
Autor: Anne Bishop
Editora: Saída de Emergência
Tradução: Cristina Correia
Apesar de quase todos os livros de Anne Bishop estarem já publicados entre nós – mérito da Saída de Emergência – foi com Sebastian que iniciei a minha viagem no universo da escritora, mais propriamente o mundo de Efémera.
Bishop dividiu este mundo em inúmeras paisagens “mágicas” ligadas por pontes. “Um lugar vivo em constante mutação”, como descreve a autora. E é numa destas paisagens que a libertação do Devorador do Mundo, vem por em causa toda a aparente normalidade de Efémera, alterando também o destino de muitos dos seus habitantes…
Para quem nunca leu os outros romances da escritora há, à partida, algo que se perde: a evolução de Anne Bishop enquanto escritora e a aproximação que faz a um lado mais sombrio.
“E as criaturas alcançaram-na, as que vinham a persegui-la e as que vinham das dunas. Gritou ao sentir as mandíbulas a arrancarem-lhe pedaços de carne, enquanto o sangue ensopava a areia.”
Para uma primeira incursão à obra de Anne Bishop, foi com grande surpresa que me deparei com esta passagem. Embora este pormenor gráfico não seja uma constante ao longo da narrativa, não deixa de ser um tanto perturbador, afinal não parece ser algo muito comum em romances de fantasia. Ou talvez seja, pois Sebastian constitui também, para mim, uma das poucas viagens a este género de literatura que é a fantasia.
Curiosamente, a autora disse numa entrevista que lhe é mais difícil escrever situações de violência cenas. Em oposição, tem muito maior prazer em escrever situações “amigáveis e familiares”. Então porquê um mundo tão negro?
“Penso que a sensualidade e a violência de um mundo negro permitem um cenário que intriga os leitores, mas a maior atracão são as personagens,” explica Anne Bishop “A sua força e fraqueza; a sua luta para se manterem fiéis a um código de honra; as suas relações, boas e más; os seus arrependimentos e erros. É o jogo de emoções humanas em cenários perigosos que me compelem a escrever as histórias. Talvez essa seja a mesma razão pela qual os leitores se sentam atraídos.”
Com estas palavras a autora explica o que podemos encontrar em Sebastian. E muito provavelmente nos outros romances também. Todo esse jogo de emoções está aqui bem presente: Sebastian, uma meio-íncubo que de Lynnea, luta desesperadamente por se manter fiel à sua natureza. A jovem que por sua vez tenta perceber qual o seu papel no Antro. O mago Koltak que procura por todos os meios corrigir os erros do passado. E outras personagens em luta consigo mesmas…
Longe de ser uma obra excepcional, Sebastain não deixa por isso de proporcionar momentos bem passados. E diz quem já leu outros romances da mesma autora, que o prazer é igualmente bom. – Rui Baptista
Da mesma autora:
Jóia Perdida (Joana Cardoso)
Sebastian (Rita Verdial)
2 comentários:
Fico feliz por te teres rendido à Srª D. Anne Bishop (as miúdas - eu incluída - não te davam sossego, certo?). Pessoalmente, gostei das potencialidades deste mundo e do Devorador como rrepresentação pura do Mal.
É um livro interessante, mas parece que ela tem outros melhores... como uma certa trilogia das jóias...
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