16.9.09

Crítica: Orbias – As Guerreiras da Deusa





Autor: Fábio Ventura
Editora: Casa das Letras (2009)






Quando li no Bela Lugosi is Dead as surpresas que seriam de esperar até ao final do ano, um dos livros que mais me captou a atenção foi Orbias. Fiquei bastante interessada no livro, mas ao mesmo tempo receosa, visto que é escrito por autor português. Não é por mal, mas no geral ainda se sente uma grande desconfiança em relação a literatura fantástica escrita por autores portugueses. No entanto tive direito a um exemplar e assim que ele me chegou às mãos não resisti em pegar nele e começar a lê-lo. Não me arrependo nada.

Orbias é o nome de um mundo paralelo, semelhante ao nosso. No entanto este foi criado por uma Deusa e não por um Deus e existe as pessoas deste mundo são capazes de utilizar magia. A história revolve basicamente em torno de seis guerreiras. Essas guerreiras têm alguns dos poderes que são atribuídos a um Deus ou Deusa, a omnisciência, a vida, a morte, a criação, a destruição e a eternidade. Elas têm que ser acordadas para poderem enfrentar uma organização que pretende governar, ou assim são levadas a crer, os dois mundos.

A personagem principal é Noemi, uma rapariga desajeitada e descoordenada que de repente se vê transformada na protectora dos mundos e líder das guerreiras. Com as aventuras que vai passando vai crescendo e amadurecendo e tendo mais confiança em si própria, tal como as restantes guerreiras. Para isso tem também a ajuda de alguém muito especial, Sebastian.

A história é bastante interessante e apelativa. E a escrita faz-nos sentir próximas de cada personagem. Outra coisa que também me conquistou foi o facto de ao longo do livro aparecerem personagens e lendas do povo português e que são bastante fáceis de reconhecer. Mostra que o autor é capaz de incorporar na sua história algo que conhecemos de uma maneira que não se torna deslocada. O que sem dúvida é um grande feito. Quando começamos a ler um capítulo não conseguimos parar. Devo dizer que fiquei bastante surpreendida.

No entanto existem algumas coisas menos boas. Mas também é natural visto que é a primeira obra deste autor português. A narrativa é um pouco juvenil de mais para o meu gosto. Talvez pudesse ser mais trabalhada, o que poderia dar um ar “mais real” a toda a narrativa.

Outra coisa que também senti muito ao longo de toda a obra, mas mais no princípio, o que demonstra que houve uma evolução ao longo da obra, foi que as acções eram um bocado precipitadas. Havia partes em que ficava com a sensação que eram um pouco forçadas. Para além disso achei as partes românticas um pouco lamechas de mais. Talvez pudessem não ser tão “à filme”. Provavelmente traria mais credibilidade à relação.

Contudo, apesar destes pequenos pormenores, adorei o livro. Como já disse a história está bastante boa e idealizada, e tem um final bastante inesperado que nos deixa com vontade de ler já o seguinte. No final acabamos por ficar mais confusos do que estávamos ao inicio e isso dá-nos vontade para continuar a seguir esta saga.

Foi uma boa aposta da Casa das Letras ter dado ao Fábio Ventura uma oportunidade de publicar a sua obra. Por fim só posso dar os parabéns ao Fábio por ter criado um mundo tão interessante. – Joana Cardoso

Ler crítica de Rita Verdial

1 comentários:

mrdxxx disse...

Concordo em algumas partes com a crítica, mas mesmo assim aconselho a toda a gente. Excelente aposta e vão-se divertir imenso a lê-lo! XXX