
Autor: Telmo Marçal
Editora: Gailivro (2009)
Quando comecei a ler este livro, uma pergunta tomou imediatamente de assalto o meu subconsciente, Quem é o Telmo Marçal? O livro não traz qualquer fotografia nem quaisquer antecedentes do autor. E mesmo na Internet, também não encontrei qualquer pista que me ajudasse a desvendar o mistério.
Após terminar a leitura do livro, continuo sem ter qualquer resposta à minha pergunta. No entanto, sei agora que o Telmo Marçal é, para mim, o autor de um dos melhores livros do ano. E para já isso é-me suficiente.
Diz o autor que “O mundo daqui e de agora está abarrotado com Jacques de todos os tamanhos, cores e feitios. A maior parte é minimamente suportável, mas outros exageram tanto na imprudência como na maldade, primando por ser obtusos e mal-agradecidos.”
Mas não são os Jacques do nosso mundo que Telmo Marçal aborda, “O que talvez não saibam é que também temos gente dessa nos outros mundos, naqueles que lembram o nosso, em mundos que nos ficam distantes, e até em alguns que ainda não aconteceram, é sobretudo isso que versam os vários escritos desse livro”.
Quanto aos vários Jacques, a explicação é bem mais extensa mas nem por isso mais reveladora. Nem precisa.
As atribulações de Jacques Bonhomme reúne um conjunto de contos escritos num tom mordaz, com mestria e até algum humor negro, sobre indivíduos que tentam sobreviver como podem e sabem, face às adversidades do seu mundo. Um mundo que poderia bem ser o nosso, como aponta Luís Filipe Silva no prefácio.
E não me é difícil reconhecer alguns destes Jacques na minha Invicta. “Obtusos e mal-agradecidos” e sempre atentos à mais ínfima oportunidade de porem em prática o seu talento. Talvez por isso mesmo os contos sejam tão bons. Tão deliciosos.
Mas a maior culpa continua a recair sobre Telmo Marçal que detém um dom para a escrita como muito poucos.
“A nossa Ficção Científica, quando se manifesta,” – diz Luís Filipe Silva, “aproxima-se normalmente de universos alheios que encontra nas leituras dos romances estrangeiros; quando em raras ocasiões se aventura no caminho da especulação social, fá-lo em timidamente ou assente em abordagens puramente pessoais.”
As atribulações de Jacques Bonhomme é assim uma das melhores obras portuguesas da literatura que tive o prazer de ler. E num mercado onde a literatura nacional no campo do fantástico se resume quase apenas a obras de fantasia, é bom saber que a ficção científica está muito bem representada.
Quanto à Gailivro que viu a publicação deste livro como uma “aposta arriscada”, apenas posso dizer é uma aposta ganha. E fico a torcer para que continuem a arriscar em autores assim. – Rui Baptista
Após terminar a leitura do livro, continuo sem ter qualquer resposta à minha pergunta. No entanto, sei agora que o Telmo Marçal é, para mim, o autor de um dos melhores livros do ano. E para já isso é-me suficiente.
Diz o autor que “O mundo daqui e de agora está abarrotado com Jacques de todos os tamanhos, cores e feitios. A maior parte é minimamente suportável, mas outros exageram tanto na imprudência como na maldade, primando por ser obtusos e mal-agradecidos.”
Mas não são os Jacques do nosso mundo que Telmo Marçal aborda, “O que talvez não saibam é que também temos gente dessa nos outros mundos, naqueles que lembram o nosso, em mundos que nos ficam distantes, e até em alguns que ainda não aconteceram, é sobretudo isso que versam os vários escritos desse livro”.
Quanto aos vários Jacques, a explicação é bem mais extensa mas nem por isso mais reveladora. Nem precisa.
As atribulações de Jacques Bonhomme reúne um conjunto de contos escritos num tom mordaz, com mestria e até algum humor negro, sobre indivíduos que tentam sobreviver como podem e sabem, face às adversidades do seu mundo. Um mundo que poderia bem ser o nosso, como aponta Luís Filipe Silva no prefácio.
E não me é difícil reconhecer alguns destes Jacques na minha Invicta. “Obtusos e mal-agradecidos” e sempre atentos à mais ínfima oportunidade de porem em prática o seu talento. Talvez por isso mesmo os contos sejam tão bons. Tão deliciosos.
Mas a maior culpa continua a recair sobre Telmo Marçal que detém um dom para a escrita como muito poucos.
“A nossa Ficção Científica, quando se manifesta,” – diz Luís Filipe Silva, “aproxima-se normalmente de universos alheios que encontra nas leituras dos romances estrangeiros; quando em raras ocasiões se aventura no caminho da especulação social, fá-lo em timidamente ou assente em abordagens puramente pessoais.”
As atribulações de Jacques Bonhomme é assim uma das melhores obras portuguesas da literatura que tive o prazer de ler. E num mercado onde a literatura nacional no campo do fantástico se resume quase apenas a obras de fantasia, é bom saber que a ficção científica está muito bem representada.
Quanto à Gailivro que viu a publicação deste livro como uma “aposta arriscada”, apenas posso dizer é uma aposta ganha. E fico a torcer para que continuem a arriscar em autores assim. – Rui Baptista
6 comentários:
"E mesmo na Internet, também não encontrei qualquer pista que me ajudasse a desvendar o mistério"
Tens de prestar mais atenção aos twiters: http://twitter.com/Thanabur/status/3717791101
Estão lá as pistas. ;-)
Muito dificilmente iria lembrar-me de consultar a Bang!'s para tentar descobrir alguma pista.
Em todo o caso obrigado.
No último post do meu blog deixei lá uma referência a esta crítica, e falo um pouco sobre o Telmo.
Se quiseres lá passar... http://anagrama-anarquico.blogspot.com/2009/10/dois-ou-tres-titulos-e-um-rebulico.html ;)
Abraço
Vou ler com atenção. Obrigado.
Não tens nada que agradecer ;)
Abraço
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