
Autor: Guy Gavriel Kay
Editora: Penguin Canada (1992)
"Arbonne e Gorhaut - dois países tão diferentes como o sol e a lua.No sul, as oliveiras e vinhas de Arbonne florescem, enquanto os trovadores enchem os dias de canções de amor e desejo. No norte, a história de Gorhaut foi forjada com sangue e fogo, e agora um rei degenerado e o seu cruel conselheiro planeiam satisfazer a sua sede de conquista atacando Arbonne. Mas a terra do amor cortês é também uma terra de paixão, disposta a uma complexa luta pela sobrevivência."Continuando a maratona de Kay, agora na sua parte final... até chegarem os restantes livros.
A Song For Arbonne passa-se num continente com seis países (pelo menos a parte que toca à história), focando-se em dois deles - Arbonne e Gorhaut.
Arbonne, a sul, tem não só o clima mais ameno e portos de acesso a rotas de comércio como uma cultura voltada para os trovadores, música e poesia. Regido por uma mulher, Arbonne é em tudo diferente do vizinho Gorhaut, a norte.
Com um clima agreste, Gorhaut é interior, e vem de uma longa guerra com Valensa, a norte, só terminada através de um tratado em que cede território que nunca perdeu durante o conflito. Este tratado permite no entanto acalmar as fronteiras a norte, de modo a poder olhar para sul. Governado de forma brutal pelo recém-coroado rei, Gorhaut vê em Arbonne uma terra "conquistável", com homens diminuídos, governados por mulheres, e com apetecíveis recursos.
Existem também diferenças na religião dos dois países, pois enquanto Gorhaut venera o deus Corannos, Arbonne junta-lhe Rian, a deusa, dando-lhe mais importância. Para o clérigo de Gorhaut, conselheiro do rei, tal blasfémia só pode ter um resultado - é preciso "purificar" Arbonne, em nome de Corannos, pelo fogo. Assim nasce uma situação potencialmente desastrosa para Arbonne, especialmente porque uma questão antiga tornou inimigos os dois duques mais poderosos do território...
Para variar, é fácil identificar os heróis e os vilões. Seguimos as aventuras e desventuras de diversos personagens até ao culminar da história, definido não só pela força das armas mas especialmente pelas "artes diplomáticas" das cortes.
Parte do final fica em aberto e ainda não me decidi se gosto ou não que assim seja. Acho que preferia que tudo ficasse "preto no branco" - e com um fim feliz, claro, que para tristezas tenho o telejornal! Aparentemente o autor achou que ficavam poucas coisas em aberto, pelo que um epílogo acrescenta um par de factos para termos mais ainda para especular.
Tal como em
Tigana e em
Al-Rassan, existem as duas luas do costume (branca e azul), e
Fionavar é mencionado numa canção antiga (como não podia deixar de ser numa terra de trovadores).
Kay continua infelizmente a usar o presente de vez em quando. Neste livro, perdi a conta às vezes que isso aconteceu. Pelo pouco que vi no (completamente arcaico e desactualizado) fórum no
site autorizado do autor, parece que existe um objectivo com essas mudanças. Mas DIZER qual o objectivo contraria o objectivo. Ou algo no género. Tradução: continuo sem perceber que raio pretende, mas é irritante e distractivo.
O maior defeito que o livro tem é uma cena HORRÍVEL com um cão e gatos, quando é apresentado o rei de Gorhaut. Adorava poder "desler" essas três ou quatro frases, passar-lhes com uma caneta preta por cima e NUNCA saber o que lá diz. Não me parece que a história ficasse mais pobre, e para mim ficaria MUITO melhor. Penso ser a única cena do tipo.
Em termos de "violência humana", como bom clérigo, o conselheiro do rei de Gorhaut ADORA "punir" os inimigos em Arbonne (e todos os que achar que cometem "blasfémias" contra o seu precioso culto, independentemente da nacionalidade), sendo parcial a castrar, decapitar, violar e/ou queimar as suas vítimas. Kay continua igual a si próprio, e tudo é relatado de forma superficial, nada de realmente gráfico.
De qualquer modo, numa palavra... WOW. Acho que Arbonne é provavelmente melhor que o Tigana. Quase desejei por um par de vezes que o barco encalhasse para me dar mais uma horinha de leitura! E acabei de o ler no sábado, o que é bastante raro, visto que normalmente os livros não saem da mochila no fim de semana. – Tahra
Nota: no caso de alguém estar a questionar-se, o autor não me está a pagar! Mas acho sinceramente que quem ainda não conhece o autor está a perder imenso...