27.7.09

Crítica: ‘Gente Vazia’ e ‘O Espelho Quebrado’













Gente Vazia (Hollow People)
O Espelho Quebrado (The Gallow Glass)

Autor: Brian Keaney
Tradução: Susana Rodrigues de Carvalho
Editora: Gailivro


“Os sonhos são os caldeirões dos vossos desejos. Os locais onde as esperanças nascem e os medos escondidos se erguem para vos confrontar.

Mas a capacidade de controlar os sonhos está ao vosso alcance. Aprendam a dominar esse poder e tudo será possível.”

Isto é o que se encontra escrito na contra-capa de Gente Vazia, o primeiro livro da trilogia As Promessas do Dr. Sigmundus. O segundo livro chama-se O Espelho quebrado.

Estes livros contam-nos a história de um rapaz, Dante, e de uma rapariga, Bea. O primeiro vivia uma vida miserável e a segunda uma vida algo que privilegiada. No entanto tudo muda com a chegada de Ezekiel, pois este vai revelar a Dante as suas verdadeiras origens.

A história passa-se num mundo no qual existe um país dominado pelo Dr. Sigmundus. Este inventou uma vacina, Icor, que impede as pessoas de sonhar. O que faz com que elas se tornem mais dóceis e que obedeçam facilmente a ordens. No entanto, a população em geral, é levada a acreditar que a Icor serve para que não haja guerra nem maldade no país. Infelizmente a Icor não funciona em toda a gente, e há aqueles que continuam a possuir a capacidade de sonhar, o que os leva a ser apelidados de loucos e transportados para um asilo onde as suas mentes são violentadas.

A missão de Dante é acabar com o reinado do Dr. Sigmundus. Para isso terá a ajuda de Bea e dos Púca.

Brian Keaney apresenta-nos uma história fantástica. Não é que seja muito elaborada, é simplesmente porque retrata parte da nossa essência. A escrita é bastante acessível e os livros apresentam uma peculiaridade que me chamou bastante a atenção. Enquanto normalmente numa trilogia nos apercebemos de um desenvolvimento ao longo dos livros, também nos apercebemos que cada livro tem uma história e que no fim do livro essa história termina. Nestes livros não. Depois de ter lido os dois livros senti que o primeiro era uma introdução ao mundo e o segundo ao desenvolvimento das acções. Só posso concluir, por isso, que o terceiro irá servir de conclusão. Não é que seja algo fora do vulgar, é só que nestes livros este facto é bastante acentuado.

Contudo o que torna o livro interessante é sermos capazes de nos aperceber das pequenas lições que transparecem ao longo da história. Elas não são propriamente óbvias e poderão passar despercebidas aos mais desatentos. Mas elas estão lá. Neste livro, os sonhos assumem uma importância extrema. Essa importância era a que devíamos dar aos nossos sonhos no dia-a-dia.

“Quis escrever sobre um mundo onde não existe privacidade, onde sonhar é um comportamento anti-social e as pessoas que controlam essa sociedade podem olhar através da janela da tua alma e descobrir os pensamentos mais íntimos.

Mas quis, também, contar às pessoas a maior verdade que aprendi: o tecido deste mundo é uma ilusão, um cenário pintado de uma peça de teatro. Passem para trás desse cenário e um mundo totalmente diferente aguarda-vos.”

Sem sombra de dúvida que Keaney conseguiu isso e muito mais.

Em relação ao trabalho da editora, as capas estão fenomenais. Sem sombra de dúvida que não passam despercebidas. A tradução também está boa, no entanto encontrei algumas falhas na revisão.

Mais uma excelente aposta da Gailivro! – Joana Cardoso

3 comentários:

Silent Raven disse...

Já os tenho em casa. :) E, depois desta crítica, fiquei com mais vontade de os ler.

Rui Baptista disse...

Também quero ler e muito, mas para já não me parece que seja possível.

Rita V. disse...

Eu já encomendei os dois pelo site da Fnac. Aproveitei a promoção online em que se compra "O Espelho Quebrado" e se leva de oferta o "Gente Vazia" =D