-se em especial a jovem Isabelle Fuhrman no papel de Esther, a misteriosa órfã que é adoptada pelo casal Coleman e cuja aparente inocência está longe de ser genuína.
Mais do que se aventurar imediatamente pelo aliciante rumo do terror, Orphan ocupa uma boa parte da sua longevidade a construir uma base dramática. Kate (Vera Farmiga; Joshua) e John (Peter Sarsgaard; The Skeleton Key) estão longe de ser o casal tipicamente feliz por terem de lidar diariamente com a morte de um dos filhos. Para além de viver com o estigma da culpa, entre outras coisas, têm também a preocupação acrescida de cuidar da filha mais nova, que é muda e praticamente surda. Quando Esther é incluída na família, a dinâmica familiar é posta à prova e a tensão emocional entre o casal, já de si volátil, acaba por explodir.
Aparte do estilo dramático ímpar da trama, existem vários momentos perturbadores, sendo que a maioria deles resultam da interacção de Esther com os seus novos irmãos, sobre os quais a sua malevolência é mais refinada. Já os sustos propriamente ditos são escassos e quando surgem são tudo menos memoráveis
O terrível segredo da órfã é cuidadosamente escondido até ao clímax do filme no qual o suspense sofre uma metamorfose, deixando finalmente irromper a violência. Nessa altura o ritmo do filme acelera bastante mas perde-se um pouco nos clichés do costume e acaba por não explorar o passado de Esther de um modo suficientemente satisfatório para credibilizar a sua personalidade lunática e monstruosa.
Em suma e aspectos cinematográficos à parte, Orphan é um filme que acima de tudo mostra como a manipulação pode ter tanto de magnético como de arrepiante e como, quando usada pela pessoa errada, pode ter consequências assustadoras. – Francisco Vidal
Mais do que se aventurar imediatamente pelo aliciante rumo do terror, Orphan ocupa uma boa parte da sua longevidade a construir uma base dramática. Kate (Vera Farmiga; Joshua) e John (Peter Sarsgaard; The Skeleton Key) estão longe de ser o casal tipicamente feliz por terem de lidar diariamente com a morte de um dos filhos. Para além de viver com o estigma da culpa, entre outras coisas, têm também a preocupação acrescida de cuidar da filha mais nova, que é muda e praticamente surda. Quando Esther é incluída na família, a dinâmica familiar é posta à prova e a tensão emocional entre o casal, já de si volátil, acaba por explodir.
Aparte do estilo dramático ímpar da trama, existem vários momentos perturbadores, sendo que a maioria deles resultam da interacção de Esther com os seus novos irmãos, sobre os quais a sua malevolência é mais refinada. Já os sustos propriamente ditos são escassos e quando surgem são tudo menos memoráveis
O terrível segredo da órfã é cuidadosamente escondido até ao clímax do filme no qual o suspense sofre uma metamorfose, deixando finalmente irromper a violência. Nessa altura o ritmo do filme acelera bastante mas perde-se um pouco nos clichés do costume e acaba por não explorar o passado de Esther de um modo suficientemente satisfatório para credibilizar a sua personalidade lunática e monstruosa.
Em suma e aspectos cinematográficos à parte, Orphan é um filme que acima de tudo mostra como a manipulação pode ter tanto de magnético como de arrepiante e como, quando usada pela pessoa errada, pode ter consequências assustadoras. – Francisco Vidal
Crítica: Os Jogos da Fome

Título original: The Hunger Games
Autora: Suzanne Collins
Tradução: Jaime Araújo
Editora: Editorial Presença (2009)
“Num futuro pós-apocalíptico surge, das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa doze Distritos com uma mão de ferro.
Uma anterior revolta fracassada dos Distritos conta o Capitol resultou num acordo de rendição em que os distritos se comprometem a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome – um espectáculo sangrento de combates mortais com transmissão televisiva onde o lema é «matar ou morrer».
No final apenas um destes jovens escapará com vida.”
Logo à partida, é difícil não estabelecer comparações com o romance de Koushun Takami, Battle Royale (1999). A premissa de ambos é bastante semelhante, mas enquanto que Battle Royale é assumidamente para adultos – é agressivo, feroz, violento e bastante gráfico –, já Os Jogos da Fome, destina-se a um público mais jovem. E aqui entramos em contradição.
“ – Quando soar o gongo, fujam logo dali. Nenhum de vocês está preparado para o banho de sangue na Cornucópia.”
A autora oculta-nos os detalhes mais gráficos, mas nem sempre parece lembrar de o fazer. E se por um lado a história de Suzanne Collins indica-nos que estamos diante de um romance para um público mais jovem, por outro lado, não são raros os momentos em que fica a sensação de que o romance destina-se a uma faixa etária mais alta, dada as situações mais complexas de difíceis em que as personagens por vezes se encontram.
O romance é-nos apresentado como sendo de ficção científica, no entanto o que mais se sente é uma crescente angústia e horror. E como acompanhamos a história sempre do ponto de vista da personagem principal, Katniss, uma jovem adolescente de 16 anos, mais facilmente esses sentimentos são transmitidos aos leitores.
Infelizmente, toda essa angústia acaba por desvanecer a certa altura do romance, passando a dar lugar a uma visão utópica já explorada por muitos autores. Não quer isto dizer que o livro perca qualidade, Suzanne Collins mantém sempre um nível elevado na escrita – que Jaime Araújo fez o favor de traduzir bem.
O mais interessante é que Os Jogos da Morte é o primeiro livro de uma trilogia. Catching Fire, o segundo volume, foi publicado muito recente nos Estados Unidos. Assim poderemos esperar melhorias, ou tão somente a continuação de um bom romance.
E para quem possa pensar que Os Jogos da Fome destinam-se apenas ao público mais jovem, desengane-se. Este é um romance obrigatório para todos, em especial para os amantes de literatura fantástica. – Rui Baptista
Uma anterior revolta fracassada dos Distritos conta o Capitol resultou num acordo de rendição em que os distritos se comprometem a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome – um espectáculo sangrento de combates mortais com transmissão televisiva onde o lema é «matar ou morrer».
No final apenas um destes jovens escapará com vida.”
Logo à partida, é difícil não estabelecer comparações com o romance de Koushun Takami, Battle Royale (1999). A premissa de ambos é bastante semelhante, mas enquanto que Battle Royale é assumidamente para adultos – é agressivo, feroz, violento e bastante gráfico –, já Os Jogos da Fome, destina-se a um público mais jovem. E aqui entramos em contradição.
“ – Quando soar o gongo, fujam logo dali. Nenhum de vocês está preparado para o banho de sangue na Cornucópia.”
A autora oculta-nos os detalhes mais gráficos, mas nem sempre parece lembrar de o fazer. E se por um lado a história de Suzanne Collins indica-nos que estamos diante de um romance para um público mais jovem, por outro lado, não são raros os momentos em que fica a sensação de que o romance destina-se a uma faixa etária mais alta, dada as situações mais complexas de difíceis em que as personagens por vezes se encontram.
O romance é-nos apresentado como sendo de ficção científica, no entanto o que mais se sente é uma crescente angústia e horror. E como acompanhamos a história sempre do ponto de vista da personagem principal, Katniss, uma jovem adolescente de 16 anos, mais facilmente esses sentimentos são transmitidos aos leitores.
Infelizmente, toda essa angústia acaba por desvanecer a certa altura do romance, passando a dar lugar a uma visão utópica já explorada por muitos autores. Não quer isto dizer que o livro perca qualidade, Suzanne Collins mantém sempre um nível elevado na escrita – que Jaime Araújo fez o favor de traduzir bem.
O mais interessante é que Os Jogos da Morte é o primeiro livro de uma trilogia. Catching Fire, o segundo volume, foi publicado muito recente nos Estados Unidos. Assim poderemos esperar melhorias, ou tão somente a continuação de um bom romance.
E para quem possa pensar que Os Jogos da Fome destinam-se apenas ao público mais jovem, desengane-se. Este é um romance obrigatório para todos, em especial para os amantes de literatura fantástica. – Rui Baptista
18.10.09
David Soares regressa à BD
Autor dos romances A Conspiração dos Antepassados e Lisboa Triunfante (ler crítica), David Soares é também responsável por trabalhos de banda desenhada como Mr. Burroughs, Cidade-Túmulo e A última grande sala de cinema. Seis anos depois regressa à 9ª Arte com Mucha.O argumento foi escrito por David Soares. Osvaldo Medina (A Fórmula da Felicidade) e Mário Freitas (Super Pig) ilustraram “num estilo negro singular que recupera o expressionismo gótico das bandas desenhadas clássicas de horror”. A publicação é da responsabilidade da Kingpin Books.
Segundo nos explicou David Soares, Mucha “é uma história de horror sobre uma camponesa polaca que se vê, de um dia para o outro, numa situação de extrema sobrevivência. A época é o final dos anos 30 do século XX, mas a ameaça nazi não é tão aterrorizante quanto a desumanização que caiu, sem explicação aparente, sobre a aldeia da personagem principal. Mucha tem como inspiração a peça de teatro Rhinocéros, de Eugène Ionesco, e consiste num pesadelo negríssimo e, espero eu, que dê que pensar.”
Ainda da nota final que Mário Freitas nos fez chegar “Mucha é uma extravagância visceral sobre a ameaça de desumanização que pende sobre a cabeça de Rusalka, uma camponesa que se vê, de um dia para o outro, imergida num mundo que insiste em ser uniforme, perigoso e destituído de qualidades.”
Mucha vai ser lançado no Festival Internacional de BD da Amadora no dia 24 de Outubro, à tarde e contará com a presença dos autores. Durante o festival vai estar patente, entre outras, a exposição com pranchas originais álbum Mucha, mas também do álbum A Fórmula da Felicidade.
O FIBDA decorrente entre os dias 23 de Outubro e 8 de Novembro.
O preço do álbum é de 8.95€. Além do festival, poderá também ser adquirido na Kingpin Books em Lisboa. A partir de Novembro pode ser comprado na Fnac, na Almedina, na Tema e na Mongorhead, todas em Lisboa, no Mundo Fantasma no Porto, na Dr.Kartoon em Coimbra e na Área 9 em Aveiro.
Ainda o escritor, para o próximo ano vamos poder ler o seu novo romance que será publicado também pela Saída de Emergência. E actualmente, está a escrever uma “fábula negra” para a colecção Teen, também da SdE. – Rui Baptista




Saída de Emergência vai publicar Flashforward
Sem revelar grandes pormenores a SdE anunciou através do Twitter que vai lançar “em breve” o romance de Robert J Sawyer.Em Flashforward um acidente durante a realização de uma experiência científica, a consciência de todas as pessoas no mundo é transportada 20 anos no futuro. Durante os minutos em que estiveram “inconscientes”, foi o tempo suficiente para causar o caos e destruição de enormes proporções. Após recuperarem do choque inicial, as várias personagens do livro tentam assumir ou evitar o seu futuro…
Flashforward foi adaptado (livremente) para a televisão. A série com o mesmo título, está actualmente a ser exibida no canal AXN. – Rui Baptista
Crítica: Clube de Sangue

Tíltulo original: Club Dead
Autor: Charlaine Harris
Tradução: Renato Carreira
Editora: Saída de Emergência (2009)
Neste terceiro volume Sookie Stackhouse vê-se obrigada a ir a Jackson, Mississípi, para tentar salvar o seu namorado Bill. Contudo, nem tudo é o que parece e as suspeitas de uma traição começam a ganhar fundamento, colocando-a assim diante de um dilema cada vez maior…
Sempre do ponto de vista de Sookie, a escrita de Charleine Harris continua a ser simples e fluída. E a par com um conjunto de personagens fantásticas a série Sangue Fresco parece ficar cada vez melhor à medida que é publicado um novo livro.
O mais interessante nisto, é que não se sente uma evolução significativa na escrita entre os livros. A maior evolução advém das personagens, que não só ficamos a conhecer melhor, como também a gostar mais, ou menos…
É certo que Sangue Fresco beneficiou e muito com uma adaptação televisiva, bem conseguida e suportada por um leque de bons actores, assim um bom argumento. Mas muito do mérito continua a ser de Charlaine Harris, afinal foi ela quem criou todo este mundo povoado de vampiros e outras criaturas nocturnas.
Se por um lado a série televisiva permitiu a existência de um maior número de personagens e um enredo maior e mais desenvolvido, algo que nos livros teria exigido um elevado número de páginas, agora os livros começam também a mostrar um desenvolvimento semelhante, ainda que com menos personagens e histórias secundárias. E sem a série a sobrepor-se aos romances – a terceira temporada ainda está ser produzida –, Sangue Fresco tem agora a oportunidade para mostrar por que é considerada tão interessante.
Quanto à Saída de Emergência, apenas podemos esperar que continue a fazer o excelente trabalho ao publicar a série. Quanto ao tradutor, Renato Carreira, também está de parabéns. – Rui Baptista
Da mesma autora:
Sangue Fresco Dívida de Sangue
Sempre do ponto de vista de Sookie, a escrita de Charleine Harris continua a ser simples e fluída. E a par com um conjunto de personagens fantásticas a série Sangue Fresco parece ficar cada vez melhor à medida que é publicado um novo livro.
O mais interessante nisto, é que não se sente uma evolução significativa na escrita entre os livros. A maior evolução advém das personagens, que não só ficamos a conhecer melhor, como também a gostar mais, ou menos…
É certo que Sangue Fresco beneficiou e muito com uma adaptação televisiva, bem conseguida e suportada por um leque de bons actores, assim um bom argumento. Mas muito do mérito continua a ser de Charlaine Harris, afinal foi ela quem criou todo este mundo povoado de vampiros e outras criaturas nocturnas.
Se por um lado a série televisiva permitiu a existência de um maior número de personagens e um enredo maior e mais desenvolvido, algo que nos livros teria exigido um elevado número de páginas, agora os livros começam também a mostrar um desenvolvimento semelhante, ainda que com menos personagens e histórias secundárias. E sem a série a sobrepor-se aos romances – a terceira temporada ainda está ser produzida –, Sangue Fresco tem agora a oportunidade para mostrar por que é considerada tão interessante.
Quanto à Saída de Emergência, apenas podemos esperar que continue a fazer o excelente trabalho ao publicar a série. Quanto ao tradutor, Renato Carreira, também está de parabéns. – Rui Baptista
Da mesma autora:
Sangue Fresco Dívida de Sangue
Crítica: Trick 'r Treat

REalização: Michael Dougherty
Argumento: Michael Dougherty
Ano: 2008 (Candá, Estados Unidos)
Site oficial
IMDb
Poison, drowning, claw or knife. So many ways to take a life.
Trick 'r Treat é uma pequena antologia de terror totalmente imersa na temática do Halloween e conta com a participação de alguns actores mais conhecidos como Anna Paquin (True Blood), Brian Cox (X-Men 2), Dylan Baker (Revolutionary Road) e Leslie Bibb (Popular).
O filme está dividido em quatro histórias: um director de uma escola que tem uma vida dupla macabra, uma rapariga disposta a finalmente perder a virgindade e que acaba por ser perseguida por uma figura sanguinária, um grupo de amigos que decide explorar uma pedreira abandonada cujo passado faz parte de uma lenda urbana e finalmente um eremita que recebe uma visita inesperada com algumas contas a ajustar.
As histórias são totalmente distintas mas de uma forma ou de outra acabam por estar interligadas, seja pela interacção entre alguns personagens ou mesmo por alguns pormenores do enredo.
O verdadeiro elemento em comum dos quatro contos, é o aparecimento de uma pequena figura vestida de espantalho - a personificação das tradições e regras do Halloween, que vai castigando todos aqueles que não as respeitam.
Uma consequência imediata da divisão do filme em quatro actos, é a inevitável falta de desenvolvimento dos personagens por não haver tempo suficiente e a falta de continuidade. Felizmente, acaba por resultar em quase todos os outros níveis.
Em termos visuais é extremamente apelativo e os cenários são ricos em pormenores, com maior destaque para as típicas abóboras talhadas em forma de expressões malvadas.
As histórias, que até nem são especialmente assustadoras ou complexas, desenvolvem-se com requintes de malvadez deliciosos, capturando assim na perfeição o espírito do Halloween, no qual nada é o que parece.
Ironicamente, Trick 'r Treat recupera um pouco o tipo de horror que tem vindo a ser esquecido em função da violência gratuita e dos sustos rápidos e previsíveis, preocupando-se mais com a atmosfera, muito à semelhança do que acontece nos filmes de Tim Burton. – Francisco Vidal
Trick 'r Treat é uma pequena antologia de terror totalmente imersa na temática do Halloween e conta com a participação de alguns actores mais conhecidos como Anna Paquin (True Blood), Brian Cox (X-Men 2), Dylan Baker (Revolutionary Road) e Leslie Bibb (Popular).
O filme está dividido em quatro histórias: um director de uma escola que tem uma vida dupla macabra, uma rapariga disposta a finalmente perder a virgindade e que acaba por ser perseguida por uma figura sanguinária, um grupo de amigos que decide explorar uma pedreira abandonada cujo passado faz parte de uma lenda urbana e finalmente um eremita que recebe uma visita inesperada com algumas contas a ajustar.
As histórias são totalmente distintas mas de uma forma ou de outra acabam por estar interligadas, seja pela interacção entre alguns personagens ou mesmo por alguns pormenores do enredo.
O verdadeiro elemento em comum dos quatro contos, é o aparecimento de uma pequena figura vestida de espantalho - a personificação das tradições e regras do Halloween, que vai castigando todos aqueles que não as respeitam.
Uma consequência imediata da divisão do filme em quatro actos, é a inevitável falta de desenvolvimento dos personagens por não haver tempo suficiente e a falta de continuidade. Felizmente, acaba por resultar em quase todos os outros níveis.
Em termos visuais é extremamente apelativo e os cenários são ricos em pormenores, com maior destaque para as típicas abóboras talhadas em forma de expressões malvadas.
As histórias, que até nem são especialmente assustadoras ou complexas, desenvolvem-se com requintes de malvadez deliciosos, capturando assim na perfeição o espírito do Halloween, no qual nada é o que parece.
Ironicamente, Trick 'r Treat recupera um pouco o tipo de horror que tem vindo a ser esquecido em função da violência gratuita e dos sustos rápidos e previsíveis, preocupando-se mais com a atmosfera, muito à semelhança do que acontece nos filmes de Tim Burton. – Francisco Vidal
17.10.09
Crítica: Da Terra à Lua

Título original: De la Terre à la Lune
Autor: Júlio Verne
Tradução: Cascais Franco
Editora: Publicações Europa-América (2009)
Chega-nos através da Europa-América, Da Terra à Lua de Júlio Verne, uma edição especial em capa dura, comemorativa dos 40 anos da chegada do Homem à Lua.
Esta história tem como palco os Estados da União (EUA) após o termo da Guerra da Secessão, que oferece à nação americana um longo período de paz. Ao contrário do que seria de esperar, um grupo de peritos em projécteis e balística vê-se extremamente aborrecido com o final da dita guerra, pois vêm-se entregues ao ócio, sem projécteis para testar. Este caricato grupo é o Gun-Club, constituído por inúmeros membros e cujo presidente é Barbicane. E é este senhor Barbicane quem consegue tirar o Gun-Club da letargia em que se encontra, com a mirabolante ideia de construírem um projéctil para ser lançado para a Lua.
Depois desta ousada ideia de Barbicane ser anunciada, não só o Gun-Club mas todos os americanos, apanham a “febre da Lua”, todos querem saber mais e mais acerca do belo astro das noites e anseiam pela construção e lançamento do projéctil.
Contudo, os membros deste clube têm de resolver diversas questões, visto ser a primeira vez que um projéctil de tal alcance é construído: Qual a forma, composição, peso e dimensões do projéctil e do canhão que o disparará? Qual e que quantidade de pólvora será necessária?
Só após a resolução destas e outras questões é que o projecto pode avançar e tomar forma.
Júlio Verne mostra nesta obra de ficção científica as suas extraordinárias ideias visionárias acerca de uma possível viagem ao astro das noites. É importante referir, que este livro foi escrito cento e quatro anos antes da chegada do Homem à Lua, e comparar as ideias de Verne ao que já sabemos hoje em dia é bastante interessante.
Da Terra à Lua é uma obra extremamente descritiva e explicativa, com bastantes teorias, quase como um livro de física e química romanceado, mas com um final, por incrível que pareça, inesperado! Encontramos ainda neste livro uma bonita história de amizade entre Barbicane e J.-T. Maston, que é de alguma importância para o desenrolar da narrativa.
De referir ainda aquilo que mais me incomodou ao longo do livro: as unidades de medida. Ora, estas aparecem sempre em pés, toesas, milhas, léguas, libras... Tudo unidades com que não me encontro familiarizada e que dificultaram um pouco a compreensão de diversas situações. Umas vezes, é possível encontrar uma conversão nas unidades por nós mais utilizadas, como o metro, mas na maioria dos casos isso não acontece.
Para terminar, apesar de este não ser o meu tipo de leitura ideal, é sem dúvida um clássico muito interessante de se ler e imperdível aos grandes apreciadores de ficção científica. – Rita Verdial
Esta história tem como palco os Estados da União (EUA) após o termo da Guerra da Secessão, que oferece à nação americana um longo período de paz. Ao contrário do que seria de esperar, um grupo de peritos em projécteis e balística vê-se extremamente aborrecido com o final da dita guerra, pois vêm-se entregues ao ócio, sem projécteis para testar. Este caricato grupo é o Gun-Club, constituído por inúmeros membros e cujo presidente é Barbicane. E é este senhor Barbicane quem consegue tirar o Gun-Club da letargia em que se encontra, com a mirabolante ideia de construírem um projéctil para ser lançado para a Lua.
Depois desta ousada ideia de Barbicane ser anunciada, não só o Gun-Club mas todos os americanos, apanham a “febre da Lua”, todos querem saber mais e mais acerca do belo astro das noites e anseiam pela construção e lançamento do projéctil.
Contudo, os membros deste clube têm de resolver diversas questões, visto ser a primeira vez que um projéctil de tal alcance é construído: Qual a forma, composição, peso e dimensões do projéctil e do canhão que o disparará? Qual e que quantidade de pólvora será necessária?
Só após a resolução destas e outras questões é que o projecto pode avançar e tomar forma.
Júlio Verne mostra nesta obra de ficção científica as suas extraordinárias ideias visionárias acerca de uma possível viagem ao astro das noites. É importante referir, que este livro foi escrito cento e quatro anos antes da chegada do Homem à Lua, e comparar as ideias de Verne ao que já sabemos hoje em dia é bastante interessante.
Da Terra à Lua é uma obra extremamente descritiva e explicativa, com bastantes teorias, quase como um livro de física e química romanceado, mas com um final, por incrível que pareça, inesperado! Encontramos ainda neste livro uma bonita história de amizade entre Barbicane e J.-T. Maston, que é de alguma importância para o desenrolar da narrativa.
De referir ainda aquilo que mais me incomodou ao longo do livro: as unidades de medida. Ora, estas aparecem sempre em pés, toesas, milhas, léguas, libras... Tudo unidades com que não me encontro familiarizada e que dificultaram um pouco a compreensão de diversas situações. Umas vezes, é possível encontrar uma conversão nas unidades por nós mais utilizadas, como o metro, mas na maioria dos casos isso não acontece.
Para terminar, apesar de este não ser o meu tipo de leitura ideal, é sem dúvida um clássico muito interessante de se ler e imperdível aos grandes apreciadores de ficção científica. – Rita Verdial
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